terça-feira, 22 de junho de 2010

José Saramago


“Os Verdes” lamentam profundamente a morte de José Saramago, prémio Nobel da Literatura e vulto ímpar da cultura portuguesa e internacional. O PEV considera que esta é uma enorme perda para a área da literatura, uma perda que deixará mais pobre o país e o mundo, e solidariza-se com a dor sentida pela família do escritor.

As obras de José Saramago farão perdurar nos portugueses a memória de um escritor extremamente criativo e de um homem com opinião política e interventivo na sociedade, um homem que sempre lutou por um país e um mundo mais fraternos, justos e cultos.

Comunicado de Imprensa de "Os Verdes"
18-06-2010


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Conversas de Escritores
RTPN (01/11/2009)

Caça de baleias

Em alguns dias, a Comissão Baleeira Internacional se reunirá em Agadir, Marrocos, para votar em uma proposta que legalizaria a caça comercial de baleias pela primeira vez desde 1986.

A opinião pública global é contra esta proposta, mas países a favor da caça de baleias estão defendendo-a fortemente.

Mais de 1 milhão de pessoas já assinaram a petição para proteger as baleias. Assine:

https://secure.avaaz.org/po/whales_last_push/98.php?CLICKTF

Às partes da Comissão Baleeira Internacional:

Como cidadãos ao redor do mundo, nós pedimos que vocês mantenham a proibição no comércio internacional de baleias como o centro das políticas da Comissão Baleeira Internacional pela conservação das baleias.



Depois que a proibição global foi imposta à caça comercial de baleias, o número de baleias mortas todo ano caiu de 38.000 para poucas centenas. Isto é apenas uma prova do poder da humanidade em seguir o caminho certo. Enquanto lidamos com outras crises atuais, vamos valorizar este legado de progresso – nos unindo agora para proteger nossos vizinhos majestosos e inteligentes neste frágil planeta.

Mesmo após a proibição, o Japão, Noruega e Islândia continuaram caçando baleias. Estes países estão pressionando o IWC para enfraquecer as restrições à caça. Aguardando a permissão para caçar ainda mais baleias, o Japão já está planejando comprar o maior navio baleeiro já visto.

Fonte: http://avaaz.org/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Derivas democráticas

Em muitas ocasiões fala-se da existência dum certo distanciamento entre o poder político e o povo. E, de facto, há momentos em que a vontade dos governantes parece afastar-se da vontade popular. No entanto, nos últimos tempos assiste-se a algo de muito pior. Assistimos a momentos em que, mais do que afastar-se, a vontade dos governantes parece opor-se à vontade do povo. E isto diz muito acerca da qualidade da nossa democracia e até que ponto o resultado das eleições, na prática, é fiel expressão da vontade maioritária do povo.

Na concertação social, por exemplo, onde dum lado se situa o patronato, representante duma minoria da população, e doutro os sindicatos, representantes da maioria da população, vemos os sucessivos governos, nas últimas décadas, situar-se de forma quase sempre sistemática do lado da minoria. E isto apesar dos governantes supostamente serem eleitos por uma maioria dessa mesma população. Parece que qualquer coisa misteriosa acontece no longo caminho que vai da eleição popular dum governo à posterior acção marcadamente antipopular desse mesmo governo.

Mas há casos ainda mais misteriosos, como acontece em relação ao acordo laboral da Base das Lajes. Dum lado temos a posição dos representantes militares dum governo estrangeiro e doutro temos os trabalhadores da base, cidadãos portugueses da ilha Terceira. Dum governo eleito por portugueses, por sinal açorianos, era lógico esperar uma clara tomada de posição do lado dos trabalhadores portugueses. Mas curiosamente não é isso que acontece.

O presidente do governo regional dos Açores afirma que o novo acordo laboral da Base das Lajes, assinado no passado mês de julho, é “um bom acordo” e que vai permitir sem dúvida aumentos salariais dos trabalhadores.

Pelo contrário, cerca de 480 trabalhadores portugueses da Base das Lajes assinaram recentemente uma petição contra o novo acordo laboral por considerar que é a situação laboral “mais desfavorável de sempre” e que “prejudica os trabalhadores”. O mesmo que pensam os 4400 assinantes duma petição, no mesmo sentido, apresentada na Assembleia da República. Mas, pior ainda, a União de Sindicatos de Angra do Heroísmo (USAH) considera que o novo acordo é inconstitucional nalgumas matérias, pelo qual vai recorrer ao Tribunal Constitucional. A união sindical diz claramente que “os trabalhadores portugueses da Base das Lajes não têm os mesmo direitos que os restantes cidadãos nacionais, são estrangeiros dentro do seu país”.

As teorias esotéricas de que num mesmo mundo podem coexistir universos paralelos têm aqui um bom argumento. Governo e trabalhadores, com visões completamente opostas, parecem viver, na realidade, em universos diferentes. O surpreendente é que, num contexto democrático, foram supostamente os trabalhadores açorianos a eleger este governo para que os defendesse e, doutro lado, a função de qualquer governo regional deveria ser defender sempre os trabalhadores açorianos. Assim, mais do que deriva democrática e afastamento entre a vontade do governo e do povo, o que parece haver aqui é um autêntico naufrágio democrático.

Geosítios da Graciosa

A Universidade dos Açores lançou a Carta de Geosítios da Graciosa, que inclui fichas de caracterização dos nove locais com interesse geológico existentes nesta ilha, além da indicação de trilhos pedestres, miradouros e pontos de observação privilegiados dos geosítios.

A Caldeira e a Furna do Enxofre, uma das principais atracções turísticas da Graciosa, é um dos geosítios que constam desta carta, que também inclui locais como a Baía da Vitória, o Pico Timão e a zona costeira entre o Redondo e Porto Afonso.

A Graciosa, uma pequena ilha com cerca de 61 quilómetros quadrados onde vivem 4800 pessoas, possui ainda geosítios como as Arribas da Serra Branca, a Caldeirinha de Pêro Botelho ou a Ponta da Barca e o Ilhéu da Baleia.

A carta, da autoria de João Carlos Nunes, Eva Almeida Lima e Sara Medeiros, é uma produção do Laboratório de Geodiversidade dos Açores, que também já tinha lançado uma publicação idêntica referente à ilha de Santa Maria. Até ao final deste ano está previsto o lançamento das cartas de geosítios das ilhas do Corvo e do Faial.

FR./Lusa

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Parque zoológico da Povoação

O denominado Parque Zoológico da Povoação continua aberto e sem nenhuns sinais de mudança. Um ano depois do requerimento apresentado pela CDU ao governo regional, solicitando informação sobre o licenciamento do parque e das suas normas técnicas, nada parece feito.


De facto, o parque e os animais foram embargados por causa das instalações não cumprirem os mínimos requisitos legais. Mas, por não haver aparentemente um destino onde levar os referidos animais, eles permanecem depositados no mesmo lugar. A consequência é que tudo continua na mesma, como se a lei não tivesse sido aplicada nem nunca vier a sê-lo. E a situação, prolongando-se indefinidamente no tempo, acaba por tornar-se vergonhosa.

A falta de condições do parque é evidente. Entrando nele confrontamo-nos, por exemplo, com um dos dois babuínos mostrando sinais duma extrema magreza. Ou com duas araras, fechadas em gaiolas mínimas em que apenas podem esticar as asas, uma delas mostrando comportamentos claramente anormais e neuróticos, próprios dum animal em cativeiro e mal tratado.




No parque há ainda algumas aves exóticas consideradas como invasoras pela legislação actual e que portanto requereriam uma permissão especial. E também algumas aves nativas, que legalmente não deveriam estar em cativeiro.

Sem solução à vista, os animais debatem-se com a falta de condições. E entretanto, os mais sortudos vão morrendo (como deve ter acontecido já a um dos macacos que falta) ou esperam, sem nenhuma solução oficial, pela chegada da morte.



Lista de espécies (e número visível de indivíduos), 22/05/2010:

MAMÍFEROS:
Primates: Papio cynocephalus (2), Cercopithecus aethiops (4).
Rodentia/Lagomorpha: Oryctolagus cuniculus (2), Cavia sp. (5).

AVES EXÓTICAS:
Psittacidae: Ara ararauna (1), Ara chloroptera (1), Cyanoliseus patagonus (6), Melopsittacus undulatus (9), Nymphicus hollandicus (1).

AVES INVASORAS:
Estrildidae: Estrilda astrild (6), Taeniopygia guttata (4).

AVES NATIVAS:
Passeriformes: Turdus merula (1), Serinus canaria (2).

AVES EXÓTICAS / DOMÉSTICAS:
Anseriformes: Anser anser (3), Anser cygnoides (1), Anas sp. (4)
Galliformes: Chrysolophus pictus (1), Numida meleagris (2), Pavo cristatus (3), Meleagris gallopavo (2), Gallus gallus (3)
Columbiformes: Geopelia cuneata (2), Columba livia dom. (14).

PEIXES:
Carassius auratus.


Contacto Verde nº 87

Último Boletim informativo quinzenal do Partido Ecologista "Os Verdes":

CONTACTO VERDE nº 87 (01/06/2010)


O ambiente e as formas de fazer política

Nesta edição da Contacto Verde, o destaque vai para o Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, actualmente em processo de revisão e as iniciativas de “Os Verdes” pela conservação da Natureza nesta importante área protegida.

Na entrevista, Steve Emmot aborda a importância e os contornos da vitória eleitoral conseguida pelo do GPEW - Green Party of England and Wales que pela primeira vez conseguiu estar representado no Parlamento do Reino Unido.

No In Loco, Júlio Sá escreve sobre a Assembleia Geral da Federação de Jovens Verdes Europeus.


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Carta da Terra

Foi aprovado na Assembleia da República o Projecto de Resolução de “Os Verdes” que recomenda ao Governo a adopção dos princípios constantes na Carta da Terra. A Carta da Terra constitui uma espécie de Código de Ética direccionada para a sustentabilidade, a paz e a justiça económica e dela constam princípios e valores de natureza universal que deverão ser tidos em conta no momento de tomada de decisões políticas.

“Os Verdes” congratulam-se com a aprovação desta iniciativa, que passou no Parlamento com a abstenção do PSD e do CDS e com as votações favoráveis dos restantes partidos, e consideram que o aval hoje dado à Carta da Terra incentivará o Governo português e a Assembleia da República a envolverem-se no cumprimento dos objectivos do documento, assim como nos compromissos de trabalho em prol da implementação dos valores e princípios nela explanados.

A Carta da Terra é um tratado ético da Organização das Nações Unidas (ONU) com 61 princípios fundamentais para construir uma sociedade global justa e pacífica, bem como um planeta ecologicamente sustentável. A Carta da Terra mostra que a protecção do meio ambiente, os direitos humanos, o desenvolvimento equitativo dos povos e a paz são conexões interdependentes e indivisíveis. Todos os problemas estão relacionados: os ambientais, os sociais, os económicos, os políticos e os culturais.

A Carta da Terra está estruturada em 4 princípios primordiais que contêm 16 princípios gerais:

I. Respeito e cuidado pela vida.
1. Respeitar a Terra e a vida em toda a sua diversidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com entendimento, compaixão e amor.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
4. Assegurar que os frutos e a beleza da Terra se preservem para as gerações presentes e futuras.

II. Integridade ecológica
1. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial cuidado pela diversidade biológica e os processos naturais que sustentam a vida.
2. Evitar danos como o melhor método de protecção ambiental e quando o conhecimento seja limitado, proceder com precaução.
3. Adoptar padrões de produção, consumo e reprodução que salvaguardem as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos como também o bem-estar comunitário.
4. Impulsionar o estudo da sustentabilidade ecológica, promover o intercâmbio aberto e a extensa aplicação do conhecimento adquirido.

III. Justiça Social e Económica
1. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
2. Assegurar que as actividades e instituições económicas, a todo nível, promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável.
3. Afirmar a igualdade e equidade do género como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, o cuidado da saúde e à oportunidade económica.
4. Defender o direito de todos, sem discriminação, a uma envolvência natural e social que apoie a dignidade humana, a saúde física e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e às minorias.

IV. Democracia, não violência e paz
1. Fortalecer as instituições democráticas a todos os níveis, fomentando a transparência e a responsabilidade na gestão pública, participação inclusiva na toma de decisões e acesso à justiça.
2. Integrar na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, as habilidades, o conhecimento e os valores necessários para um modo de vida sustentável.
3. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
4. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.

Comércio justo e dinamização da actividade agrícola

Quando Portugal aderiu à CEE, a sua dependência alimentar do exterior era de 25%. Actualmente Portugal é dependente do exterior a nível alimentar em 75%. Isto significa, entre outras coisas, um pagamento ao exterior de 4.000 milhões de euros anuais. Mas esta situação também gera desemprego, uma quebra na produção, pobreza e abandono do mundo rural. E ainda graves consequências ambientais, como o aumento das emissões de CO2 devidas aos transportes para importar todos esses produtos.

Intervenção de apresentação dos projectos de “Os Verdes” sobre o direito de consumir produtos locais e sobre informação ao consumidor sobre o preço de compra ao produtor dos géneros alimentícios:

Apresentação:
http://www.youtube.com/user/peverdes#p/u/2/U4-7BGSj8us

Encerramento:
http://www.youtube.com/user/peverdes#p/u/1/iJXQ4OI33n4

Brincadeiras de criança

Há quem pense que aquilo que acontece na Assembleia Regional não é seguido com atenção pela população açoriana. Alguns factos demonstram, no entanto, que isto muitas vezes não é assim.

Recentemente o deputado da CDU, Aníbal Pires, apresentou uma proposta na Assembleia para “impedir o acesso às touradas de praça a espectadores com menos de 16 anos de idade, com o fim de proteger as crianças e jovens de um espectáculo que é, pela sua natureza, sangrento”. O resultado foi decepcionante, com todos os outros partidos políticos presentes na Assembleia a chumbar a proposta. Todos eles entenderam que determinados interesses económicos eram muito mais importantes do que a educação e o adequado desenvolvimento psíquico e social das crianças e jovens.

Esta atitude indecorosa da Assembleia, duma Assembleia que supostamente deveria elevar o nível cultural dos açorianos, acabou por dar um claro e inequívoco sinal à população. Assim, no passado dia 21 de Maio realizou-se mais uma corrida de touros na ilha Terceira. E, claro, os menores de dez anos tiveram agora entrada gratuita!


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Direito de consumir local

“Os Verdes” defendem comércio justo e dinamização da actividade agrícola como contributo para combater crise económica.

Na próxima quarta-feira, dia 26 de Maio, na Assembleia da República, o Grupo Parlamentar “Os Verdes” coloca dois projectos de lei em discussão:



Projecto de Lei nº283/XI – Estabelece o direito de consumir local - Iniciativa que tem como objectivos obrigar as grandes superfícies comerciais a disponibilizar ao consumidor produtos alimentares de origem nacional, contribuindo, assim: para o escoamento dos produtos agrícolas produzidos em Portugal e, consequentemente, para a dinamização do mercado agrícola; para a garantia do direito de opção dos consumidores; para a relocalização das produções e dos consumos, com impactos nas emissões de gases com efeito de estufa e, desta forma, ajudando a combater o fenómeno das alterações climáticas.

Projecto de Lei nº284/XI – Altera o Decreto-Lei nº 138/90, com vista a introduzir informação ao consumidor sobre o preço de compra ao produtor dos géneros alimentícios – Introduz a obrigatoriedade das grandes superfícies comerciais, para além de indicarem o preço de venda dos produtos alimentares, apresentarem também, ao consumidor, o preço de compra ao produtor. O país precisa de consumidores eco-sócio-conscientes e, para isso, é importante que lhe seja disponibilizada informação sobre o pouco que se paga ao produtor, sobre o muito que paga o consumidor, e sobre a efectiva “margem de ganância” que os agentes intermediários obtêm nesta cadeia alimentar.


O PEV entende que nestes tempos, em que somos todos confrontados com os efeitos de uma crise financeira e económica, é altura de mudar alguns paradigmas próprios de um neoliberalismo, desregrado por natureza, e de criar mecanismos de incentivo e de valorização a uma produção e a um comércio mais justos, seja do ponto de vista ambiental, seja do ponto de vista social.

Comunicado de Imprensa de "Os Verdes"
24-05-2010

Intervenções na Assembleia da República

Intervenções do PEV no debate em torno da Moção de Censura ao Governo (21 Maio):

Video das intervenções da deputada Heloísa Apolónia durante o debate em torno da Moção de Censura ao Governo.
http://www.youtube.com/user/peverdes#p/u/4/ZNWLNvSwE6g



Petições (14 Maio):

Petição contra os Biotérios Comerciais:
http://www.youtube.com/user/peverdes#p/u/7/zaTlXrT1rKo

Petição contra a destruição dos livros que sairam de circulação:
http://www.youtube.com/user/peverdes#p/u/6/GEqcUi9Fkn0

Petição sobre Linha de Muito Alta Tensão:
http://www.youtube.com/user/peverdes#p/u/5/Ucx7ynOLHog

Biodiversidade em risco


Assinala-se (22 de Maio) o Dia Internacional da Biodiversidade, mas Portugal não tem motivos para celebrar. Se o nosso país tem condições excepcionais para albergar uma diversidade significativa de habitats e espécies o certo é que os sucessivos Governos, principalmente nos últimos anos, não têm assegurado de forma eficiente a protecção dessa riqueza.

Pelo contrário, assiste-se à larga promoção de grandes empreendimentos que, com o rótulo de PIN, conseguem furar a legislação de protecção e dar mais uma machada nos habitats classificados importantes para a preservação das espécies.

Promove-se a construção de grandes barragens hidroeléctricas, para assistir a interesses do betão e das grandes eléctricas, sem benefício energéticos que o justifiquem para o país e colocando mais uma vez de lado a urgência da protecção da biodiversidade.

Autoriza-se o cultivo e a comercialização de organismos geneticamente modificados que colocam em risco mais uma vez as espécies selvagens.

Mas para mostrar que realmente a biodiversidade é apenas uma palavra que designa marketing para este Governo, o principal instituto responsável por gerir programas e estratégias de conservação da Natureza e da Biodiversidade tem assistido progressivamente à redução do seu orçamento e à redução da sua capacidade técnica e financeira para levar a cabo a sua missão.

Este é e tem sido um tema central para o Partido Ecologista “Os Verdes”. Porque a qualidade de vida das pessoas passa também e em grande medida pela diversidade biológica do país e do planeta, porque a sobrevivência da própria vida humana depende da existência de uma diversidade biológica rica e em equilíbrio.

Porque iremos continuar a colocar as questões da conservação da natureza no centro das nossas acções e das nossas preocupações o Grupo Parlamentar do PEV irá dedicar, no próximo mês de Junho, as suas Jornadas Parlamentares às questões da biodiversidade e da conservação da Natureza.

Lisboa, 21 de Maio de 2010

Aumento do preço dos transportes

Aumento do preço dos transportes é anti-social e anti-ambiental

O Partido Ecologista “Os Verdes” considera que o aumento anunciado dos transportes públicos para o próximo dia 1 de Junho é inaceitável e é mais uma medida anti-social e anti-ambiental deste Governo.

Para o PEV, este aumento vai agravar a vida das famílias e dos trabalhadores e vai penalizar aqueles que, por opção ou necessidade, recorrem àquilo que é uma boa prática ambiental ao preferirem a utilização do transporte público em detrimento do particular. Este aumento é socialmente injusto e vai contribuir para criar entraves ao direito à mobilidade das pessoas economicamente mais debilitadas, nomeadamente a população idosa, os desempregados e todos os que têm que se deslocar no seu dia-a-dia para trabalhar.

Por outro lado, “Os Verdes” consideram que esta decisão vai em sentido contrário às necessidades do país, tanto a nível económico como ambiental. Uma boa política de transportes públicos, que implica forçosamente preços atractivos e justos, é fundamental não só para uma estratégia eficaz de combate às alterações climáticas, como também para a política energética, contribuindo para desincentivar a utilização do transporte individual e assim reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e as importações de combustíveis fósseis, nomeadamente de petróleo.

Relembramos que Portugal dificilmente atingirá os objectivos de redução de gases com efeito de estufa assumidos no quadro dos compromissos de Quioto e pós-Quioto, sem recorrer ao comércio de emissões o que, para “Os Verdes”, constitui uma forma encapotada de pagamento de multa e um disfarce do aumento das emissões de gases com efeito de estufa.

Para “Os Verdes”, este aumento do preço dos transportes públicos torna evidente o quão hipócrita é o argumento evocado pelo Governo - reduzir as emissões de CO2 e a importação de energia - para construir mais 10 novas barragens, quando contraria a medida mais simples para atingir os objectivos anunciados, que é a promoção do transporte público como pilar fundamental da mobilidade.

Para “Os Verdes”, o Governo continua a definir as suas políticas em função dos grandes interesses económicos, nomeadamente os do betão, no qual se incluem as barragens e auto-estradas, e não dos interesses do desenvolvimento sustentável do país e dos trabalhadores.

Comunicado de Imprensa de "Os Verdes"
25-05-2010

Objectivos de Desenvolvimento do Milénio

Faltam 5 anos para o mundo se envergonhar ainda mais

Há 10 anos definiram-se metas, para o mundo, para diminuir substancialmente os níveis de pobreza que envergonham a humanidade – eram os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), que estabeleciam 8 prioridades com metas definidas para o ano de 2015. Deixo hoje aqui apenas umas palavras de revolta!

Sim, porque neste momento é de revolta que se trata. 2015 está perto de mais e os ODM estão longe de mais! Hoje já toda a gente sabe que reduzir em 2/3 a mortalidade infantil é uma utopia, que reduzir em 75% a mortalidade das mulheres por razões de gravidez ou parto é uma utopia, já toda a gente sabe que os ODM foram uma declaração de intenções e que tudo se tornou utópico ou irrealizável porque não houve vontade política para os tornar concretizáveis.

Porque o objectivo neste mundo continua a ser a maior e maior concentração de riqueza, mesmo sabendo que o pressuposto inevitável, que a moeda de troca é a manutenção e a generalização da pobreza. Sim, porque todos os problemas relacionados com os ODM são o grassar da pobreza. Há milhões de pessoas no mundo que são condenadas à pobreza perpétua. As mulheres pobres têm muito mais probabilidade de morrer indevidamente, uma criança pobre tem muito mais probabilidade de morrer. Vivemos num mundo onde as pessoas têm oportunidades de viver em função do sítio do globo onde têm o acaso de nascer.

Se todo o financiamento se esbanja a salvar bancos (que continuam a gerar lucros inimagináveis) ou em guerras estéreis, não é de questionar, afinal, em que mundo vivemos nós? Que sistema político e económico é este que impera no mundo e nos impede de gerar o mínimo de dignidade a milhões e milhões de seres humanos?!

Quando em África continuam a morrer crianças porque não tiveram um comprimido para atacar a febre, quando continuam a morrer milhares de crianças por dia porque não têm acesso a água potável, quando continuam a morrer mulheres porque engravidaram, é revolta e indignação que se pede!

Traçar objectivos não custa, o que custa é cumpri-los. É por aí que se medem os governantes – quem cumpre e quem não cumpre. E para os cumprir é preciso primeiro vontade política e depois instrumentos financeiros adequados a cumprir esses objectivos. A ajuda pública ao desenvolvimento tem sido perpetuadora da realidade dramática que se vive neste mundo, porque claramente insuficiente.

A solução sabe-se qual é. É preciso materializá-la. A nós compete-nos exigi-la, exigi-la até ela se tornar uma realidade. Levantar a nossa voz, insistir nas nossas propostas, até atingirmos os nossos objectivos… e os ODM são objectivos! 5 anos… e falta quase tudo por fazer! Diz-se agora que estamos numa crise internacional... mas não perceberão que numa crise internacional estivemos, estamos e estaremos sempre que uma boa parte da humanidade continuar a viver e a morrer de pobreza???

Este mundo precisa de novas prioridades, urgentemente!!


Artigo de opinião da Deputada de "Os Verdes" na Assembleia da Repúbllica, Heloísa Apolónia, publicado no setúbal na rede em 19/5/2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Prémios ao esbanjamento

Recentemente um grupo pro-taurino terceirense, a Tertúlia Tauromáquica, recebeu em Madrid um prémio concedido por um associação pro-taurina espanhola, a denominada “Asociación Taurina Parlamentaria”. Esta é uma associação formada por antigos parlamentares espanhóis, todos eles representantes dos partidos mais à direita desse país e grandes defensores da sua herança mais casposa. Mas, certamente, podemos perguntar-nos como é que um grupo espanhol com estas características chegou a lembrar-se da existência dos Açores, conseguiu localizar o arquipélago no mapa e decidiu logo que devia dar um prémio a um grupo pro-taurino duma destas ilhas.

A resposta é bastante fácil se observarmos com atenção o orçamento da feira taurina das Sanjoaninas do passado ano. Nessa ocasião foram pagos 60 mil euros ao toureiro espanhol “El Juli”, naquilo que foi a contratação de valor mais elevado de todas as festas Sanjoaninas. Um bom dinheiro que saiu dos Açores e foi parar directamente à industria tauromáquica espanhola. Afinal, para os espanhóis o prémio era um assunto de obrigada cortesia, envolvendo avultados negócios, que não podiam permitir-se esquecer.

Mas os gastos com as contratações nacionais de toureiros, touros e cavalos de lide não ficaram nada atrás, ascendendo no total a perto de 200 mil euros. Por estas e por outras razões, não é de estranhar que a Culturangra, empresa municipal organizadora das festas, se arraste desde há longos anos com graves problemas financeiros.

Já neste ano de 2010, num ano de grandes Programas de Estabilidade e Crescimento, num ano de severos Planos de Austeridade, a situação de esbanjamento das festas vai repetir-se mais uma vez. A feira tauromáquica vai ser outra vez a maior despesa de todas as festas Sanjoaninas. Com um orçamento de 381 mil euros, a feira representa um terço do orçamento total das festas deste ano. Mas o pior é que já está previsto que esta feira tenha um prejuízo na ordem dos 150 mil euros. Será portanto o maior buraco negro existente nas contas das festas.

No entanto, no arrastar desta situação ruinosa, a Culturangra decidiu fazer agora alguns cortes nas suas despesas. Mas infelizmente não foi naquilo que dá mais prejuízo, senão numa outra coisa qualquer. Foi assim que decidiu suspender a celebração do festival de música Angra Rock. O orçamento total para este festival era de 100 mil euros, isto é, uma quantidade muito menor que o prejuízo previsto para a feira tauromáquica.

Esta persistência da câmara de Angra do Heroísmo em manter a feira tauromáquica no lugar mais destacado das festas, contra todo o rigor orçamental e contra toda a racionalidade na gestão dos dinheiros públicos, merece sem dúvida grandes prémios internacionais. Mas, evidentemente, pelas piores razões.

Muito mais sensatas parecem as declarações do presidente da câmara da Praia da Vitoria, que afirmou que a corrida taurina incluída nas festas desse concelho poderá deixar de existir se continuar a dar elevados prejuízos, tal como aconteceu nos anos anteriores. Segundo as suas palavras, “é algo que tem de se pagar”. Um argumento simples e contundente.

Contacto Verde nº 86

Último Boletim informativo quinzenal do Partido Ecologista "Os Verdes":

CONTACTO VERDE nº 86 (15/05/2010)


Políticas, valores naturais a apostas sociais

Nesta edição da Contacto Verde, o destaque vai para a decisão do Ministério do Ambiente de atribuir um parecer favorável condicionado ao aproveitamento hidroeléctrico do Fridão, a posição de “Os Verdes” e as iniciativas com que prometem avançar.

Na entrevista Maria João Dias, membro da Direcção da PATO, uma organização não governamental de ambiente com vasta actividade, dá a conhecer à Contacto Verde as iniciativas desta associação que tem intervido em defesa do Paul de Tornada e da Lagoa de Óbidos.

No Em debate aborda-se a situação da Lagoa de Óbidos e as iniciativas de “Os Verdes” pepla concretização de intervenções necessárias e pela sua classificação.



segunda-feira, 17 de maio de 2010

Plano de austeridade e asfixia

Reacção de “Os Verdes” ao Plano de Austeridade - Governo mente e asfixia famílias portuguesas

O Partido Ecologista “Os Verdes” considera inaceitáveis e escandalosas a grande maioria das medidas anunciadas hoje pelo Governo, no quadro do Plano de Austeridade, nomeadamente o aumento do IRS e do IVA, porque irão afectar os trabalhadores e as famílias, particularmente os que auferem rendimentos mais baixos e os que se encontram no desemprego, agravando ainda mais as condições de vida asfixiantes que se vivem hoje no nosso país.

Estas medidas são tanto mais escandalosas, quando renegam um conjunto de compromissos eleitorais que contribuíram para a formação deste Governo e foram novamente repetidos no Programa do Governo, designadamente o não aumento dos impostos. Compromissos assumidos ainda publicamente pelo Primeiro Ministro no último debate quinzenal, quando confrontado directamente pela pergunta da Deputada de “Os Verdes” Heloísa Apolónia. Fica claro para os Portugueses que o Primeiro Ministro mentiu e que para este Governo- PS não existem compromissos, só promessas que qualquer vento leva. Fica ainda clara a subjugação deste governo aos interesses e decisões da União Europeia em matérias económicas.

As medidas anunciadas, com o aval do PSD, são a prova cabal que este Governo gere e defende prioritariamente os grandes interesses económicos e contrariamente ao afirmado pelo Primeiro Ministro na Conferência de Imprensa após o Conselho de Ministros, o Plano de Austeridade não é nenhum “esforço adicional pedido aos portugueses”, mas sim um grande esforço adicional pedido a alguns portugueses, aos mais pobres. Sendo que outros, os que obtêm através da especulação financeira lucros chorudos os que auferem salários escandalosos, assim como as grandes mais-valias económicas ficam à margem de qualquer beliscadela com estas medidas, daí se compreender o voluntarismo do novo Presidente do PSD, partido que sempre defendeu o neo-liberalismo, na elaboração deste acordo.

O Partido Ecologista “Os Verdes” considera ainda que estas não são por certo as “medidas fundamentais para defender a economia portuguesa”. O desinvestimento público em sectores fundamentais vai-se fazer sentir de forma negativa na economia e vai contribuir para agravar o desemprego, as condições de vida e travar o desenvolvimento do País.

“Os Verdes” não podem ainda deixar de sublinhar quão escandaloso é e oportunista, a coincidência do acordo PS/PSD e do anúncio deste Plano de Austeridade com a vinda do Papa a Portugal, aproveitando o desvio da atenção de muitos portugueses para este evento religioso, tanto mais que os órgãos de comunicação social, nomeadamente os canais televisivos, estão a dar a este evento uma atenção prioritária.

O Partido Ecologista “Os Verdes” dará voz e apoiará a luta dos trabalhadores e das famílias portuguesas contra estas medidas.

Lisboa, 13 de Maio de 2010

Comunicado de Imprensa de "Os Verdes"
13-05-2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Reciclagem de lixo orgânico no Nordeste

O Concelho do Nordeste está a construir um Centro de Tratamento e Valorização de Resíduos, que supõe um importante investimento de 2,5 milhões de euros (ver Telejornal RTP Açores, 10/05/2010). Este novo centro vai apostar, de forma pioneira, na reciclagem do lixo orgânico através do método da vermicompostagem, que consiste na utilização de minhocas para transformar o lixo orgânico em húmus. O húmus resultante poderá depois servir de adubo para a agricultura e jardinagem, sendo uma alternativa muito mais ecológica e respeitadora do ambiente que a utilização de adubos químicos.

Para além disso, a produção de húmus orgânico revela ser, do ponto de vista económico, um importante valor para toda a região. Calcula-se que os Açores importam um total de 1.500 toneladas de húmus por ano. A produção deste novo centro poderá servir para reduzir substancialmente as importações, pois o centro tem capacidade para tratar até 6.000 toneladas anuais de lixo. Esta quantidade corresponde ao dobro do lixo produzido pelos munícipes do concelho, razão pela qual o centro poderá estar aberto à recepção de lixo proveniente dos municípios vizinhos.

Mas o tratamento dos resíduos orgânicos traz também evidentes vantagens ambientais. O método da vermicompostagem permite transformar em húmus até o 80 % do volume de lixo. Desta forma, o aterro sanitário do Nordeste verá reduzido de forma substancial a deposição de lixo e o seu tempo de vida será prolongado por muitos mais anos.

O Centro de Tratamento e Valorização servirá também de apoio à recolha de outros tipos de lixo: vidro, papel, metais e plástico. No concelho, este tipo de lixos têm um sistema de recolha porta a porta, sistema no qual o Nordeste também foi pioneiro.


Felizmente, o Concelho do Nordeste não faz parte da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM). O seu presidente, Ricardo Silva, parece continuar sem o menor interesse em apostar na reciclagem do lixo no seu próprio concelho, ou nos restantes da AMISM. Aparentemente indiferente ante as soluções racionais de tratamento de lixo que são apresentadas por outros concelhos açorianos, a AMISM continua a apostar na construção duma dispendiosa, contaminante e ineficaz incineradora. Afinal, quem pagará as consequências será o bolso dos micaelenses, a saúde dos cidadãos (incluindo os do Nordeste) e o ambiente da ilha. Não deixa de ser, portanto, um bom negócio.


Telejornal RTP Açores, 10/05/2010 (minuto 11’15’’):
http://videos.sapo.pt/rtpacores/0WCOeZVY6z1DTKaWkOZz

Civilização

Noutras épocas históricas, os ministros que pela sua incompetência, ou pela sua maldade, levavam o país à ruína eram condenados à morte pelo rei e eram rapidamente decapitados.

Hoje, felizmente, isso não acontece. Hoje vivemos numa época muito mais civilizada, na qual todos esses ministros são tratados sempre com o maior dos respeitos e das delicadezas. Prova disto é a recente reunião que, convocada pelo Presidente da República, reuniu dez ex-ministros das Finanças em Belém. Os dez ex-ministros, sem perder nunca a cabeça, falaram alegremente dos bons velhos tempos, enquanto tomavam o seu cházinho, e reflectiram também sobre a situação económica do nosso país, situação essa –diga-se de passagem– que eles tão generosamente nos deixaram.

Depois da reunião, os ex-ministros manifestaram a sua profunda preocupação pela situação do país (afinal, sempre são capazes de preocupar-se) e defenderam medidas adequadas e urgentes para sair da crise. Supostamente, as medidas que eles já aplicaram tantas vezes e com tanto sucesso.

Podemos sentir-nos orgulhosos de viver num país no qual os maus ministros não são já decapitados. Portugal é um país livre já para sempre dessa barbárie. Falta agora, no entanto, livrar-se doutro tipo de barbárie. É a barbárie aplicada sobre o povo português através do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), através da subida dos impostos aos mais pobres, através da descida de salários e pensões, através da privatização dos serviços essenciais do estado… Na verdade, ainda falta muito para Portugal ser um país civilizado.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Tempo de Antena do PEV

Tempo de Antena do Partido Ecologista "Os Verdes" de Maio de 2010, com intervenções dos dirigentes nacionais, Manuela Cunha, Jorge Taylor e da Deputada de "Os Verdes" na Assembleia da República, Heloísa Apolónia.



http://www.youtube.com/user/peverdes#p/u/4/8XyRG5yxjQ4

Contacto Verde nº 85

Último Boletim informativo quinzenal do Partido Ecologista "Os Verdes":

CONTACTO VERDE nº 85 (01/05/2010)


Direitos e prioridades

Nesta edição da Contacto Verde, o destaque vai para a Estratégia Nacional para a Energia 2020 e o necessário debate em seu torno que faltou e importa ainda realizar.

Na entrevista, Francisco Madeira Lopes, membro da Comissão Executiva do PEV, aborda o centenário da implantação da República, a Constituição da República Portuguesa e os direitos assegurados pelo 25 de Abril.

No Em debate Pedro Laranjeira escreve sobre o turismo naturista.


Superfícies comerciais

O Grupo Parlamentar “Os Verdes” apresentou na Assembleia da República (05-05-2010) um Projecto de Lei que visa a regulação dos horários das grandes superfícies comerciais, no sentido de repor algum equilíbrio concorrencial na co-existência entre aquelas e o comércio tradicional e, ao mesmo tempo, zelar pelo cumprimento do princípio do respeito do domingo como dia de descanso semanal.

Apresentação do Projecto-Lei do PEV n.º 237/XI:


http://www.youtube.com/user/peverdes#p/u/1/jrjmClGd_3s

Impacto ambiental no Fridão

Posição do Partido Ecologista “Os Verdes” sobre a declaração de impacto ambiental da Barragem do Fridão

1. O PEV considera inadmissível e de extrema gravidade a Declaração de Impacte Ambiental Favorável (DIA) que o Ministério do Ambiente, através do Secretário de Estado Humberto Rosa, deu à Barragem do Fridão, mesmo que esta apresente um conjunto de condicionantes. Decisão tanto mais lamentável quando a DIA reconhece claramente “a perda de valores naturais” e “a existência de impactos significativos ao nível dos recursos hídricos, sistemas ecológicos, património, sócio-economia, geologia, geomorfologia e paisagem” e quando as condicionantes impostas e os inúmeros estudos e medidas exigidas em fase do Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução (RECAPE) são a prova das lacunas do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) sobre o qual, em princípio, a decisão final deveria ter sido sustentada. Lacunas denunciadas pelos Verdes e por outras entidades no quadro da Consulta Pública.

Relembramos que, atendendo ao facto que decorria um acto inspectivo ao Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) por parte da Comissão Europeia e atendendo às lacunas apresentadas pelo EIA e à necessidade de aprofundar os estudos, nomeadamente no que diz respeito aos impactos cumulativos com as restantes barragens na Sub-Bacia do Tâmega, e com as já existentes na Bacia do Douro, “Os Verdes” solicitaram, no âmbito da sua participação na Consulta Pública, o prolongamento da mesma, e apresentaram um Projecto de Resolução na Assembleia da República com o mesmo objectivo. Projecto que, depois de debatido na Comissão, foi lamentavelmente chumbado no plenário pela aliança entre o PS e o PSD.

2. “Os Verdes” consideram que, mais uma vez, não foi cumprido – tendo mesmo sido violado - o espírito da Lei de Avaliação de Impacto Ambiental que visa estudar, avaliar e pesar os diversos impactos e desta avaliação fazer depender a decisão final. Estamos novamente perante uma decisão que se antecipa aos estudos e a uma ponderação dos impactos reais.

3. Fica bem patente nesta DIA que é previsível que dos estudos exigidos em fase de RECAPE, venham ainda a ser detectados numerosos outros impactos negativos.

4. “Os Verdes” querem ainda sublinhar o facto de que as condicionantes e os numerosos estudos e medidas exigidas em fase de RECAPE, nomeadamente as de minimização e de compensação, traduzem a falta de diálogo e de contacto durante a elaboração do EIA com as entidades e forças vivas da região (associações económicas, sociais, ambientais, eleitos locais, etc…) e falta de trabalho de terreno necessário para estudar e avaliar os impactos do empreendimento e as medidas necessárias para a sua minimização e compensação, em caso de decisão positiva.

5. Fica também claro nesta DIA que quase todas as questões e impactos negativos denunciados pelos Verdes, pelas associações de ambiente e movimentos cívicos, são reais, como por exemplo, a retenção de inertes, a degradação da qualidade da água, os impactos sobre a biodiversidade, nomeadamente sobre as espécies protegidas como o lobo, os impactos sobre a agricultura, especificamente sobre o sector da vinha, os impactos sobre os espaços habitados e sobre as actividades lúdicas e económicas, etc…

6. Não podemos deixar de estranhar e de nos escandalizar com o facto de não haver nesta DIA uma única palavra nem exigência de estudo ou de tomada de medidas em relação aos riscos que o empreendimento do Fridão, com duas barragens, constitui para a cidade de Amarante. Silêncio tanto mais estranho quando esta questão de segurança foi das mais colocadas pelos movimentos cívicos de Amarante e pelos autarcas locais no quadro de Consulta Pública e foi sustentada num estudo do LNEC. Para “Os Verdes”, a razão da ausência de referências a este assunto na DIA é o reconhecimento de que a única medida que garantiria verdadeiramente a segurança a Amarante, seria a não construção do empreendimento.

7. Com esta DIA, fica novamente explícito que a decisão de construir as 10 novas barragens do PNBEPH é política e determinada pelos interesses das hidro-eléctricas e do lobby do betão. No caso do Fridão, não temos dúvidas que o baixo custo que a produção eléctrica deste empreendimento apresenta, foi um dado determinante para a selecção do empreendimento. Fica também claro que, tanto a Avaliação de Impacto Ambiental da barragem (AIA) como a Avaliação Estratégica (AE) do PNBEPH, não são mais do que um papel de embrulho que visa dar uma cobertura ambiental à decisão, não tendo, na realidade, um papel estruturante e decisivo na mesma.

Por tudo isto, “Os Verdes”, não se conformando com esta decisão nem com estes procedimentos, vão continuar a lutar contra a implementação do PNBEPH, a defender os interesses das populações locais e o desenvolvimento sustentável, neste sentido, vão novamente confrontar o Governo na Assembleia da República com este assunto e apresentar uma alteração à lei da Avaliação de Impacto Ambiental para que, no futuro, não seja constantemente deturpada na sua efectiva utilização.

Comunicado de Imprensa de "Os Verdes"
07-05-2010


Apoios às ONGA

"Os Verdes" questionam governo sobre apoios financeiros às Organizações Não Governamentais de Ambiente

A Deputada Heloísa Apolónia, do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que pede esclarecimentos ao Governo, através do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, sobre o apoio financeiro às Organizações não Governamentais de Ambiente (ONGA).

Desde 2007 que o Estado suspendeu o apoio financeiro às ONGA o que tem levado diversas destas organizações a denunciar a sua situação de dificuldade de execução dos seus planos o que leva “Os Verdes” a solicitar esclarecimentos quanto ao cumprimento do Regulamento do Apoio Financeiro às ONGA.

*****

As mais de 100 ONGA, e outras equiparadas, têm desempenhado um papel público muito reconhecido na promoção e defesa de valores ambientais, na própria fiscalização dos poderes públicos e da sociedade em geral, na exigência de salvaguarda do património natural ou na educação ambiental.

A valorização do movimento associativo ambientalista é também reflexo da importância que os decisores políticos dão, não apenas à participação cívica de movimentos de cidadãos, mas também à integração das componentes ambientais no desenvolvimento e no âmago da nossa vida colectiva.

É justamente nessa lógica que o Estado tem a obrigação e interesse próprio na garantia de capacidade de intervenção das ONGA (Organizações Não Governamentais de Ambiente), através, designadamente, do apoio financeiro, o qual se encontra regulamentado pelo Despacho nº 24208/2002, de 13 de Novembro.

Ora, ocorre que em 2007, exclusivamente por razões de contributo da despesa para o défice, o Governo suspendeu o apoio financeiro às ONGA, ou, pelo menos, a sua componente fundamental, o que tem levado, desde então, várias ONGA a denunciar a sua situação de dificuldade de execução dos seus planos de acção.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exa O Presidente da Assembleia da República, que remeta ao Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território a presente Pergunta, de modo a que me possam ser prestados os seguintes esclarecimentos:

1. Que cumprimento tem sido dado ao Regulamento do Apoio Financeiro às ONGA, desde 2007, inclusive?
2. Pode, esse Ministério, enviar-me a listagem anual da totalidade das ONGA e equiparadas que obtiveram apoio financeiro, ao abrigo desse Regulamento, e respectivos montantes, desde 2007 até 2009 (inclusive)?
3. Qual tem sido a reacção das ONGA, junto dos vários serviços do Ministério do Ambiente, a propósito do apoio financeiro efectivamente (não) prestado nos últimos anos?

Comunicado de Imprensa de "Os Verdes"
07-05-2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A banca ganha

No jogo da roleta, quando a bola cai no zero é a banca que ganha. É por isso que, se jogamos cem vezes seguidas e em todas elas sai o zero, podemos ter a certeza de que a roleta está viciada. De forma surpreendente, quando analisamos o que acontece na economia portuguesa, observamos a mesma situação: a banca sempre ganha. Será, portanto, que também aqui o jogo está viciado?

A banca, com crise económica ou sem ela, demonstra ter sempre lucros fabulosos. No ano 2009, durante o pior da crise, os cinco principais bancos portugueses tiveram lucros superiores a 5 milhões de euros por dia. Significará isto que os banqueiros são muito bons a fazer negócios?

Na realidade, isto parece pouco provável. Olhando para os tribunais, vemos cada vez mais provas de que, no mundo da banca, são frequentes a gestão danosa, a fraude e a corrupção. Muitos banqueiros revelam ainda uma grande ineptidão, empreendendo aventuras financeiras capazes de levar os seus bancos à falência.

Então, a que é devida esta extraordinária capacidade da banca para ganhar dinheiro? Para perceber onde está o truque talvez seja esclarecedor analisar a política seguida pelos governos portugueses dos últimas décadas.

Qual foi, por exemplo, a política de habitação seguida por estes governos? Consistiu em criar ou reabilitar habitação para depois vendê-la a um preço justo e vantajoso? Não. De forma maioritária, limitou-se a ajudar no pagamento dos empréstimos à habitação. Para pagar os preços exorbitantes a que compram a sua casa, as pessoas têm necessariamente de pedir um empréstimo à banca. E o governo ajuda unicamente descontando uma parte nos impostos. Mas claro está que os bancos, sabendo isto, sobem o preço do empréstimo numa quantidade equivalente. O resultado é que, de forma indirecta, o dinheiro passa do estado à banca.

Qual foi, por exemplo, a política seguida nas reformas e pensões? Consistiu em aumentar aos reformados o montante das suas pensões? Não, todo o contrário. Consistiu em mantê-las quase no mesmo nível de miséria. Se alguém quer passar os últimos anos da sua vida duma forma digna deve necessariamente pagar uma outra reforma, isto é, deve contrair com a banca um Plano de Poupança-Reforma (PPR). O governo ajuda as pessoas nesta reforma suplementar permitindo descontar uma parte nos impostos. A mesma quantidade que a banca, ciente disso, pode subir logo no preço dos PPR. Mais uma vez, dinheiro que passa do estado à banca.

Até na política ambiental, nas energias renováveis, a prática do governo é a mesma. Na compra de painéis solares, a política aplicada pelo governo consiste em descontar dinheiro dos impostos àquelas pessoas que pedem um empréstimo ao banco para comprar estes painéis. E ainda temos a caricata Conta Poupança-Futuro, que consiste na oferta, por parte do estado, de 200 euros a cada pessoa que nasce. Mas é um dinheiro que deve ficar no mínimo durante 18 anos num banco! O resultado é sempre o mesmo: dinheiro público continuamente canalizado para a banca!

Mas a banca ainda é financiada directamente pelo estado, quando reduz a uns 15% o IRC que esta paga. Ou quando são retirados os impostos às mais-valias financeiras geradas na bolsa. Assim, pode alguém ficar admirado dos lucros fabulosos da banca?

Mas, mesmo nestas condições, alguns banqueiros já conseguiram levar os seus bancos à falência. E para solucionar esse problema está outra vez o dinheiro público. Só no BPN, o estado português já gastou 4.000 milhões de euros. Um bom dinheiro que pouparam os abastados donos deste banco. O mesmo dinheiro, também, cuja reposição é agora exigida outra vez aos portugueses a través dum novo, mais cruel e mais exigente PEC.

Não há dúvida de que os governos do bloco central são o zero viciado da grande roleta da banca.

Desastre no Golfo do México

Estima-se que entre 400 e 600 espécies estão ameaçadas pelo combustível que escapa da plataforma petrolífera do Golfo do México e que está a chegar à costa da Luisiana. Neste momento, a zona encontra-se numa das épocas mais críticas devido à migração das aves. É ainda vital como lugar de invernada e como ponto de descanso para quase três quartas partes das aves aquáticas. E a isto acrescenta-se ser agora o período mais importante de nidificação.

É também uma região crítica para a reprodução do atum vermelho, que volta agora à zona para a sua temporada de reprodução. As consequências do derrame são imprevisíveis para esta espécie em perigo. Do mesmo modo, estão sob ameaça as principais indústrias de marisco dos EUA, o que supõe aproximadamente metade do camarão desembarcado nos EUA e 40% das suas ostras, também em período de reprodução.

“A devastação ecológica e económica que se estende pelo Golfo do México deveria fazer-nos reflectir sobre a exploração de petróleo em alto mar e sobre a sua produção que é, de facto, profundamente arriscada. Os governos deveriam pensar duas vezes a sua decisão de desenvolver estas actividades em águas cada vez mais perigosas”, sublinha o Director Geral de WWF Internacional, James Leape.

Fonte: WWF

terça-feira, 27 de abril de 2010

Contacto Verde nº 84

Último Boletim informativo quinzenal do Partido Ecologista "Os Verdes":

CONTACTO VERDE nº 84 (17/04/2010)


Ambiente, saúde e opções

Nesta edição da Contacto Verde, o destaque vai o Dia Mundial da Saúde e as recentes iniciativas de “Os Verdes” na sua promoção e defesa, em várias áreas de intervenção.

Na entrevista Jesús Valiente, membro fundador e director de comunicação da ADENEX - Asociación para la Defensa de la Naturaleza y los Recursos de Extremadura, dá a conhecer à Contacto Verde a actividade desta associação espanhola e as questões com que se debatem os movimentos em Espanha pelo encerramento das centrais nucleares.

No Em debate escreve-se sobre a aprovação do projecto de lei de “Os Verdes” sobre o “Regime da prática de naturismo e da criação de espaços de naturismo”.

25 de Abril

SESSÃO SOLENE COMEMORATIVA DO 25 DE ABRIL - Intervenção da Deputada Heloísa Apolónia

Sr. Presidente da República, Sr. Presidente da Assembleia da República, Sr. Primeiro-Ministro e demais membros do Governo, Sr. Presidente do Tribunal Constitucional, Srs. Presidentes dos Supremos Tribunais, Sras. e Srs. Deputados, Srs. Capitães de Abril, a quem foi, é e será sempre devida uma palavra de gratidão pelo que fizeram no dia 25 de Abril de 1974.

No dia em que concretizaram o sonho de um povo inteiro, que ansiava por ser livre das amarras daquela que acabou por ser uma ditadura de quase meio século.

Foram tantas mulheres e tantos homens que dedicaram a sua vida a lutar contra um poder fascista que roubava direitos básicos, que impunha pobreza, que tinha como objectivo formar um povo ignorante e fragilizado, que manipulava formas e conteúdos de expressão, que vigiava e perseguia, que usava prisão política e tortura e morte, que condenava os jovens deste país à guerra, onde tantos deixaram de ter futuro.

Foi isto que Salazar ofereceu ao seu país e a que Marcelo Caetano deu continuidade. É por isso que nos deve perturbar tanto a forma como, com o passar dos anos, valendo-se de um pretenso esquecimento dos horrores que o fascismo concretizou, alguns tentam branquear a imagem e a acção de um ditador como era Salazar. É por isso que importa repetir até à exaustão que Salazar foi um ditador fascista, que humilhou o povo deste país, que lhe roubou dignidade, que atrasou Portugal.

Foram os jovens capitães de Abril, numa organização exemplar e inteligente, sustentados na razão, no desejo e na necessidade de um povo inteiro que fizeram a revolução, a ruptura definitiva… nem mais um dia de ditadura, o povo era livre, estava com o MFA e o MFA com o povo. A prova de que sempre que se age com o povo e para o povo, age-se pela justiça.

É o símbolo dessa revolução, o cravo, que hoje trazemos ao peito. O cravo, a arma da revolução de Abril. O símbolo que aquele famoso cartaz que assinalou o 25 de Abril de 1974 tão bem retratou – uma criança descalça e de roupas rotas, marcava a diferença do seu futuro colocando um cravo vermelho no topo de uma espingarda vertical, que não era preciso disparar. Ary dos Santos contou-o tão bem: “Depois da fome, da guerra /da prisão e da tortura / vi abrir-se a minha terra / como um cravo de ternura.” Era o futuro de paz e de esperança que se abria.

Estamos no futuro de então. Passaram 36 anos.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

O 25 de Abril abriu a porta deste país para uma grandiosa e fascinante oportunidade de progresso e de desenvolvimento, cujos direitos e instrumentos foram consubstanciados na Constituição da República Portuguesa, em 1976, tendo em vista a construção de um país livre, mais justo e mais fraterno. Uma das Constituições mais avançadas em termos de direitos, porque ela dita, por exemplo, assim: todos têm direito ao trabalho e para isso o Estado tem que executar políticas de pleno emprego e promover a segurança no emprego; todos têm direito à protecção da saúde e por isso o Estado tem que garantir uma eficiente cobertura médica e hospitalar de todo o país; todos têm direito a uma habitação condigna, garantindo-se uma adequada rede de transportes e de equipamentos sociais envolventes; todos têm direito a um ambiente de vida humana sadio e ecologicamente equilibrado, determinando a Constituição que a prevenção e o controlo da poluição é a forma de o assegurar; todos têm direito à educação e à cultura e por isso ao Estado compete estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino; e é ao sistema fiscal que compete a justa e igualitária repartição da riqueza.

Alguém, que defenda uma sociedade fraterna, solidária, de dignificação das pessoas, terá a coragem de dizer que quaisquer destes princípios fundamentais enunciados na nossa Constituição são injustos? Que são descabidos? Que são inapropriados? Que se deve prescindir deles? Certamente que não.

Mas perguntemos, agora, de outra forma: estes princípios fundamentais enunciados na nossa Constituição estão concretizados, ou estão a ser concretizados? Também certamente que não.

O que falha, então? Se não nos faltam excelentes princípios orientadores da nossa formação social, o que tem falhado é uma vontade e uma determinação política, na concretização destes objectivos, por parte de quem se tem alternado durante estas décadas no poder. Esta é a resposta óbvia e evidente, por mais que a procurem negar.

O que está mal são as políticas que se têm consolidado e os maus resultados que têm produzido são visíveis para toda a gente (dos números assustadores do desemprego, à generalização da precariedade do trabalho, à privatização de sectores fundamentais ao desenvolvimento, como a energia ou os transportes, sempre com prejuízo para os consumidores, à permissão de negócios que delapidam o nosso património natural com prejuízos imensos para o ambiente e ao desperdício de oportunidades para o desenvolvimento das regiões, designadamente do interior do país, ao definhamento de sectores produtivos fundamentais para a dinamização do mundo rural e para a nossa autonomia alimentar, até à própria discriminação das mulheres no mundo do trabalho, ainda persistente, entre tantos outros exemplos que se poderiam aqui dar).

Ora, o que os Verdes julgam é que só a ânsia de continuar essas más políticas sem obstáculos à frente é que pode justificar a descabida proposta de reformulação ou de revisão da Constituição. Como se o problema do país fosse a Constituição! Não, ela é o suporte dos nossos direitos básicos, do nosso sistema democrático, é o que nos vai garantindo uma subsistência social e também um sistema político que gera pluripartidarismo nos órgãos representativos das populações, o que é determinante para a democracia. Sem a nossa Constituição seria muito mais simples gerar um quadro político que tornasse mais fácil implementar a lei da selva ao nível de políticas económicas, sociais e também ambientais, gerando injustiças mais e mais gritantes. A quem nos quer, então, tornar menos democráticos, retirando-nos a preciosa Constituição que temos, restringindo a representação dos cidadãos ou retirando direitos às pessoas, ou alienando todo o nosso património colectivo, nós dizemos não, claro – diremos sempre não! E diremos sempre sim, ao aprofundamento da nossa democracia, à concretização de direitos, à consagração de mais direitos, a um Estado responsável, à aplicação da nossa Constituição.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Há democracias e democracias. É que as democracias não se medem só pelo direito de votar. Medem-se também pela eficácia da prevenção e do combate a fenómenos tão cruéis para a sociedade, como a corrupção, com a qual somos confrontados vezes de mais. E medem-se pelo resultado das políticas que são executadas e do que daí se proporciona em termos de oportunidades e de garantia de qualidade de vida para os cidadãos.

E uma das provas mais cabais do estado fragilizado da nossa democracia é esta tendência de nos quererem convencer que os direitos das pessoas passaram a ser privilégios. O direito à educação é um privilégio, por isso pagam-se propinas, o acesso a unidades de saúde é um privilégio, por isso pagam-se taxas moderadoras, encarece-se o preço dos medicamentos e encerram-se serviços de saúde, porque o Estado não paga privilégios; o direito ao trabalho agora é um privilégio e por isso incita-se à aceitação da exploração nos horários e nos salários e até da ingerência da vida privada, se não perde-se o emprego; toma-se o subsídio de desemprego como um privilégio, tomam-se as reformas como um privilégio. Enfim, querem meter-nos na cabeça que os direitos elementares dos cidadãos, são privilégios muito injustos e aos poucos vão cortando a sua acessibilidade!

Mas curiosamente os verdadeiros privilegiados deste país continuam com os seus, esses sim, reais privilégios intocáveis, os quais, diga-se em abono da verdade, saem bem caro ao Estado: o sistema financeiro a gerar lucros enormes, mesmo em tempo de crise, e a pagar menos impostos do que qualquer micro, pequena ou média empresa, há fortunas imensas que não são tributadas, os grandes grupos económicos com os seus grandes quadros e administradores a receber quantias exorbitantes, incluindo empresas onde o Estado tem uma forte participação. O que os Verdes consideram é que isto é de tal forma insustentável, inaceitável e fragilizador da nossa democracia, que tem que ter uma resposta adequada.

Pergunta-se, então: precisamos de um novo 25 de Abril? Não, não é isso que está em causa. O que precisamos é de retomar urgentemente o nosso 25 de Abril, as suas conquistas, os seus direitos, a sua determinação, a sua certeza de querer construir uma sociedade solidária.

Se há coisa que o 25 de Abril demonstrou é que o povo português não é um povo resignado. Não vale a pena construírem-nos inevitabilidades, porque é certo e sabido que há sempre outros caminhos por onde optar, e é certo e sabido que os caminhos que nos têm feito percorrer não são aqueles que nos gerarão a felicidade, o bem-estar, a qualidade de vida, o desenvolvimento harmonioso e equilibrado com que Abril nos fez sonhar. E como nos lembrou António Gedeão, sonhar não é utopia, sonhar é pôr o mundo a avançar.

Então, que viva, mais e mais, o 25 de Abril.

Superfícies comerciais ao domingo

“Os Verdes” querem grandes superfícies comerciais fechadas aos domingos.

O Grupo Parlamentar “Os Verdes” entregou na Assembleia da República um Projecto de Lei que visa a regulação dos horários das grandes superfícies comerciais, no sentido de repor algum equilíbrio concorrencial na co-existência entre aquelas e o comércio tradicional e, ao mesmo tempo, zelar pelo cumprimento do princípio do respeito do domingo como dia de descanso semanal.

A nossa realidade sócio-económica tem evoluído nos últimos anos para um modelo de vida cada vez mais insustentável do ponto de vista ambiental e injusto do ponto de vista social. A lógica capitalista da livre concorrência, da sujeição absoluta às regras do mercado, tem ainda criado novos desequilíbrios e um deles consiste na concorrência feroz que as grandes superfícies comerciais fazem ao pequeno comércio tradicional.

Para além disso, a proliferação exponencial e excessiva das grandes superfícies comerciais provoca graves consequências ao nível do ordenamento do território, como a betonização e impermeabilização de solos e o crescimento desordenado das cinturas urbanas e sub-urbanas. É ainda responsável pela desertificação e descaracterização dos centros histórico, contribuindo para o enfraquecimento do sector que emprega mais de 70% da população activa: as pequenas e médias empresas.

“Os Verdes” consideram que o encerramento ao domingo das grandes superfícies comerciais repõe algum do equilíbrio perdido entre estas superfícies e o comércio tradicional. O PEV entende ainda que o desaparecimento do comércio tradicional e a detenção do comércio de bens de consumo por um diminuto número de agentes económicos, trará prejuízos de monta, inclusivamente para os consumidores, em particular ao nível dos preços praticados e, por estas razões, apresenta este projecto de Lei, que será discutido em plenário da Assembleia da República no próximo dia 29 de Abril.

Comunicado de Imprensa de "Os Verdes"
20-04-2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Incultura universitária

Algo de mau acontece na Universidade dos Açores. Muitos são os problemas preocupantes que enfrenta o ensino público universitário: a deficiente formação com que chegam os alunos, o cada vez menor financiamento estatal das universidades, a degradação dos cursos como consequência do chamado “Processo de Bolonha”, a crescente lógica de privatização dos seus serviços…

Actualmente, as universidades públicas cumprem cada vez menos o seu papel de ser os transmissores da ciência e da cultura à sociedade. Segundo o novo paradigma adoptado pelos decisores políticos, o papel das universidades públicas consiste em transformar-se em organismos que, governados por uma gestão empresarial, sejam capazes de dar lucro e de manter-se economicamente eles próprios. Neste novo paradigma, a ciência e a cultura universitárias passam a ser um simples produto comercial no “mercado” do conhecimento.

Mas pior ainda são os sinais de degradação ética que a próprias universidades transmitem à sociedade. Alguns destes sinais tem-se manifestado ultimamente na Universidade dos Açores. O mais recente e vergonhoso é a celebração duma “Garraiada” em Ponta Delgada organizada pela Associação Académica da Universidade dos Açores.

Não bastava já manter as recentemente organizadas no pólo de Angra. Agora também vão ser realizadas em Ponta Delgada. Os animais, três vacas e um touro, vão ser trazidos expressamente da ilha de Terceira para servir de “diversão” aos estudantes. Para a dita associação organizadora, acossar um animal, puxar-lhe da cauda, bater-lhe, empurrar-lhe são coisas divertidíssimas que fazem rir a toda a gente.

Custa acreditar que pessoas universitárias pensem assim, que achem “graça” a maltratar animais. Mas tudo isto é lógico se atendemos à evolução das associações de estudantes nos últimos anos. Antigamente, os estudantes promoviam actos culturais, desportivos, formativos, ou ainda de solidariedade, entre os seus associados. Tristemente, nos últimos anos, a sua função parece resumir-se a organizar grandes bebedeiras. Misturar agora grandes doses de álcool com a prática de violência contra animais parece ser um novo e inevitável patamar neste progressivo caminho de degradação moral.

Mas, quanto custam os animais que vão ser utilizados? Quanto custa o transporte dos animais até São Miguel? Quanto custa o aluguer do local? Quanto custa a organização? Como é possível que, num momento de grandes dificuldades financeiras, sobre agora tanto dinheiro para uma simples “diversão” de maus estudantes universitários? E de quem partiu esta “brilhante” ideia?

Não há dúvida de que por trás deste acto vergonhoso estão os interesses económicos da indústria das touradas, cada vez mais desesperada por justificar a grande quantidade de dinheiros públicos que a sustenta. Uma indústria que nos últimos anos, aproveitando qualquer oportunidade, anda a tentar expandir a São Miguel as suas actividades. E todo isto com a grande cumplicidade de governos regionais e autárquicos. E, claro, com o generoso dinheiro de todos os açorianos, gostem ou não de touradas. Entre os vários patrocínios anunciados nesta “festa” do maltrato animal podemos ver a Câmara Municipal de Angra, a Câmara Municipal de Ponta Delgada, o Governo dos Açores e, claro, a Universidade dos Açores.

Alexandre Herculano referia-se às touradas como um: "espectáculo de eras bárbaras, que a civilização, desenvolvendo-se gradualmente por alguns séculos, ainda não soube desterrar da Península, e que nos conserva na fronte o estigma dos bárbaros, embora tenhamos procurado esconder esse estigma debaixo dos ouropéis e pompas da arte moderna e pleitear a nossa vergonhosa causa perante o tribunal da opinião da Europa com sofismas pueris e ineptos."

Os estudantes da Associação Académica seguramente não devem saber quem é Alexandre Herculano. Mas ele de certeza ficaria surpreendido de ver que, no nosso país moderno, avançado e desenvolvido, no nosso país do século XXI, até a incultura e a barbárie são ensinadas nas universidades.

Resultados do Congresso Regional do PCP

Decorreu no passado fim de semana o IX Congresso Regional do PCP Açores, no qual foi reeleito como Coordenador Regional Aníbal Pires, actual deputado da CDU na Assembleia Regional.

Entre os objectivos aprovados no Congresso, e relacionados com o ambiente, incluem-se: promover e defender a redução da dependência energética com recurso a energias alternativas; garantir a salvaguarda do património cultural, ambiental e arquitectónico e potenciá-lo como factor de atracção; defender a natureza pública da gestão da água, desde a protecção dos aquíferos até à sua distribuição, e da política de resíduos, em particular dos resíduos sólidos urbanos, garantindo a participação e o controlo democrático dessa gestão. Ver intervenção de encerramento de Aníbal Pires.

Em representação do Partido Ecologista “Os Verdes”, assistiu como convidado ao Congresso Daniel Gonçalves, candidato de “Os Verdes” à autarquia de Vila do Porto (Santa Maria) nas passadas eleições. Para “Os Verdes”, o Congresso traduz-se num reforço do trabalho conjunto da CDU para conseguir uma sociedade mais democrática, justa e sustentável, em equilíbrio com o ambiente.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Congresso Regional do PCP

Realiza-se neste fim de semana, nos dias 17 e 18 de abril, o IX Congresso Regional do PCP, partido que juntamente com “Os Verdes” faz parte da coligação CDU. O Congresso tem lugar em Ponta Delgada, no Auditório Municipal de Santa Clara.

Para a sessão de encerramento do domingo, com início às 17h00, estão convidados representantes dos órgãos regionais, dos partidos políticos, dos parceiros sociais e de diversas outras organizações e será preenchida com a apresentação dos órgãos de direcção e intervenções do Coordenador do PCP/Açores e do Secretário Geral do PCP.

Barragens e património cultural

“Os Verdes” preocupados com falta de respostas da Ministra da Cultura sobre a Linha do Tua.

A Ministra da Cultura deslocou-se à Assembleia da República, à Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, onde foi ouvida sobre a Linha do Tua por iniciativa de “Os Verdes”.


A Deputada Heloísa Apolónia pretendia conhecer a posição do Ministério da Cultura e a avaliação que faz sobre o impacto que a barragem do Foz Tua poderá vir a ter no Alto Douro Vinhateiro - património mundial da humanidade classificado pela UNESCO - caso este empreendimento venha a ser construído.

Depois de salientar a importância da Linha do Tua, não só como património de elevado valor histórico e cultural, uma obra de arte de valor ímpar para a engenharia, mas também como modo de superar o isolamento das populações de Trás-os-Montes ao longo dos tempos, a Deputada ecologista frisou a elevado potencial para o desenvolvimento económico, social e turístico da região que esta linha ferroviária possui.

Heloísa Apolónia confrontou a Ministra da Cultura com o facto de, apesar dos primeiros kms da Linha do Tua integrarem uma área classificada – Alto Douro Vinhateiro - e de esta ser uma linha ferroviária com mais de 120 anos, este ministério não se ter ainda pronunciado sobre o crime patrimonial que poderá vir a ocorrer. Questionou ainda a Ministra sobre a falta de informação à UNESCO, por parte do Governo português, relativamente à eventual construção de um empreendimento como a Barragem do Foz Tua em área classificada.

Tendo “Os Verdes” concluído, pelas respostas e não respostas do Ministério da Cultura, que este ministério não tem dado a devida relevância que, como Ministério da Cultura tinha obrigação de dar a esta matéria, demonstrando até algum desconhecimento da situação. A Deputada ecologista apelou ainda à Ministra para que estude o dossier e se informe de modo a poder contribuir para evitar um crime patrimonial que, como há uns anos se demonstrou em relação à suspensão da barragem de Foz Côa, é possível ainda evitar.



Ajude a salvar a Linha do Tua:

Campos de golfe e gestão ambiental

Iniciativa de “Os Verdes” em discussão na Assembleia da República.

Discute-se hoje, na Assembleia da República, o Projecto de Lei de “Os Verdes” que propõe a criação de Programas de Gestão Ambiental dos Campos de Golfe. Nos termos desta iniciativa legislativa, “Os Verdes” pretendem que os Programas sejam obrigatoriamente aplicados a estes equipamentos desportivos, com o objectivo de melhorar o desempenho ambiental dos campos já existentes e garantir que os novos se adeqúem às necessidades de preservação ambiental.

Independentemente da ideia que se tenha sobre a proliferação de campos de golfe no nosso país, o objectivo deste Projecto de Lei não é o do encerramento ou de obstaculização à construção de campos de golfe. Essa será sempre uma opção política que os agentes decisores tomarão ou não, isto é, está dependente de opções políticas. O verdadeiro objectivo desta iniciativa legislativa é regular o licenciamento e o funcionamento dos campos de golfe, contribuindo para a sua gestão sustentável.

A proliferação de campos de golfe no nosso país tem sido notória, inspirando preocupação no que concerne aos seus efeitos sobre o território e sobre o ambiente. A tendência, fruto das opções de política de turismo adoptada, tem sido a de construção de mais campos de golfe, intensificando assim as preocupações acima assinaladas, e os impactos decorrentes dessa proliferação.

Um dos aspectos que mais tem sido salientado como um dos impactos negativos da construção de campos de golfe é o significativo gasto de água, designadamente para rega dos campos. E, para além, da quantidade de água utilizada, deve gerar preocupação também o facto de, em muitos dos campos de golfe existentes, a captação de água incidir sobre as águas subterrâneas, contribuindo directamente para o fenómeno do esgotamento deste recurso.

Outros aspectos normalmente indicados como negativos decorrentes da construção de campos de golfe prendem-se com as opções de localização, com o uso de relvas inadequadas, com o uso excessivo de fertilizantes, com a quantidade e tipo de resíduos produzidos, a maior parte das vezes não encaminhados para destinos adequados, com o significativo consumo de energia, ou com a ausência de monitorização e de controlo, designadamente no que respeita à qualidade dos solos e da água.

Em 2009, foi editado, pela Agência Portuguesa do Ambiente, um Manual de Boas Práticas Ambientais dos Campos de Golfe, que contém um conjunto de normas que devem ser tidas em conta para o funcionamento dos campos de golfe, mas que não os responsabiliza directamente, nem obrigatoriamente. Importa, desta forma, na perspectiva de “Os Verdes”, criar uma obrigatoriedade para todos e para cada um dos campos de golfe de compromisso com o ambiente. Esse compromisso seria reconhecido se cada instalação de golfe tivesse que criar o seu próprio Programa de Gestão Ambiental, sendo assim impelida a pensar o seu funcionamento e comportamento com objectivos da garantia de preservação de recursos colectivos e de património natural.

“Os Verdes” reconhecem que a avaliação da componente económica do campo de golfe tem valido sempre mais que os aspectos de carácter ambiental, o que pode levar o país a pagar caro, ao nível de saturação dos seus recursos naturais. Daí a necessidade mais imediata de agir sobre esta realidade. Importa, desta forma, criar uma obrigatoriedade para todos e para cada um dos campos de golfe de um compromisso com o ambiente.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Contacto Verde nº 83

Último Boletim informativo quinzenal do Partido Ecologista "Os Verdes":

CONTACTO VERDE nº 83 (01/04/2010)


Opções estratégicas

Nesta edição da Contacto Verde, o destaque vai para o polémico Programa de Estabilidade e Crescimento para 2010-2013 levado a debate no Parlamento.

Na entrevista, Jorge Manuel Taylor, membro do Conselho Nacional do PEV que tem sido eleito para o Executivo da Junta de Freguesia de Alhos Vedros, dá a conhecer os pormenores da iniciativa "A Caminhar e a Pedalar pela Gestão Pública da Água" e aborda o historial e a importância da gestão da água pelo poder local aborda.

No Em debate escreve-se sobre o requerimento apresentado no IGESPAR por um conjunto de cidadãos que tem vindo a lutar pela preservação e classificação da linha do Tua, com vista à abertura do processo de classificação desta linha como Património de Interesse Nacional.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

“Os Verdes” conseguem apoio para os municípios dos Açores e da Madeira

Foi aprovada na Assembleia da República uma Proposta de Lei apresentada por “Os Verdes” que apoia o financiamento dos municípios dos Açores e da Madeira.

A Proposta de Lei aprovada assegura a introdução no Orçamento do Estado para 2010 das verbas devidas aos municípios dos Açores e da Madeira, a título de IRS, e regulariza também as verbas em dívida por parte do Governo desde março de 2009.

Estas duas questões foram já levantadas por “Os Verdes” durante a discussão, na generalidade, do Orçamento do Estado para 2010, confrontando com elas directamente o Ministro das Finanças. Apesar do ministro ter negado a falta destas verbas e o atraso na transferência do dinheiro em dívida, estes factos foram reconhecidos depois pela Comissão de Orçamento e Finanças.

Com a aprovação desta Proposta de Lei de “Os Verdes”, os municípios açorianos vêm assegurada a transferência do 5% do IRS a que têm direito (Lei n.º 2/2007), o que se traduz num montante de mais de seis milhões de euros:

Angra do Heroísmo: 1.101.363; Calheta: 52.397; Corvo: 11.840; Horta: 456.830; Lagoa: 261.971; Lajes das Flores: 20.028; Lajes do Pico: 69.946; Madalena: 100.134; Nordeste: 48.957; Ponta Delgada: 2.440.237; Povoação: 66.952; Ribeira Grande: 437.295; Santa Cruz da Graciosa: 68.399; Santa Cruz das Flores: 59.639; São Roque do Pico: 68.841; Velas: 86.284; V. Praia da Vitória: 401.450; Vila do Porto: 248.140; V. Franca do Campo: 120.794; TOTAL: 6.121.497.