quinta-feira, 6 de maio de 2010

A banca ganha

No jogo da roleta, quando a bola cai no zero é a banca que ganha. É por isso que, se jogamos cem vezes seguidas e em todas elas sai o zero, podemos ter a certeza de que a roleta está viciada. De forma surpreendente, quando analisamos o que acontece na economia portuguesa, observamos a mesma situação: a banca sempre ganha. Será, portanto, que também aqui o jogo está viciado?

A banca, com crise económica ou sem ela, demonstra ter sempre lucros fabulosos. No ano 2009, durante o pior da crise, os cinco principais bancos portugueses tiveram lucros superiores a 5 milhões de euros por dia. Significará isto que os banqueiros são muito bons a fazer negócios?

Na realidade, isto parece pouco provável. Olhando para os tribunais, vemos cada vez mais provas de que, no mundo da banca, são frequentes a gestão danosa, a fraude e a corrupção. Muitos banqueiros revelam ainda uma grande ineptidão, empreendendo aventuras financeiras capazes de levar os seus bancos à falência.

Então, a que é devida esta extraordinária capacidade da banca para ganhar dinheiro? Para perceber onde está o truque talvez seja esclarecedor analisar a política seguida pelos governos portugueses dos últimas décadas.

Qual foi, por exemplo, a política de habitação seguida por estes governos? Consistiu em criar ou reabilitar habitação para depois vendê-la a um preço justo e vantajoso? Não. De forma maioritária, limitou-se a ajudar no pagamento dos empréstimos à habitação. Para pagar os preços exorbitantes a que compram a sua casa, as pessoas têm necessariamente de pedir um empréstimo à banca. E o governo ajuda unicamente descontando uma parte nos impostos. Mas claro está que os bancos, sabendo isto, sobem o preço do empréstimo numa quantidade equivalente. O resultado é que, de forma indirecta, o dinheiro passa do estado à banca.

Qual foi, por exemplo, a política seguida nas reformas e pensões? Consistiu em aumentar aos reformados o montante das suas pensões? Não, todo o contrário. Consistiu em mantê-las quase no mesmo nível de miséria. Se alguém quer passar os últimos anos da sua vida duma forma digna deve necessariamente pagar uma outra reforma, isto é, deve contrair com a banca um Plano de Poupança-Reforma (PPR). O governo ajuda as pessoas nesta reforma suplementar permitindo descontar uma parte nos impostos. A mesma quantidade que a banca, ciente disso, pode subir logo no preço dos PPR. Mais uma vez, dinheiro que passa do estado à banca.

Até na política ambiental, nas energias renováveis, a prática do governo é a mesma. Na compra de painéis solares, a política aplicada pelo governo consiste em descontar dinheiro dos impostos àquelas pessoas que pedem um empréstimo ao banco para comprar estes painéis. E ainda temos a caricata Conta Poupança-Futuro, que consiste na oferta, por parte do estado, de 200 euros a cada pessoa que nasce. Mas é um dinheiro que deve ficar no mínimo durante 18 anos num banco! O resultado é sempre o mesmo: dinheiro público continuamente canalizado para a banca!

Mas a banca ainda é financiada directamente pelo estado, quando reduz a uns 15% o IRC que esta paga. Ou quando são retirados os impostos às mais-valias financeiras geradas na bolsa. Assim, pode alguém ficar admirado dos lucros fabulosos da banca?

Mas, mesmo nestas condições, alguns banqueiros já conseguiram levar os seus bancos à falência. E para solucionar esse problema está outra vez o dinheiro público. Só no BPN, o estado português já gastou 4.000 milhões de euros. Um bom dinheiro que pouparam os abastados donos deste banco. O mesmo dinheiro, também, cuja reposição é agora exigida outra vez aos portugueses a través dum novo, mais cruel e mais exigente PEC.

Não há dúvida de que os governos do bloco central são o zero viciado da grande roleta da banca.

Desastre no Golfo do México

Estima-se que entre 400 e 600 espécies estão ameaçadas pelo combustível que escapa da plataforma petrolífera do Golfo do México e que está a chegar à costa da Luisiana. Neste momento, a zona encontra-se numa das épocas mais críticas devido à migração das aves. É ainda vital como lugar de invernada e como ponto de descanso para quase três quartas partes das aves aquáticas. E a isto acrescenta-se ser agora o período mais importante de nidificação.

É também uma região crítica para a reprodução do atum vermelho, que volta agora à zona para a sua temporada de reprodução. As consequências do derrame são imprevisíveis para esta espécie em perigo. Do mesmo modo, estão sob ameaça as principais indústrias de marisco dos EUA, o que supõe aproximadamente metade do camarão desembarcado nos EUA e 40% das suas ostras, também em período de reprodução.

“A devastação ecológica e económica que se estende pelo Golfo do México deveria fazer-nos reflectir sobre a exploração de petróleo em alto mar e sobre a sua produção que é, de facto, profundamente arriscada. Os governos deveriam pensar duas vezes a sua decisão de desenvolver estas actividades em águas cada vez mais perigosas”, sublinha o Director Geral de WWF Internacional, James Leape.

Fonte: WWF

terça-feira, 27 de abril de 2010

Contacto Verde nº 84

Último Boletim informativo quinzenal do Partido Ecologista "Os Verdes":

CONTACTO VERDE nº 84 (17/04/2010)


Ambiente, saúde e opções

Nesta edição da Contacto Verde, o destaque vai o Dia Mundial da Saúde e as recentes iniciativas de “Os Verdes” na sua promoção e defesa, em várias áreas de intervenção.

Na entrevista Jesús Valiente, membro fundador e director de comunicação da ADENEX - Asociación para la Defensa de la Naturaleza y los Recursos de Extremadura, dá a conhecer à Contacto Verde a actividade desta associação espanhola e as questões com que se debatem os movimentos em Espanha pelo encerramento das centrais nucleares.

No Em debate escreve-se sobre a aprovação do projecto de lei de “Os Verdes” sobre o “Regime da prática de naturismo e da criação de espaços de naturismo”.

25 de Abril

SESSÃO SOLENE COMEMORATIVA DO 25 DE ABRIL - Intervenção da Deputada Heloísa Apolónia

Sr. Presidente da República, Sr. Presidente da Assembleia da República, Sr. Primeiro-Ministro e demais membros do Governo, Sr. Presidente do Tribunal Constitucional, Srs. Presidentes dos Supremos Tribunais, Sras. e Srs. Deputados, Srs. Capitães de Abril, a quem foi, é e será sempre devida uma palavra de gratidão pelo que fizeram no dia 25 de Abril de 1974.

No dia em que concretizaram o sonho de um povo inteiro, que ansiava por ser livre das amarras daquela que acabou por ser uma ditadura de quase meio século.

Foram tantas mulheres e tantos homens que dedicaram a sua vida a lutar contra um poder fascista que roubava direitos básicos, que impunha pobreza, que tinha como objectivo formar um povo ignorante e fragilizado, que manipulava formas e conteúdos de expressão, que vigiava e perseguia, que usava prisão política e tortura e morte, que condenava os jovens deste país à guerra, onde tantos deixaram de ter futuro.

Foi isto que Salazar ofereceu ao seu país e a que Marcelo Caetano deu continuidade. É por isso que nos deve perturbar tanto a forma como, com o passar dos anos, valendo-se de um pretenso esquecimento dos horrores que o fascismo concretizou, alguns tentam branquear a imagem e a acção de um ditador como era Salazar. É por isso que importa repetir até à exaustão que Salazar foi um ditador fascista, que humilhou o povo deste país, que lhe roubou dignidade, que atrasou Portugal.

Foram os jovens capitães de Abril, numa organização exemplar e inteligente, sustentados na razão, no desejo e na necessidade de um povo inteiro que fizeram a revolução, a ruptura definitiva… nem mais um dia de ditadura, o povo era livre, estava com o MFA e o MFA com o povo. A prova de que sempre que se age com o povo e para o povo, age-se pela justiça.

É o símbolo dessa revolução, o cravo, que hoje trazemos ao peito. O cravo, a arma da revolução de Abril. O símbolo que aquele famoso cartaz que assinalou o 25 de Abril de 1974 tão bem retratou – uma criança descalça e de roupas rotas, marcava a diferença do seu futuro colocando um cravo vermelho no topo de uma espingarda vertical, que não era preciso disparar. Ary dos Santos contou-o tão bem: “Depois da fome, da guerra /da prisão e da tortura / vi abrir-se a minha terra / como um cravo de ternura.” Era o futuro de paz e de esperança que se abria.

Estamos no futuro de então. Passaram 36 anos.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

O 25 de Abril abriu a porta deste país para uma grandiosa e fascinante oportunidade de progresso e de desenvolvimento, cujos direitos e instrumentos foram consubstanciados na Constituição da República Portuguesa, em 1976, tendo em vista a construção de um país livre, mais justo e mais fraterno. Uma das Constituições mais avançadas em termos de direitos, porque ela dita, por exemplo, assim: todos têm direito ao trabalho e para isso o Estado tem que executar políticas de pleno emprego e promover a segurança no emprego; todos têm direito à protecção da saúde e por isso o Estado tem que garantir uma eficiente cobertura médica e hospitalar de todo o país; todos têm direito a uma habitação condigna, garantindo-se uma adequada rede de transportes e de equipamentos sociais envolventes; todos têm direito a um ambiente de vida humana sadio e ecologicamente equilibrado, determinando a Constituição que a prevenção e o controlo da poluição é a forma de o assegurar; todos têm direito à educação e à cultura e por isso ao Estado compete estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino; e é ao sistema fiscal que compete a justa e igualitária repartição da riqueza.

Alguém, que defenda uma sociedade fraterna, solidária, de dignificação das pessoas, terá a coragem de dizer que quaisquer destes princípios fundamentais enunciados na nossa Constituição são injustos? Que são descabidos? Que são inapropriados? Que se deve prescindir deles? Certamente que não.

Mas perguntemos, agora, de outra forma: estes princípios fundamentais enunciados na nossa Constituição estão concretizados, ou estão a ser concretizados? Também certamente que não.

O que falha, então? Se não nos faltam excelentes princípios orientadores da nossa formação social, o que tem falhado é uma vontade e uma determinação política, na concretização destes objectivos, por parte de quem se tem alternado durante estas décadas no poder. Esta é a resposta óbvia e evidente, por mais que a procurem negar.

O que está mal são as políticas que se têm consolidado e os maus resultados que têm produzido são visíveis para toda a gente (dos números assustadores do desemprego, à generalização da precariedade do trabalho, à privatização de sectores fundamentais ao desenvolvimento, como a energia ou os transportes, sempre com prejuízo para os consumidores, à permissão de negócios que delapidam o nosso património natural com prejuízos imensos para o ambiente e ao desperdício de oportunidades para o desenvolvimento das regiões, designadamente do interior do país, ao definhamento de sectores produtivos fundamentais para a dinamização do mundo rural e para a nossa autonomia alimentar, até à própria discriminação das mulheres no mundo do trabalho, ainda persistente, entre tantos outros exemplos que se poderiam aqui dar).

Ora, o que os Verdes julgam é que só a ânsia de continuar essas más políticas sem obstáculos à frente é que pode justificar a descabida proposta de reformulação ou de revisão da Constituição. Como se o problema do país fosse a Constituição! Não, ela é o suporte dos nossos direitos básicos, do nosso sistema democrático, é o que nos vai garantindo uma subsistência social e também um sistema político que gera pluripartidarismo nos órgãos representativos das populações, o que é determinante para a democracia. Sem a nossa Constituição seria muito mais simples gerar um quadro político que tornasse mais fácil implementar a lei da selva ao nível de políticas económicas, sociais e também ambientais, gerando injustiças mais e mais gritantes. A quem nos quer, então, tornar menos democráticos, retirando-nos a preciosa Constituição que temos, restringindo a representação dos cidadãos ou retirando direitos às pessoas, ou alienando todo o nosso património colectivo, nós dizemos não, claro – diremos sempre não! E diremos sempre sim, ao aprofundamento da nossa democracia, à concretização de direitos, à consagração de mais direitos, a um Estado responsável, à aplicação da nossa Constituição.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Há democracias e democracias. É que as democracias não se medem só pelo direito de votar. Medem-se também pela eficácia da prevenção e do combate a fenómenos tão cruéis para a sociedade, como a corrupção, com a qual somos confrontados vezes de mais. E medem-se pelo resultado das políticas que são executadas e do que daí se proporciona em termos de oportunidades e de garantia de qualidade de vida para os cidadãos.

E uma das provas mais cabais do estado fragilizado da nossa democracia é esta tendência de nos quererem convencer que os direitos das pessoas passaram a ser privilégios. O direito à educação é um privilégio, por isso pagam-se propinas, o acesso a unidades de saúde é um privilégio, por isso pagam-se taxas moderadoras, encarece-se o preço dos medicamentos e encerram-se serviços de saúde, porque o Estado não paga privilégios; o direito ao trabalho agora é um privilégio e por isso incita-se à aceitação da exploração nos horários e nos salários e até da ingerência da vida privada, se não perde-se o emprego; toma-se o subsídio de desemprego como um privilégio, tomam-se as reformas como um privilégio. Enfim, querem meter-nos na cabeça que os direitos elementares dos cidadãos, são privilégios muito injustos e aos poucos vão cortando a sua acessibilidade!

Mas curiosamente os verdadeiros privilegiados deste país continuam com os seus, esses sim, reais privilégios intocáveis, os quais, diga-se em abono da verdade, saem bem caro ao Estado: o sistema financeiro a gerar lucros enormes, mesmo em tempo de crise, e a pagar menos impostos do que qualquer micro, pequena ou média empresa, há fortunas imensas que não são tributadas, os grandes grupos económicos com os seus grandes quadros e administradores a receber quantias exorbitantes, incluindo empresas onde o Estado tem uma forte participação. O que os Verdes consideram é que isto é de tal forma insustentável, inaceitável e fragilizador da nossa democracia, que tem que ter uma resposta adequada.

Pergunta-se, então: precisamos de um novo 25 de Abril? Não, não é isso que está em causa. O que precisamos é de retomar urgentemente o nosso 25 de Abril, as suas conquistas, os seus direitos, a sua determinação, a sua certeza de querer construir uma sociedade solidária.

Se há coisa que o 25 de Abril demonstrou é que o povo português não é um povo resignado. Não vale a pena construírem-nos inevitabilidades, porque é certo e sabido que há sempre outros caminhos por onde optar, e é certo e sabido que os caminhos que nos têm feito percorrer não são aqueles que nos gerarão a felicidade, o bem-estar, a qualidade de vida, o desenvolvimento harmonioso e equilibrado com que Abril nos fez sonhar. E como nos lembrou António Gedeão, sonhar não é utopia, sonhar é pôr o mundo a avançar.

Então, que viva, mais e mais, o 25 de Abril.

Superfícies comerciais ao domingo

“Os Verdes” querem grandes superfícies comerciais fechadas aos domingos.

O Grupo Parlamentar “Os Verdes” entregou na Assembleia da República um Projecto de Lei que visa a regulação dos horários das grandes superfícies comerciais, no sentido de repor algum equilíbrio concorrencial na co-existência entre aquelas e o comércio tradicional e, ao mesmo tempo, zelar pelo cumprimento do princípio do respeito do domingo como dia de descanso semanal.

A nossa realidade sócio-económica tem evoluído nos últimos anos para um modelo de vida cada vez mais insustentável do ponto de vista ambiental e injusto do ponto de vista social. A lógica capitalista da livre concorrência, da sujeição absoluta às regras do mercado, tem ainda criado novos desequilíbrios e um deles consiste na concorrência feroz que as grandes superfícies comerciais fazem ao pequeno comércio tradicional.

Para além disso, a proliferação exponencial e excessiva das grandes superfícies comerciais provoca graves consequências ao nível do ordenamento do território, como a betonização e impermeabilização de solos e o crescimento desordenado das cinturas urbanas e sub-urbanas. É ainda responsável pela desertificação e descaracterização dos centros histórico, contribuindo para o enfraquecimento do sector que emprega mais de 70% da população activa: as pequenas e médias empresas.

“Os Verdes” consideram que o encerramento ao domingo das grandes superfícies comerciais repõe algum do equilíbrio perdido entre estas superfícies e o comércio tradicional. O PEV entende ainda que o desaparecimento do comércio tradicional e a detenção do comércio de bens de consumo por um diminuto número de agentes económicos, trará prejuízos de monta, inclusivamente para os consumidores, em particular ao nível dos preços praticados e, por estas razões, apresenta este projecto de Lei, que será discutido em plenário da Assembleia da República no próximo dia 29 de Abril.

Comunicado de Imprensa de "Os Verdes"
20-04-2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Incultura universitária

Algo de mau acontece na Universidade dos Açores. Muitos são os problemas preocupantes que enfrenta o ensino público universitário: a deficiente formação com que chegam os alunos, o cada vez menor financiamento estatal das universidades, a degradação dos cursos como consequência do chamado “Processo de Bolonha”, a crescente lógica de privatização dos seus serviços…

Actualmente, as universidades públicas cumprem cada vez menos o seu papel de ser os transmissores da ciência e da cultura à sociedade. Segundo o novo paradigma adoptado pelos decisores políticos, o papel das universidades públicas consiste em transformar-se em organismos que, governados por uma gestão empresarial, sejam capazes de dar lucro e de manter-se economicamente eles próprios. Neste novo paradigma, a ciência e a cultura universitárias passam a ser um simples produto comercial no “mercado” do conhecimento.

Mas pior ainda são os sinais de degradação ética que a próprias universidades transmitem à sociedade. Alguns destes sinais tem-se manifestado ultimamente na Universidade dos Açores. O mais recente e vergonhoso é a celebração duma “Garraiada” em Ponta Delgada organizada pela Associação Académica da Universidade dos Açores.

Não bastava já manter as recentemente organizadas no pólo de Angra. Agora também vão ser realizadas em Ponta Delgada. Os animais, três vacas e um touro, vão ser trazidos expressamente da ilha de Terceira para servir de “diversão” aos estudantes. Para a dita associação organizadora, acossar um animal, puxar-lhe da cauda, bater-lhe, empurrar-lhe são coisas divertidíssimas que fazem rir a toda a gente.

Custa acreditar que pessoas universitárias pensem assim, que achem “graça” a maltratar animais. Mas tudo isto é lógico se atendemos à evolução das associações de estudantes nos últimos anos. Antigamente, os estudantes promoviam actos culturais, desportivos, formativos, ou ainda de solidariedade, entre os seus associados. Tristemente, nos últimos anos, a sua função parece resumir-se a organizar grandes bebedeiras. Misturar agora grandes doses de álcool com a prática de violência contra animais parece ser um novo e inevitável patamar neste progressivo caminho de degradação moral.

Mas, quanto custam os animais que vão ser utilizados? Quanto custa o transporte dos animais até São Miguel? Quanto custa o aluguer do local? Quanto custa a organização? Como é possível que, num momento de grandes dificuldades financeiras, sobre agora tanto dinheiro para uma simples “diversão” de maus estudantes universitários? E de quem partiu esta “brilhante” ideia?

Não há dúvida de que por trás deste acto vergonhoso estão os interesses económicos da indústria das touradas, cada vez mais desesperada por justificar a grande quantidade de dinheiros públicos que a sustenta. Uma indústria que nos últimos anos, aproveitando qualquer oportunidade, anda a tentar expandir a São Miguel as suas actividades. E todo isto com a grande cumplicidade de governos regionais e autárquicos. E, claro, com o generoso dinheiro de todos os açorianos, gostem ou não de touradas. Entre os vários patrocínios anunciados nesta “festa” do maltrato animal podemos ver a Câmara Municipal de Angra, a Câmara Municipal de Ponta Delgada, o Governo dos Açores e, claro, a Universidade dos Açores.

Alexandre Herculano referia-se às touradas como um: "espectáculo de eras bárbaras, que a civilização, desenvolvendo-se gradualmente por alguns séculos, ainda não soube desterrar da Península, e que nos conserva na fronte o estigma dos bárbaros, embora tenhamos procurado esconder esse estigma debaixo dos ouropéis e pompas da arte moderna e pleitear a nossa vergonhosa causa perante o tribunal da opinião da Europa com sofismas pueris e ineptos."

Os estudantes da Associação Académica seguramente não devem saber quem é Alexandre Herculano. Mas ele de certeza ficaria surpreendido de ver que, no nosso país moderno, avançado e desenvolvido, no nosso país do século XXI, até a incultura e a barbárie são ensinadas nas universidades.

Resultados do Congresso Regional do PCP

Decorreu no passado fim de semana o IX Congresso Regional do PCP Açores, no qual foi reeleito como Coordenador Regional Aníbal Pires, actual deputado da CDU na Assembleia Regional.

Entre os objectivos aprovados no Congresso, e relacionados com o ambiente, incluem-se: promover e defender a redução da dependência energética com recurso a energias alternativas; garantir a salvaguarda do património cultural, ambiental e arquitectónico e potenciá-lo como factor de atracção; defender a natureza pública da gestão da água, desde a protecção dos aquíferos até à sua distribuição, e da política de resíduos, em particular dos resíduos sólidos urbanos, garantindo a participação e o controlo democrático dessa gestão. Ver intervenção de encerramento de Aníbal Pires.

Em representação do Partido Ecologista “Os Verdes”, assistiu como convidado ao Congresso Daniel Gonçalves, candidato de “Os Verdes” à autarquia de Vila do Porto (Santa Maria) nas passadas eleições. Para “Os Verdes”, o Congresso traduz-se num reforço do trabalho conjunto da CDU para conseguir uma sociedade mais democrática, justa e sustentável, em equilíbrio com o ambiente.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Congresso Regional do PCP

Realiza-se neste fim de semana, nos dias 17 e 18 de abril, o IX Congresso Regional do PCP, partido que juntamente com “Os Verdes” faz parte da coligação CDU. O Congresso tem lugar em Ponta Delgada, no Auditório Municipal de Santa Clara.

Para a sessão de encerramento do domingo, com início às 17h00, estão convidados representantes dos órgãos regionais, dos partidos políticos, dos parceiros sociais e de diversas outras organizações e será preenchida com a apresentação dos órgãos de direcção e intervenções do Coordenador do PCP/Açores e do Secretário Geral do PCP.

Barragens e património cultural

“Os Verdes” preocupados com falta de respostas da Ministra da Cultura sobre a Linha do Tua.

A Ministra da Cultura deslocou-se à Assembleia da República, à Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, onde foi ouvida sobre a Linha do Tua por iniciativa de “Os Verdes”.


A Deputada Heloísa Apolónia pretendia conhecer a posição do Ministério da Cultura e a avaliação que faz sobre o impacto que a barragem do Foz Tua poderá vir a ter no Alto Douro Vinhateiro - património mundial da humanidade classificado pela UNESCO - caso este empreendimento venha a ser construído.

Depois de salientar a importância da Linha do Tua, não só como património de elevado valor histórico e cultural, uma obra de arte de valor ímpar para a engenharia, mas também como modo de superar o isolamento das populações de Trás-os-Montes ao longo dos tempos, a Deputada ecologista frisou a elevado potencial para o desenvolvimento económico, social e turístico da região que esta linha ferroviária possui.

Heloísa Apolónia confrontou a Ministra da Cultura com o facto de, apesar dos primeiros kms da Linha do Tua integrarem uma área classificada – Alto Douro Vinhateiro - e de esta ser uma linha ferroviária com mais de 120 anos, este ministério não se ter ainda pronunciado sobre o crime patrimonial que poderá vir a ocorrer. Questionou ainda a Ministra sobre a falta de informação à UNESCO, por parte do Governo português, relativamente à eventual construção de um empreendimento como a Barragem do Foz Tua em área classificada.

Tendo “Os Verdes” concluído, pelas respostas e não respostas do Ministério da Cultura, que este ministério não tem dado a devida relevância que, como Ministério da Cultura tinha obrigação de dar a esta matéria, demonstrando até algum desconhecimento da situação. A Deputada ecologista apelou ainda à Ministra para que estude o dossier e se informe de modo a poder contribuir para evitar um crime patrimonial que, como há uns anos se demonstrou em relação à suspensão da barragem de Foz Côa, é possível ainda evitar.



Ajude a salvar a Linha do Tua:

Campos de golfe e gestão ambiental

Iniciativa de “Os Verdes” em discussão na Assembleia da República.

Discute-se hoje, na Assembleia da República, o Projecto de Lei de “Os Verdes” que propõe a criação de Programas de Gestão Ambiental dos Campos de Golfe. Nos termos desta iniciativa legislativa, “Os Verdes” pretendem que os Programas sejam obrigatoriamente aplicados a estes equipamentos desportivos, com o objectivo de melhorar o desempenho ambiental dos campos já existentes e garantir que os novos se adeqúem às necessidades de preservação ambiental.

Independentemente da ideia que se tenha sobre a proliferação de campos de golfe no nosso país, o objectivo deste Projecto de Lei não é o do encerramento ou de obstaculização à construção de campos de golfe. Essa será sempre uma opção política que os agentes decisores tomarão ou não, isto é, está dependente de opções políticas. O verdadeiro objectivo desta iniciativa legislativa é regular o licenciamento e o funcionamento dos campos de golfe, contribuindo para a sua gestão sustentável.

A proliferação de campos de golfe no nosso país tem sido notória, inspirando preocupação no que concerne aos seus efeitos sobre o território e sobre o ambiente. A tendência, fruto das opções de política de turismo adoptada, tem sido a de construção de mais campos de golfe, intensificando assim as preocupações acima assinaladas, e os impactos decorrentes dessa proliferação.

Um dos aspectos que mais tem sido salientado como um dos impactos negativos da construção de campos de golfe é o significativo gasto de água, designadamente para rega dos campos. E, para além, da quantidade de água utilizada, deve gerar preocupação também o facto de, em muitos dos campos de golfe existentes, a captação de água incidir sobre as águas subterrâneas, contribuindo directamente para o fenómeno do esgotamento deste recurso.

Outros aspectos normalmente indicados como negativos decorrentes da construção de campos de golfe prendem-se com as opções de localização, com o uso de relvas inadequadas, com o uso excessivo de fertilizantes, com a quantidade e tipo de resíduos produzidos, a maior parte das vezes não encaminhados para destinos adequados, com o significativo consumo de energia, ou com a ausência de monitorização e de controlo, designadamente no que respeita à qualidade dos solos e da água.

Em 2009, foi editado, pela Agência Portuguesa do Ambiente, um Manual de Boas Práticas Ambientais dos Campos de Golfe, que contém um conjunto de normas que devem ser tidas em conta para o funcionamento dos campos de golfe, mas que não os responsabiliza directamente, nem obrigatoriamente. Importa, desta forma, na perspectiva de “Os Verdes”, criar uma obrigatoriedade para todos e para cada um dos campos de golfe de compromisso com o ambiente. Esse compromisso seria reconhecido se cada instalação de golfe tivesse que criar o seu próprio Programa de Gestão Ambiental, sendo assim impelida a pensar o seu funcionamento e comportamento com objectivos da garantia de preservação de recursos colectivos e de património natural.

“Os Verdes” reconhecem que a avaliação da componente económica do campo de golfe tem valido sempre mais que os aspectos de carácter ambiental, o que pode levar o país a pagar caro, ao nível de saturação dos seus recursos naturais. Daí a necessidade mais imediata de agir sobre esta realidade. Importa, desta forma, criar uma obrigatoriedade para todos e para cada um dos campos de golfe de um compromisso com o ambiente.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Contacto Verde nº 83

Último Boletim informativo quinzenal do Partido Ecologista "Os Verdes":

CONTACTO VERDE nº 83 (01/04/2010)


Opções estratégicas

Nesta edição da Contacto Verde, o destaque vai para o polémico Programa de Estabilidade e Crescimento para 2010-2013 levado a debate no Parlamento.

Na entrevista, Jorge Manuel Taylor, membro do Conselho Nacional do PEV que tem sido eleito para o Executivo da Junta de Freguesia de Alhos Vedros, dá a conhecer os pormenores da iniciativa "A Caminhar e a Pedalar pela Gestão Pública da Água" e aborda o historial e a importância da gestão da água pelo poder local aborda.

No Em debate escreve-se sobre o requerimento apresentado no IGESPAR por um conjunto de cidadãos que tem vindo a lutar pela preservação e classificação da linha do Tua, com vista à abertura do processo de classificação desta linha como Património de Interesse Nacional.


segunda-feira, 5 de abril de 2010

“Os Verdes” conseguem apoio para os municípios dos Açores e da Madeira

Foi aprovada na Assembleia da República uma Proposta de Lei apresentada por “Os Verdes” que apoia o financiamento dos municípios dos Açores e da Madeira.

A Proposta de Lei aprovada assegura a introdução no Orçamento do Estado para 2010 das verbas devidas aos municípios dos Açores e da Madeira, a título de IRS, e regulariza também as verbas em dívida por parte do Governo desde março de 2009.

Estas duas questões foram já levantadas por “Os Verdes” durante a discussão, na generalidade, do Orçamento do Estado para 2010, confrontando com elas directamente o Ministro das Finanças. Apesar do ministro ter negado a falta destas verbas e o atraso na transferência do dinheiro em dívida, estes factos foram reconhecidos depois pela Comissão de Orçamento e Finanças.

Com a aprovação desta Proposta de Lei de “Os Verdes”, os municípios açorianos vêm assegurada a transferência do 5% do IRS a que têm direito (Lei n.º 2/2007), o que se traduz num montante de mais de seis milhões de euros:

Angra do Heroísmo: 1.101.363; Calheta: 52.397; Corvo: 11.840; Horta: 456.830; Lagoa: 261.971; Lajes das Flores: 20.028; Lajes do Pico: 69.946; Madalena: 100.134; Nordeste: 48.957; Ponta Delgada: 2.440.237; Povoação: 66.952; Ribeira Grande: 437.295; Santa Cruz da Graciosa: 68.399; Santa Cruz das Flores: 59.639; São Roque do Pico: 68.841; Velas: 86.284; V. Praia da Vitória: 401.450; Vila do Porto: 248.140; V. Franca do Campo: 120.794; TOTAL: 6.121.497.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Incineradora, pelo sim pelo não

As razões para a construção duma incineradora para resíduos sólidos urbanos (RSU) na ilha de São Miguel constituem um bom exemplo de argumentação em círculo vicioso:

1- Ricardo Silva, presidente da Associação de Municípios da Ilha de S. Miguel (AMISM), considera que é preciso construir uma caríssima e contaminante incineradora porque os aterros sanitários estão cheios (Telejornal Açores 10/02/2010) e é preciso arranjar uma alternativa para eles.

2- Mas os aterros sanitários estão cheios porque não há suficiente reciclagem. Uma grande parte do volume de lixo que vai para o aterro é, na realidade, reciclável. Se esta parte for reciclada, os aterros sanitários demorariam muito mais tempo a ficar cheios e não haveria problemas na sua gestão.

3- Não há reciclagem, em grande parte, porque não há suficientes ecopontos disponíveis. Por muita vontade que os cidadãos tenham de reciclar o seu lixo, isso é impossível se não há ecopontos onde pô-lo, ou então outro sistema alternativo de recolha.

4- Não há ecopontos suficientes porque as câmaras municipais não os instalam. Um bom exemplo disto é o município da Ribeira Grande, onde há apenas 11 ecopontos para todo o centro urbano (Matriz e Conceição). Para um total de 5.349 moradores, isto equivale a um ecoponto para cada 486 moradores (ver ecopontos).

5- As câmaras municipais não instalam ecopontos por falta de vontade dos seus presidentes. E quem é, com todo isto, o presidente da Ribeira Grande? Evidentemente, o próprio Ricardo Silva.

Isto é, a razão para o presidente da AMISM querer construir uma incineradora é, em grande parte, a falta de vontade do próprio presidente da AMISM em promover a reciclagem. O presidente passa assim um atestado da sua própria incompetência. Um atestado que devem pagar todos os habitantes da ilha!

Entre colocar muitos mais ecopontos para permitir a reciclagem ou construir uma incineradora, a decisão do presidente da AMISM parece ser esta última solução. Independentemente das razões, a escolha de fazer uma incineradora traz grandes vantagens: é uma solução muito mais cara, muito menos ecológica, muito pior para o ambiente e muito pior para a saúde dos munícipes.

E para quem acredite que uma maior reciclagem não é possível, basta olhar para o que acontece na ilha do Faial. No ano passado, a câmara da Horta foi o segundo município do país a recolher mais resíduos de papel e cartão por habitante (Lusa): 305 toneladas (20 Kg./habitante). Na recolha dos plásticos verificou-se um aumento de 64 %, com 28 toneladas (1,79 Kg./habitante). E relativamente ao vidro, a câmara recolheu 154 toneladas (10 Kg./habitante). E ainda há acordos da câmara com várias empresas para o tratamento de pilhas, tinteiros, baterias, medicamentos, óleos usados, pneus e equipamentos eléctricos e electrónicos.

A câmara da Horta ainda investiu na aquisição de novas viaturas para recolha de resíduos e na instalação de novos ecopontos em zonas públicas, escolas, empresas e estabelecimentos comerciais. E tem prevista a aquisição de um separador electromagnético e uma prensa de metais para a central de triagem. Por último, vai proximamente realizar uma experiência piloto de recolha selectiva porta a porta.

Um bom exemplo, sem dúvida, para São Miguel. Falta é sim uma incineradora para queimar determinadas ideias desfasadas e alguma incompetência!

3.000 aves mortas por ano nas linhas eléctricas

Açores: Linhas de eletricidade matam 3000 aves por ano no arquipélago.

Ponta Delgada, 22 mar (Lusa) - A colisão com linhas elétricas e a eletrocussão provocam anualmente a morte de cerca de 3000 aves nos Açores, segundo estimativas da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) que preocupam a Eletricidade dos Açores (EDA).

“Estimamos que a interação com as linhas elétricas provoque a morte a cerca de 3000 aves por ano”, afirmou Hugo Sampaio, técnico da SPEA, que desenvolveu um estudo sobre este problema em oito das nove ilhas dos Açores.

Neste estudo, que apenas não incluiu a ilha do Corvo, foram encontradas 452 aves mortas por eletrocussão ou colisão com linhas de transporte de eletricidade no espaço de um ano, o que levou à estimativa de cerca de 3000 mortes anuais no arquipélago.

“Se acontece este mal, é porque alguma coisa está a falhar”, admitiu José Manuel Marques, responsável pela Qualidade e Ambiente da EDA, acrescentando que a solução do problema pode passar pela colocação de sinalizadores nas zonas onde ocorrem mais colisões.

A SPEA e a EDA assinaram há quatro anos um protocolo para avaliar a interação entre a avifauna e a rede de transporte e distribuição de energia elétrica nos Açores.

O estudo, realizado durante um ano, detetou 452 aves mortas, das 315 por colisão com linhas elétricas e 137 por eletrocussão.

A espécie mais afetada pela eletrocussão foi o milhafre, devido ao seu porte e hábitos de caça.

“Os milhafres têm uma visão muito apurada, é das poucas espécies que gosta de poisar nos postos para caçar”, salientou Hugo Sampaio, acrescentando, no entanto, que o problema também atinge espécies mais pequenas, como gaivotas de patas amarelas, pombos das rochas, estorninhos malhados ou melros.

As ilhas Graciosa, Terceira, Santa Maria e Pico são, segundo este especialista, as que apresentam mais mortes por eletrocussão, enquanto em S. Miguel se encontram as linhas mais modernas e os postes mais seguros.

A EDA, segundo José Manuel Marques, considera que “é importante atuar” nesta área, tendo passado a realizar desde 2009 “algumas ações na manutenção e construção de linhas conducentes à diminuição do impacto na avifauna”.

Nesse sentido, a elétrica açoriana pretende adquirir em breve dispositivos anticolisão, que serão colocados inicialmente em S. Miguel e na Terceira.
José Manuel Marques garantiu, no entanto, que a EDA vai intervir em todas as ilhas até 2011, alterando a configuração dos suportes de apoio das linhas, o que deverá evitar as mortes de aves por eletrocussão.

“O plano da EDA abrange todas as ilhas, de acordo com o que foi estabelecido com a SPEA”, afirmou, acrescentando que “os resultados deverão aparecer já este ano”.

Relativamente às novas linhas de transporte de eletricidade que vierem a ser construídas, José Manuel Marques assegurou que “já terão em consideração as novas tipologias de apoio”.

APE.

terça-feira, 23 de março de 2010

Contacto Verde nº 82

Último Boletim informativo quinzenal do Partido Ecologista "Os Verdes":

CONTACTO VERDE nº 82 (15/03/2010)

Opções e interesses

Nesta edição da Contacto Verde, o destaque vai para o Orçamento do Estado para 2010 e as propostas apresentadas por "Os Verdes" para minimizar os seus efeitos negativos e contribuir para uma política alternativa.

Na entrevista Maria João Pacheco Gonçalves, membro do Conselho Nacional de “Os Verdes”, aborda a problemática da recente autorização da Comissão Europeia para a produção da batata geneticamente modificada e a utilização de novas variedades de milho transgénico.

No In Loco, Egberto Melo Moreira Júnior escreve sobre os recentes acontecimentos na Madeira.

Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde

"Os Verdes" querem explicações sobre atraso do Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde (PNAAS).

O Deputado José Luís Ferreira, do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República duas perguntas em que pede esclarecimentos ao Governo, através do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território e do Ministério da Saúde, sobre o Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde (PNAAS).

Há dois anos aprovado em Conselho de Ministros, o PNAAS, que surgiu já com 10 anos de atraso, continua no papel por, de acordo com declarações à comunicação social por dirigentes da Direcção Geral de Saúde, falta de verbas. “Os Verdes” pretendem saber se o Governo pretende cumprir o PNAAS até 2013, conforme o previsto, e também que verbas foram disponibilizadas para a sua execução.

*****

Dois anos depois do Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde 2008-2013 (PNAAS) ter sido aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 91/2008, de 4 de Junho, continua no papel, de acordo com as declarações de responsáveis da associação Quercus e da DGS – Direcção-Geral da Saúde à comunicação social.

O PNAAS, que foi elaborado sob a co-coordenação do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (Agência Portuguesa do Ambiente) e do Ministério da Saúde (Direcção-Geral da Saúde), surgiu já com um atraso de dez anos.

Efectivamente, foi na 2ª Conferência Ambiente e Saúde realizada em Junho de 1994, em Helsínquia, que os Ministros do Ambiente e da Saúde dos países da Região da Europa da OMS – Organização Mundial de Saúde - se comprometeram a desenvolver em conjunto, o mais tardar até 1997, Planos Nacionais de Acção sobre Ambiente e Saúde.

Uma década depois, na Conferência realizada em Budapeste, em Junho de 2004, os Ministros da Saúde e do Ambiente da Europa comprometeram-se em actualizar os seus planos, de modo a nomeadamente passarem a incluir um Plano de Protecção das Crianças contra os Perigos Ambientais, a desenvolver até 2007. À data desta Conferência, 30 países, (13 dos quais da União Europeia) da Região da Europa da OMS já tinham elaborado os seus respectivos PNAAS.

O PNAAS desdobra-se em 36 Acções Programáticas que têm como fim último reduzir os impactes ambientais adversos na saúde da população portuguesa. Estas Acções foram construídas para os diferentes Domínios Prioritários de intervenção: (1) água; (2) ar; (3) solo e sedimentos; (4) químicos; (5) alimentos; (6) ruído; (7) espaços construídos; (8) radiações; e (9) fenómenos meteorológicos.

As fontes de financiamento para a prossecução das Acções Programáticas do PNAAS são as que decorrem das dotações anuais previstas na Lei do Orçamento do Estado das entidades intervenientes, ou de outro enquadramento financeiro por estas angariado.

A razão avançada pelos responsáveis da DGS nas declarações à comunicação social para o atraso do Plano é, essencialmente, a da falta de verbas.

Assim e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Ex.ª O Presidente da Assembleia da República que remeta ao Governo a seguinte Pergunta, para que o Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território, me possa prestar os seguintes esclarecimentos:

1. Está previsto o cumprimento do Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde até à data estabelecida de 2013?
2. Em caso negativo, quais as razões do incumprimento, para o Ministério?
3. Que Acções Programáticas, das 36 estabelecidas avançaram até Março de 2010?
4. Que informação existe quanto às medidas implementadas em cada uma das 36 Acções Programáticas até à data?
5. Que verbas foram disponibilizadas para o cumprimento do Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde em 2008, 2009 e 2010?

Comunicado de Imprensa de "Os Verdes"
21-03-2010

O PEC prejudica a região?

O deputado regional da CDU, Aníbal Pires, criticou na Assembleia Regional a posição tomada pelo Governo Regional sobre os impactos do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) na região.

Ver declaração:


http://www.cduacores.net/index.php?option=com_content&task=view&id=1080&Itemid=1

sexta-feira, 19 de março de 2010

Aberração pesqueira

A situação que acontece no sector pesqueiro da ilha de São Miguel é profundamente escandalosa. Nas últimas semanas, toneladas de chicharros foram pescados no mar para ser logo atirados directamente à lixeira. E, na realidade, parece que isto já acontece desde há anos de forma recorrente.

http://videos.sapo.pt/GQuSZYB0uvmOQ7Vyn3UE

Como é possível desperdiçar de forma tão absurda estes valiosos recursos pesqueiros, numa época em que os recursos mundiais da pesca são cada vez mais escassos? Como é possível, numa época em que há também povos que passam fome, converter todo este alimento arrebatado ao mar num simples resíduo que é atirado à lixeira? E como é possível matar todos estes milhares de animais para transformá-los simplesmente em lixo?

Mas, especialmente, como é possível que todo isto não seja considerado crime? E, ainda por cima, quando é repetido de forma recorrente durante tanto tempo.

As causas e os culpados desta situação parecem ser muitos: a situação decadente do sector das pescas, o desrespeito das normas de pesca, a falta de fiscalização das autoridades, o excesso de pesca, o aumento de licenças de pesca dado pelo governo (passaram de 15 a 19), a lógica dos preços e do mercado, a absurda falta de planificação num sector de tão escassas dimensões…

Mas não há desculpas possíveis para uma situação que é tão aberrante. Todos os implicados são responsáveis duma ou outra forma. Pescadores e autoridades devem encontrar uma solução para impedir que isto volte a repetir-se mais uma vez. E cabe especialmente ao governo apontar e definir uma estratégia para o sector das pescas, e mais concretamente para este assunto, que impeça que uma actividade económica tradicional acabe assim por transformar-se num atentado ambiental.

Quando o Tratado de Lisboa coloca em perigo todo o sector pesqueiro de tipo tradicional, que legitimidade pode ter o sector pesqueiro açoriano para fazer valer os seus direitos e as suas reivindicações se, ao mesmo tempo, pratica actos deste tipo?

"Os Verdes" defendem moratória sobre transgénicos

Declaração da Deputada do Partido Ecologista "Os Verdes", Heloísa Apolónia, sobre autorização de novos OGM por parte da Comissão Europeia:

http://www.youtube.com/user/peverdes#p/a/u/1/Nt8RjdShpSA


"Os Verdes" entregam no Parlamento um Projecto de Resolução sobre os transgénicos:

A Comissão Europeia aprovou, em Março, o cultivo de duas variedades de batata transgénicas, da multinacional alemã BASF, e a comercialização de mais três variedades de milho transgénico.

Há 12 anos que não se autorizava, ao nível europeu, o cultivo de novas espécies transgénicas. A última autorização ocorreu em 1998, relativa ao milho MON 810, da multinacional Monsanto.

Esta autorização de cultivo de batata transgénica Amflora não foi absolutamente nada unânime no seio do Conselho Europeu, mas, apesar da polémica instalada e de todas as dúvidas suscitadas, a Comissão Europeia respondeu com a autorização referida.

Esta batata geneticamente manipulada, contém um gene marcador de resistência aos antibióticos, e servirá para produção de fécula para fins industriais e para a utilização de subprodutos da fécula para a alimentação animal, com risco portanto de, por essa via, entrar directamente na nossa cadeia alimentar.

Países como a Itália e a Áustria já declararam publicamente que não viabilizarão o cultivo desta batata transgénica nos seus países. O Governo Francês pediu um parecer cientÍfico ao Alto Conselho das Biotecnologias, para se poder pronunciar e decidir sobre a matéria. A França e a Alemanha, relembramos, tinham autorizado o cultivo do milho MON 810, E acabaram por decretar uma moratória ao seu cultivo, dadas as dúvidas levantadas sobre este transgénico.

No dia 16 de Março, o PEV questionou, na Comissão Parlamentar de Agricultura, o Sr Ministro no sentido de saber que posição tomou Portugal em relação a esta aprovação de batata transgénica da BASF, que estudos está a realizar e que decisão pensa tomar sobre esta autorização de cultivo.

Foi com preocupação que ouvimos o Sr Ministro responder aos Verdes que o Governo português não tem posição, que confia absolutamente na EFSA (a autoridade europeia para a segurança alimentar) e que não está a fazer nada em relação a esta questão concreta.

Esta resposta é inaceitável, na perspectiva do PEV, e demonstra uma total insensatez por parte do Governo, na defesa da saúde pública, do ambiente e da nossa agricultura.

A autorização de transgénicos ao nível europeu é uma saga que vai continuar. Quando as portas se abriram, com as primeiras autorizações, os Verdes bem alertaram que um dia se “escancariam” as portas. É esse o caminho que se está a tomar em defesa dos negócios e dos lucros seguros das grandes multinacionais, e em prejuízo da saúde pública, do ambiente e da nossa agricultura. Aliás, é esclarecedor perceber como estas multinacionais se dedicam à manipulação genética das variedades cultivadas que estão na base da alimentação mundial, porque sabem que, dessa forma, terão o seu negócio seguro, pela dependência que as populações têm desses alimentos.

A Bayer, outra multinacional alemã, já pediu à União Europeia autorização para comercialização do arroz transgénico LL62. Enquanto, até à data, os OGM têm sido usados fundamentalmente para a indústria e para a alimentação animal, este arroz transgénico visa entrar directamente no nosso prato. É um arroz geneticamente manipulado com vista a ser resistente a um herbicida, o glufosinato. Cai, assim, por terra o argumento de que os transgénicos permitem uma agricultura mais amiga do ambiente e menos poluente. Este arroz seria semeado e inundado de pulverização com herbicida, ficando completamente inócuo. Mas mais: a Bayer comercializaria o arroz e o herbicida! Um negócio chorudo à vista para a multinacional, mas um perigo real para o ambiente, para a saúde pública e para a segurança alimentar. Resta perguntar, quem é que os poderes políticos querem servir? Estas multinacionais ou os interesses e direitos das populações?

É com base nesta realidade e nestes perigos concretos que o PEV entende que não é possível que o Governo português fique impávido e sereno. Consideramos, mesmo, que o Estado Português deve ser activo, ao nível europeu, no sentido de melhorar os mecanismos de autorização de transgénicos e também de informação aos consumidores, havendo uma necessidade absoluta de alteração das regras de rotulagem aprovadas ao nível europeu, de modo a que os consumidores não sejam apenas informados da presença de transgénicos nos produtos alimentares quando a percentagem de OGM seja superior a 0,9%, mas independentemente dessa percentagem, garantindo assim o verdadeiro esclarecimento e liberdade de opção dos consumidores.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, a Assembleia da República, reunida em sessão plenária, delibera recomendar ao Governo que:

1. Defenda, no seio da União Europeia, a adopção de uma moratória ao cultivo e comercialização dos organismos geneticamente modificados.

2. Proponha, ao nível europeu, que, para já, as decisões de autorização de cultivo e comercialização de espécies transgénicas, só possam ser tomadas por unanimidade de todos os estados membro.

3. Desde já, procure a concretização urgente da alteração legislativa, ao nível da União Europeia, para que se permita que livremente, e sem condicionantes, qualquer estado membro possa não autorizar cultivos transgénicos no seu território.

4. Perante todas as incertezas existentes sobre a batata transgénica, da multinacional BASF, e à semelhança do que vários países da União Europeia já declararam, Portugal recorra desde já à clausula de salvaguarda prevista no artigo 23º da directiva 2001/18/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 12 de Março, de modo a não permitir o cultivo desta batata em território português.

5. Promova estudos, com as diversas entidades responsáveis pela segurança alimentar no país, sobre a Amflora, e também em particular sobre o milho já actualmente cultivado, de forma a avaliar o seu impacto na saúde pública, no meio ambiente e na nossa agricultura.

6. Proponha, ao nível europeu, a alteração de regras de rotulagem de produtos alimentares, de modo a que, qualquer que seja o grau de contaminação de transgénicos nesses produtos, o consumidor seja cabalmente informado da composição dos alimentos que adquire e consome, garantindo, assim, a verdadeira liberdade de consumo; e que proponha que seja também obrigatória a rotulagem para os produtos e subprodutos provenientes dos animais (carne, leite, ovos), com a informação de que estes alimentos provêm de animais alimentados com rações transgénicas, quando for esse o caso.


Assembleia da República, Lisboa, 18 de Março de 2010

Os Deputados do Grupo Parlamentar “Os Verdes”
Heloísa Apolónia
José Luís Ferreira

Subsídio de desemprego

Intervenção do Deputado José Luís Ferreira no debate de actualidade sobre o subsídio de desemprego – Assembleia da República, 17 de Março de 2010:

http://www.youtube.com/user/peverdes#p/a/u/2/N-2MdQ1gik0

Senhor Presidente, Senhores membros do Governo, Senhoras e Senhores Deputados,

Ainda há pouco tempo, dois meses, se tanto, discutimos aqui a necessidade de proceder ao reforço da protecção social em situação de desemprego, nomeadamente com a alteração das regras de atribuição do subsídio de desemprego. E o debate teve toda a oportunidade, tendo em conta que dos 600 mil portugueses sem trabalho, apenas metade recebia o respectivo subsídio.

Mais grave, quando sabemos que uma parte significativa, da metade que recebia, apenas tinha direito ao subsídio social de desemprego, cujo valor, infelizmente, é inferior ao limiar da pobreza. A situação era pois dramática e os valores preocupantes, assustadores, mesmo.

Passaram dois meses e a situação não melhorou, bem pelo contrário.

E hoje, voltamos ao assunto, mas num contexto ainda mais negro, já que o Governo pretende alterar essas regras. E pretende alterar as regras, não no sentido de reforçar essa, desejável protecção social, mas no sentido exactamente oposto, no sentido de reduzir e limitar ainda mais o acesso ao subsídio de desemprego.

Primeiro, em 2006, quando a situação, em termos de justiça social, reclamava já o reforço dessa protecção social, o Partido Socialista alterou as regras de atribuição do subsídio de desemprego. E fê-lo não só procedendo à diminuição dos períodos de atribuição, como também introduzindo um novo conceito de emprego conveniente.

E o resultado está à vista. Com a precariedade a alastrar a toda a velocidade, uma boa parte desses cidadãos desempregados ficaram, pura e simplesmente, excluídos do acesso ao subsídio de desemprego. O que veio penalizar, desde logo os mais jovens, que são os mais atingidos pelo trabalho precário de curta duração.

Depois, como se fosse pouco, e manifestando, mais uma vez, a sua insensibilidade social nesta matéria, o Governo, impôs o valor do Indexante de Apoios Sociais a vigorar em 2010, exactamente igual ao que vigorou em 2009.

Ou seja, não há aumentos para os magros Apoios Sociais.

O Governo agrava, desta forma, as condições de vida das camadas sociais mais fragilizadas, desde logo os desempregados, que vêem os seus rendimentos a distanciarem-se, cada vez mais da Retribuição Mínima Mensal Garantida. Isto sem esquecer os milhares e milhares de desempregados que não têm acesso a qualquer protecção social.

O que torna de facto urgente alterar as regras de atribuição do subsídio de desemprego. Porque face à gravidade da situação, exigem-se respostas sérias. Exige-se responsabilidade social.

Mas, ao invés de reforçar esta protecção social, o Governo prepara-se para reforçar as limitações impostas em 2006, agravando ainda mais a situação. Diz o Governo que as medidas têm como objectivo reduzir as despesas sociais do Estado. Outra vez reduzir, outra vez, as despesas sociais do estado.

Outra vez, quando o bom senso recomenda prudência na retirada de apoios estabelecidos para combater a crise económica.

Outra vez, quando é imperioso responder a prioridades sociais, e se torna absolutamente imprescindível alargar as prestações de desemprego e assumir uma política efectiva de luta contra a pobreza.

Outra vez a insensibilidade social.

Outra vez, quando o Governo e o Partido Socialista sabem que este não é o único caminho.

Porque tanto o Governo como o Partido Socialista sabem que há mais mundo para além do corte nas despesas sociais. Desde logo o mundo da redução da outra despesa. Da racionalização na aquisição de bens e serviços por parte da Administração Central e do Sector Empresarial do Estado, reduzindo substancialmente encargos como aqueles que decorrem de avenças, consultadorias e pareceres, pagos a peso de ouro. Da renegociação das parcerias público-privadas que diminua a despesa pública e permita a transferência de risco para o sector privado.

Mas também há o mundo do aumento da outra receita. Mas nesse mundo o Governo teima em não querer mexer. E esse mundo é grande e oferece muitas possibilidades:

Desde logo, o englobamento dos rendimentos e a eliminação dos benefícios fiscais socialmente injustificados como aqueles que são concedidos aos operadores financeiros, a Banca, mas também os Seguros. Mas aqui o Governo diz que nem por isso

Mas também tributar de forma especial as grandes fortunas e as transferências para paraísos fiscais?

O Governo diz que nem por isso.

E a criação de uma taxa adicional de IRC para empresas com volumes de facturação elevados?

O Governo diz que nem por isso.

E as possibilidades neste mundo são muitas, mas o Governo e o Partido Socialista, escolheram outra vez o mais fácil.

Outra vez a irresponsabilidade social.

terça-feira, 16 de março de 2010

“Os Verdes” defendem municípios açorianos

Proposta de “Os Verdes” no OE 2010 sobre os municípios dos Açores e da Madeira.

No debate do Orçamento de Estado para 2010, na Assembleia da República, o deputado José Luís Ferreira apresentou uma proposta de “Os Verdes” que volta a pedir a introdução no OE das verbas devidas aos municípios dos Açores e da Madeira, a título de IRS, e a regularização das verbas em dívida desde Março de 2009.

http://www.youtube.com/watch?v=0rNceP-sobs


Ver anterior pedido:
http://osverdesacores.blogspot.com/2010/02/os-verdes-denunciam-prejuizos-para-os.html

Orçamento de Estado 2010

Intervenção de encerramento da Deputada Heloísa Apolónia.
Debate sobre OE2010 - Assembleia da República, 12 de Março de 2010.

http://www.youtube.com/watch?v=M7gTjpF7E_E

"Sr. Presidente, Srs. Membros do Governo, Sras. e Srs. Deputados

O Orçamento de Estado para 2010 poderia ter sido apresentado na anterior legislatura, onde o PS tinha maioria absoluta, ou nas outras anteriores, em que governavam o PSD e o PP. Teria aí uma íntima aceitação manifesta de todos os partidos que o vão viabilizar. Contudo, não poderia ter sido apresentado em 2009, pela simples razão de que era ano eleitoral. Se fosse ano eleitoral, o PS não apresentaria este orçamento, porque não daria a cara aos eleitores por opções tão profundamente negativas para o país.

De 2009 para 2010 o combate ao desemprego deixou de ser a máxima do PS, até nos discursos que proferem. Voltou a ser o défice. O défice é a obsessão total com que o país conta por parte do Governo para os próximos anos. E tudo isto se torna mais preocupante quanto aquilo que é visível é que o PS, com a associação do PSD e do PP, não tem preocupação com os impactos que daí vão decorrer para o país e para a população portuguesa.

O que o Governo propõe ao país é que se comece a encolher o investimento público. Curioso, no ano passado diziam que o investimento público era prioritário, que era a engrenagem para a dinamização económica e para a criação de emprego de que tanto o país precisa. No primeiro Orçamento desta legislatura, começam a inverter a promessa, com impactes negativos nessa dinamização económica e nessa criação de emprego.

Mas mais: o Governo propõe-se contribuir para a destruição de emprego, liquidando milhares de postos de trabalho na Administração Pública. Isto, Sr. Presidente e Srs. Deputados, no próprio ano em que se prevê que o desemprego continue a galopar; é este o sinal e a injustificável solução que o Governo apresenta para o país.

E congela os salários. Tudo em nome do défice, levando a que a generalidade dos trabalhadores fique à margem da dinamização da nossa economia interna, porque perdem, forçosamente, mais e mais poder de compra. Em ano de eleições não foi assim, pois não?

Foi também curioso ver como o PS abdicou, neste Orçamento, de compromissos justos assumidos em campanha eleitoral, como a tributação das mais-valias bolsistas. Não é oportuno, diz o PS. Não é oportuno o quê? A consagração de uma das mais elementares justiças fiscais? A obtenção de receita pelo Estado, de que tanto precisa, onde as fortunas existem? O problema é que o PS demonstra a sua verdadeira face, em ano não eleitoral, e decide não beliscar o grande poder económico, mas sacrificar aqueles que se fartam de trabalhar, sem nunca conseguir melhorias nas suas condições de vida. É o mais fácil, o menos corajoso e o que mais prejudica o país, mas o PS quer lá saber.

Veja-se a taxa de IRC que pagam as micro, pequenas e médias empresas, que andam estranguladas neste sagrado mercado – na generalidade 25%. A banca, com milhões e milhões de lucros, paga quase menos 10 pontos percentuais. Beliscar esses lucros inimagináveis do sector financeiro seria um sacrilégio para o PS, mas antecipar para 2010 a penalização das reformas, que tinha prometido fazer só em 2015, já o PS o faz com uma perna às costas.

Este Orçamento está repleto de imoralidades fiscais e de crimes sociais. Mas este orçamento é também bem demonstrativo do que o Governo entende sobre as políticas ambientais. O que pode gerar grandes negócios para grandes empresas leva uma alavanca, mesmo que tenha pouca repercussão no país. O que se traduz em maior investimento do Estado, para garantia de melhores padrões ambientais para todos, leva um corte. E depois o Governo cria uns benefícios fiscais, de modo a incentivar melhores comportamentos ambientais, restringindo-os logo de seguida, como faz com as deduções ambientais com aquisição de equipamentos para energias renováveis ou com obras de isolamento térmico dos edifícios, referindo logo de seguida que não têm aplicação anual, mas só de quatro em quatro anos; ou como faz com o incentivo à compra de carros eléctricos, restringindo o apoio às 5.000 primeiras compras, como se se tratasse de um concurso ou de um produto em saldo. Querem adivinhar, Sras. e Srs. Deputados, quem terá acesso a esse apoio? Claro, os que mais poder de compra têm, que serão os primeiros a comprar. É sempre a mesma lógica, a mesma lógica em tudo!

O PS, com o PSD e o PP a aplaudir, mantêm as desigualdades sociais no país, agravam-nas até! Nunca sairemos da mesma cepa torta, com estes partidos a comandar os destinos do país. São coisas que não se fazem de um dia para o outro, é certo, porque as desigualdades estão tão enraizados, mas este Orçamento não contribui para as dissipar, contribui para as aumentar mais e mais. Tal e qual como as assimetrias regionais – este orçamento contribui enormemente para cimentar a falta de coesão territorial neste país.

É por tudo isto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados que a um partido responsável se pede que tenha uma atitude responsável. E a atitude responsável é rejeitar liminarmente este orçamento. E não venham cá com a ideia de que se o orçamento não fosse este, havia eleições antecipadas. Não. Se o PS tivesse sido mesmo obrigado a negociar soluções para o país, ou seja, se tivesse mesmo sido obrigado a negociar o orçamento de estado, teria apresentado outro orçamento. Mas não foi preciso. Com receio dessa negociação à esquerda, o PP primeiro e o PSD logo de seguida, deram a mão ao PS e não pediram nada em troca, como afirmou satisfeito o Primeiro-Ministro.

Pudera, o medo da direita era que o PS deixasse de prosseguir o caminho que faz falta à direita, não era o de eleições antecipadas. Ocorre que o caminho que faz falta à direita, e que o PS também trilha, é o caminho que insiste em levar este país à injustiça e ao estrangulamento económico e social.

O voto responsável neste orçamento é o voto contra.

Será, naturalmente, esse o voto do PEV – do Partido Ecologista “Os Verdes”."


Veja também:
PEV - Orçamento Estado 2010, 12 Março, manhã, Heloísa Apolónia:
http://www.youtube.com/watch?v=b1-bkJeiPqA

Vítimas na Madeira

Voto de pesar pelas vítimas da catástrofe na Madeira

O deputado José Luís Ferreira apela à necessidade de se proceder à reconstrução da Madeira com outros critérios de Planeamento e Ordenamento do Território.

Veja a intervenção do deputado do Partido Ecologista "Os Verdes" sobre o Voto de pesar pelas vítimas da catástrofe na Madeira.

http://www.youtube.com/watch?v=GNlGaZ5h3Es

quinta-feira, 11 de março de 2010

Arruinar o país para salvar as suas contas

O novo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é a última tentativa do governo para arruinar definitivamente o país.

Mas atenção, todo isto é feito com a mais nobre das intenções: a de resolver o crescente desequilíbrio das contas públicas. Desequilíbrio que, na realidade, é responsabilidade do próprio governo, com a solidária contribuição de todos os governos anteriores. Com o PEC pretende-se sacrificar o país e o povo português, que afinal parece que não é realmente necessário, para ganhar mais uma vez a confiança dos mercados internacionais e dos investidores estrangeiros, seres messiânicos que hão de vir à terra para resolver todos os nossos problemas.

As propostas do PEC para arruinar o país não são nada originais: subir os impostos, reduzir os serviços do estado (pagos por esses mesmos impostos) e vender todo o património público do estado. E se com estas medidas os portugueses não ficarem mais pobres, a contenção salarial, sempre para os mesmos assalariados, e o desemprego, cada vez mais alto, acabarão por fazer o resto.

A subida dos impostos vem disfarçada de um “não aumento” dos impostos. Mas limitando as deduções e benefícios fiscais, os impostos evidentemente sobem. E sobem principalmente para as classes médias, porque é evidente que já ninguém espera que as classes baixas possam pagar mais nada. As classes mais ricas, para reparar o que o governo considera ser uma injustiça histórica, também vão ter de pagar mais algumas esmolas… Ainda bem que o governo, depois de todos estes anos, reparou finalmente nesta grande injustiça.

A diminuição das despesas do estado permitirá que os portugueses tenham de pagar duas vezes pelos mesmos serviços: vão ter de pagar uma vez ao estado, que não vai poder prestar os serviços de forma eficiente, e vão ter de pagar outra vez às empresas privadas que vão substituir o estado na real prestação desses mesmos serviços. E a regra de substituir cada dois funcionários que saem por um só ainda vai permitir aumentar mais os números do desemprego.

O património público e as empresas do estado são de todos e não são de ninguém. Assim, para o governo, que não perde nada com isso, resulta muito fácil vender tudo. Não importa que essas empresas estejam a dar lucro ao estado, equilibrando as contas públicas. Não importa que sejam estratégicas para o desenvolvimento do país. Não importa que estejam a prestar um serviço público às populações. É um bom negócio para o governo. É também um excelente negócio para os futuros compradores. Mas é um péssimo negócio para os portugueses.

Mas afinal, todo este equilíbrio das contas públicas que deveria trazer o PEC é tão urgente porquê? E porque tem de ser alcançado, sem falta, nos próximos anos? Pois bem, parece que a culpa de todo isto é de Bruxelas, da confiança ou da desconfiança dos mercados internacionais e dos interesses especulativos das agências que fixam as taxas de crédito, ou de usura. Há tanta gente má por aí! Se não fossem eles era possível, sem dúvida, ter uma economia centrada na produção nacional e no emprego, uma economia ao serviço das pessoas.

Mas o PEC também vai servir para fazer grandes e novos negócios. A subida dos impostos vai permitir talvez pagar outros 4.000 milhões de euros ao BPN ou a outros bancos e aos seus ricos accionistas. A diminuição das despesas do estado vai permitir que empresas privadas possam substituir o estado na prestação de serviços essenciais, nos quais ninguém poderá discutir o progressivo aumento dos preços. A venda das empresas públicas vai ser um enorme negócio para os grandes grupos económicos e vai permitir que estes controlem o país por inteiro, apagando para sempre o antiquado conceito de soberania dos portugueses. Afinal há grandes e bons negócios em perspectiva. E também bons negócios para a coligação PS/PSD/CDS que apoia este governo e apoiou todos os anteriores.

terça-feira, 9 de março de 2010

Doutoramentos monetários

Na nossa sociedade moderna o símbolo do sucesso é o dinheiro. Quem chega mais alto na vida é aquele que consegue ter mais dinheiro. Quem se destaca mais na sociedade é aquele que chega a ter mais dinheiro. E quem é mais inteligente, sem dúvida, é aquele que consegue acumular mais dinheiro… Estas curiosas ideias acerca do sucesso são, infelizmente, a demonstração do nosso escasso nível cultural.

No entanto, esta identificação entre sucesso social e dinheiro é muito mais antiga do que se possa pensar. Já no seu tempo, Aristóteles referia que Tales de Mileto, um outro filósofo grego, era continuamente criticado pelos seus concidadãos pelo facto de ser… pobre (Aristóteles: Política, livro I, cap. IV). Eles consideravam que a ciência filosófica de Tales devia ser inútil, já que não era capaz de fazer dele um homem rico. E o filósofo, farto de ser criticado, decidiu fazer-lhes uma pequena demonstração. Assim, prevendo num determinado ano umas condições muito boas para a colheita de azeite, alugou todos os lagares de Mileto e de Quios. Mais tarde, quando os seus concidadãos quiseram prensar a sua abundante colheita de azeitona, Tales decidiu cobrar-lhes a utilização dos lagares ao preço de ouro. Desta forma ganhou não só dinheiro (o que não era de seu interesse) mas também… honra!

Desde a sua criação, a Universidade dos Açores tem iluminado de inúmeras formas a sociedade açoriana, tendo um papel importantíssimo e fundamental na difusão da cultura. Mas, por vezes, a Universidade também é capaz de… escurecê-la. Recentemente, a Universidade decidiu atribuir um doutoramento honoris causa a uma pessoa rica pelo facto de ser muito rica. Foi atribuído, portanto, a uma pessoa de sucesso, a uma pessoa de quem, sem dúvida, todos temos de aprender lições (de facto, ele próprio gosta dá-las).

O sonho dos economistas antigos era utilizar a sua ciência para criar um futuro mais próspero para toda a humanidade. O sonho de muitos economistas actuais parece ser utilizar os seus conhecimentos sobre a especulação financeira para encher os bolsos o mais rapidamente possível.

Contacto Verde nº 81

Último Boletim informativo quinzenal do Partido Ecologista "Os Verdes":

CONTACTO VERDE nº 81 (02/03/2010)

Madeira: diagnósticos para um futuro

Nesta edição da Contacto Verde, o destaque vai para a situação actualmente vivida na Madeira e as perspectivas e propostas de “Os Verdes”.

No In Loco, Raimundo Quintal, aborda a problemática dos aluviões na região madeirense, numa perspectiva científica e avançando a necessidade de medidas concretas.

No Em Debate, escreve-se sobre as propostas Verdes no âmbito do PIDDAC - Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central 2010.

Dia internacional da mulher

PEV apresenta duas iniciativas legislativas no Dia Internacional da Mulher

“Os Verdes” apresentaram hoje, dia internacional da mulher, duas iniciativas legislativas que visam uma tomada de consciência, por parte do Parlamento, da situação real com que se confrontam muitas mulheres, bem como uma atitude pró-activa da Assembleia da República, no sentido de solucionar as problemáticas com que ainda se confrontam as mulheres na nossa sociedade.

Foi nesta lógica que o PEV entregou hoje no Parlamento os seguintes Projectos de Lei:


1º - Projecto de Lei que estabelece quotas na administração pública para mulheres vítimas de violência doméstica – visa que nos serviços e organismos da administração central, regional e local, bem como nos institutos e fundos públicos sejam estabelecidas quotas de emprego para mulheres comprovadamente vítimas de violência doméstica, que têm que se deslocar para fora da sua área residencial e que não têm, ou perdem, vínculo laboral.

O certo é que é sabido que muitas mulheres, para não serem confrontadas com episódios de violência doméstica, são obrigadas a abandonar os seus lares e a amparar-se noutras localidades. Também é sabido que muitas mulheres só se sujeitam a crimes de violência doméstica por estarem economicamente dependentes do agressor, o que é intolerável de aceitar. É com vista a contribuir para resolver muitas destas situações que o PEV propõe que em concursos públicos com número de lugares igual ou superior a 5, um dos lugares seja fixado de modo a ser preenchido por uma mulher que se encontre na situação acima referida.


2º - Projecto de Lei que estabelece a aposentação antecipada para mães de filhos portadores de deficiência - visa atender ao desgaste físico e psicológico de muitas mães que têm a seu cargo filhos portadores de deficiência, com grau de incapacidade igual ou superior a 60%, que as leva, tantas vezes, a uma conjugação quase impensável entre uma vida profissional e uma vida doméstica que não as faz parar, e a uma constante conturbação na sua vida, por necessidade de acompanhamento contínuo dos seus filhos.

À sociedade compete reconhecer que esse desgaste deve ser considerado para efeitos de idade de reforma e ao poder político compete legislar sobre esse reconhecimento. É essa, portanto, a proposta que “Os Verdes” apresentam.


Comunicado de Imprensa de "Os Verdes"
08-03-2010

Reunião do Conselho Nacional de "Os Verdes"

Conclusões do Conselho Nacional de "Os Verdes” reunido em Évora

O Conselho Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes” reunido, em Évora, analisou a situação eco-política nacional e internacional e definiu as prioridades de intervenção política de “Os Verdes” para o próximo semestre.

Foi ainda apresentado um balanço das audiências realizadas, na véspera, por uma delegação do Conselho Nacional com um conjunto de entidades do Distrito de Évora e discutida a situação eco-política específica deste distrito.


Da avaliação da situação eco-política nacional e internacional, “Os Verdes” destacam as seguintes questões:

1º Situação económica e social

“Os Verdes” olham para a situação económica e social do país com grande preocupação sobretudo depois do Orçamento de Estado ter constituído mais uma oportunidade perdida para servir de alavanca económica criando a dinâmica indispensável ao país para combater o desemprego, reduzir as desigualdades e estimular a produção nacional.

Mais uma vez, o Governo, durante este processo orçamental, demonstrou claramente para onde pendiam as suas prioridades económicas e sociais. Conseguindo uma coligação à direita, que veio viabilizar um orçamento que reduz o investimento público e desprotege as pequenas e médias empresas, sustentáculo nacional da produção e do emprego, o Governo prepara-se para prosseguir o caminho de sacrifício dos trabalhadores, designadamente na função pública, deixando roda livre à banca e ao sistema financeiro que continua a acumular lucros fabulosos em tempo de crise para a maioria, demonstrando que a “economia de casino” permanece incólume.

Este é, mais uma vez ainda, um orçamento que agrava as assimetrias regionais, quando volta a privilegiar o investimento no litoral e nas grandes áreas urbanas em detrimento do interior do país. Procurando contrariar esta visão, “Os Verdes” apresentaram mais de 300 propostas em sede de discussão na especialidade do OE, defendendo investimento público de qualidade e proximidade, indo ao encontro do desenvolvimento sustentável descentralizado, as quais foram todas liminarmente chumbadas pelo PS.

Este OE é, de resto, já um prenúncio do Programa de Estabilidade e Crescimento hoje aprovado em Conselho de Ministros, segundo anunciado, o qual terá como único objectivo a redução do défice para 3% até 2013, dispondo para isso, certamente, de um conjunto de medidas profundamente negativas que contribuirão para degradar a qualidade de vida dos portugueses e os necessários investimentos públicos de que o país precisa, mantendo, certamente, em paralelo a bonança dos intocáveis, ou seja do sistema financeiro e dos macro grupos económicos.

O Conselho Nacional saudou a justa luta dos trabalhadores pela dignificação do seu trabalho e da função pública, assumida através do direito à greve, que o Governo tentou, mais uma vez, vergonhosamente, menorizar, relembrando que uma das conquistas da República, cujo centenário comemoramos este ano, foi precisamente o serviço público.

A dois dias do Dia Internacional da Mulher (8 de Março) “Os Verdes” debateram ainda as desigualdades que continuam a afectar de forma acentuada as mulheres trabalhadoras (quer a nível das diferenças salariais quer a nível do acesso ao emprego), e decidiram apresentar um conjunto de iniciativas parlamentares no sentido de combater esta discriminação.

2º Situação Ambiental

No plano ambiental o destaque foi para duas situações: as calamidades provocadas pela instabilidade climática e a gestão de riscos inerentes; e, por outro lado, o Programa Nacional de Barragens.

a) Alterações climáticas e situações de risco

A dramática situação vivida nestas últimas semanas na Madeira ou em França, ou ainda as ocorrências no Algarve, na região do Oeste, em Aveiro ou em Viseu, nomeadamente, são significativamente reveladoras dum cenário de extremos climáticos que, no quadro das alterações previstas, vão-se tornar cada vez mais frequentes e para as quais o país, tem que estar, necessariamente, preparado.

A prevenção de cenários de catástrofe passa por uma mitigação dos riscos que só será possível com a tomada de medidas de adaptação em áreas estruturantes como o ordenamento do território, ordenamento florestal e agrícola, gestão dos recursos hídricos, etc, questões de há longa data levantadas pelos Verdes e que infelizmente se têm vindo a verificar.

Hoje, mais do que nunca, os facilitismos, nomeadamente legislativos, na gestão urbanística e territorial, nas impermeabilizações do solo, na ocupação da orla costeira e dos leitos de cheia, podem apresentar consequências demasiado graves para continuarem a ser tolerados impunemente.

A violência destas ocorrências devem ainda levar-nos a repensar todos os sistemas de socorro e protecção civil e importância dos mesmos assim como na necessidade de promover a educação e preparação das populações para a prevenção e convivência com o risco.

Por outro lado, em cenários de calamidade, as populações ficam confrontadas com dificuldades de abastecimento alimentar e energético, devido ao isolamento gerado pelo corte das vias de comunicação e à elevada dependência de grandes centros produtores localizados a grande distância. Estas situações devem-nos levar a reflectir na necessidade de garantirmos uma produção alimentar e energética de proximidade que vem totalmente ao arrepio dos actuais modelos que têm vindo a ser postos em prática, como é o caso do Programa Nacional de Barragens.

b) Quanto ao Programa Nacional de Barragens

Pelas razões acima expostas e por todos os impactos negativos inúmeras vezes denunciados pelos Verdes, o Conselho Nacional reafirmou mais uma vez a sua posição a este Programa e a este modelo de política energética de “balde furado”, tendo decidido empenhar-se na mobilização para a manifestação que ocorrerá no próximo sábado dia 13 em Amarante em defesa do rio Tâmega e contra a cascata de barragens propostas para esta bacia. “Os Verdes” relembram ainda que têm agendado um conjunto de iniciativas parlamentares através das quais visam confrontar o Governo com as decisões relativas à barragem da Foz do Tua e ao PNB.


No que diz respeito ao Distrito de Évora e às audiências ocorridas, “Os Verdes” destacam o seguinte:

“Os Verdes” levaram a cabo um conjunto de visitas e audiências no Distrito de Évora durante os quais abordaram questões relacionadas com a gestão da água, dos resíduos. Da reflexão feita durante as mesmas, “Os Verdes” reafirmam:

- a água, como um recurso essencial à manutenção da vida, e um bem público, rejeitando toda e qualquer política que visa a sua mercantilização;
- a necessidade de serem elevados os níveis de recolha selectiva dos RSUs, considerando fundamental para o prolongamento da vida dos aterros sanitários, a implementação do sistema de compostagem para o tratamento final dos resíduos biodegradáveis;
- que consideram importante a aplicação de um sistema de perequação, através do orçamento de estado, em que os baixos custo de tratamento de RSUs no litoral possam compensar o mais elevado custo no interior devido à dispersão populacional;

Esta visita permitiu analisar a situação laboral do Distrito de Évora. E é com preocupação que se verifica a continuada degradação das condições sociais neste distrito, fruto essencialmente do aumento do encerramento de empresas e do agravamento do número de desempregados.

Évora, 6 de Março de 2010.
O Conselho Nacional de “Os Verdes”

quinta-feira, 4 de março de 2010

Poesia

Daniel Gonçalves venceu o primeiro Prémio de Poesia Manuel Alegre pela sua obra “Um coração simples”.

Residente em Vila do Porto, nasceu na Suíça e é licenciado em Ensino de Português pela Universidade do Minho. Já foi distinguido com o Primeiro Prémio de Poesia do Concurso Internacional de Poesia do Centro Internazionale Amici Scuola (CIAS), promovido pela UNESCO, Itália, em 1993, o Prémio de Revelação de Poesia em 1997, promovido pela Associação Portuguesa de Escritores/Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, e o Prémio Cesário Verde em 2003. É autor de “Dez Anos de Solidão - Poemas revividos” (1997-2007) e “Rumores para a transparência do silêncio” (2009).

O austriaco Konrad Lorenz, etólogo (estudioso do comportamento animal) e prémio Nobel em 1973, estava convencido da forte relação existente entre ética e estética. Relação esta bem fácil de demonstrar. Basta ler primeiro, por exemplo:

poemário de daniel gonçalves
http://afectosepalavras.blogspot.com/

...e, depois, deixar-se levar pelo primeiro impulso.

terça-feira, 2 de março de 2010

Em busca da arca perdida

As novas lâmpadas fluorescentes compactas são uma importante melhoria no campo da eficiência energética, permitindo uma notável poupança. É bom lembrar que, nas já velhas lâmpadas incandescentes, a luz emitida representa só uma pequena parte (5%) da energia produzida, sendo o resto dissipado na forma de calor (radiação infravermelha). Estas lâmpadas deixarão de estar à venda no ano 2013.

No entanto, nem tudo é bom nas novas lâmpadas fluorescentes compactas. Os materiais que as compõem são muito mais perigosos, como é o mercúrio, um metal altamente contaminante e venenoso, e o pó de fósforo. Estas lâmpadas funcionam com uma corrente de electrões que, passando pelo interior do tubo de vidro, colide com o mercúrio, o qual emite uma luz ultravioleta que activa o material fluorescente, o pó de fósforo, que emite finalmente a luz visível.

Devido à presença destes materiais contaminantes, as lâmpadas fluorescentes compactas devem ser obrigatoriamente recicladas (coisa que não acontecia com as incandescentes). Se não fosse assim, o mercúrio contaminaria o solo e os aquíferos. E o custo ambiental produzido por esta contaminação poderia acabar por ser bastante maior que a vantagem ambiental produzida pela poupança energética da lâmpada. Surpreendentemente, esta informação é pouco ou mal transmitida aos consumidores.

Toda a lâmpada fluorescente compacta no fim da sua vida deve ser obrigatoriamente entregue na loja onde é comprada uma nova, ou então depositada num centro de recepção adequado. E deve ser entregue devidamente embalada, para impedir que se parta e liberte o mercúrio e o pó de fósforo que contem.

Os pontos de recepção mais habituais são os chamados ponto electrão. Estes pontos foram finalmente instalados nos Açores (www.amb3e.pt), mas infelizmente num número claramente insuficiente, não estando presentes em todas as ilhas… Na realidade, só estão presentes na ilha de São Miguel. E nesta ilha encontram-se em poucas localidades… Isto é, só em Ponta Delgada. E ainda devemos dizer que, nesta cidade, os pontos electrão não são muitos… Na realidade é só um.

Existe, portanto, um único ponto electrão para todas as ilhas (outros serão previsivelmente instalados). Mas será que, pelos menos, este único ponto encontra-se num lugar bem central e visível de Ponta Delgada? … Claro que sim! Quem não seria capaz de o encontrar no parque de estacionamento subterrâneo do centro comercial “Parque Atlântico”, mais concretamente no andar “-1”, naquele cantinho tão escondido e tão afastado de qualquer escada? Percebe-se, por isso, que nem sequer haja cartazes indicando a sua localização.

Encontrar este ponto electrão é mais difícil que encontrar a arca perdida. Mas se alguma vez o encontrar pode também depositar no mesmo lugar todos os seus aparelhos eléctricos velhos, pois tem também dois contentores para Resíduos de Equipamento Eléctrico e Electrónico (REEE). Em relação às lâmpadas, será que há alguma indicação sobre a forma como que devem ser embaladas para evitar que se partam e libertem os contaminantes? Não.

Promover a poupança energética é uma boa e meritória intenção. Mas se isto significa, ao mesmo tempo, por incompetência ou descuido, contaminar o ambiente com metais pesados, percebemos mais uma vez por que o inferno está cheio de boas intenções. O ambiente merece melhor.