quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Biodiversidade extraordinária nas Furnas

As caldeiras das Furnas, na ilha de São Miguel, não são apenas um lugar de grande interesse geológico e turístico. São também um lugar de uma biodiversidade extraordinária e de um enorme interesse científico. Os organismos vivos existentes nas nascentes termais das caldeiras, quase únicos a nível mundial, fazem das Furnas um dos lugares mais interessantes de Portugal para visitar, conhecer ou estudar. E também para proteger.

Estes excepcionais organismos não têm, no entanto, uma aparência espectacular, pelo que podem passar desapercebidos para a maioria das pessoas. Trata-se, na realidade, de organismos microscópicos, de tipo unicelular. Apesar do seu tamanho ínfimo, estes seres unem-se para formar belos tapetes microbianos que são facilmente visíveis para qualquer pessoa que, com a ajuda de um guia, visite a zona das caldeiras.

As características destes organismos são espantosas, já que se contam entre os organismos vivos mais antigos que existem na Terra. Os dinossauros, que viveram há uma infinidade de tempo, apareceram há 225 milhões de anos e desapareceram há 65. No entanto, os organismos que vivem nas Furnas são muitíssimo mais antigos que os dinossauros. São representantes vivos das primeiras linhagens de seres vivos aparecidos na Terra há talvez 3.800 milhões de anos!

Tendo em conta a história evolutiva, os seres vivos dividem-se em três linhagens de importância equivalente: a linhagem das bactérias (Bacteria), a linhagem das chamadas arqueas (Archaea) e a linhagem dos eucariotas (Eukaryota) que deu lugar aos seres pluricelulares, e da qual descendemos os seres humanos. Das duas primeiras linhagens encontramos uma excepcional diversidade nas nascentes termais das Furnas, com variados tipos de organismos que existem em poucos lugares do mundo. Assim, encontramos diferentes espécies de arqueas e bactérias, muito anteriores à invenção da fotossíntese, que se alimentam de compostos inorgânicos presentes nas águas das nascentes termais. Mas também encontramos as bactérias que inventaram os primeiros tipos de fotossíntese, que não produzem oxigénio, e ainda as cianobactérias, seres fotossintéticos mais evoluídos que produzem oxigénio, como as plantas, e que são responsáveis da existência do oxigénio na atmosfera do nosso planeta.

Tudo isto é explicado, com grande pormenor, nas exposições e visitas guiadas que se têm realizado durante este verão no vale das Furnas, dentro do projecto educativo “Vida em Ebulição no Verão - Furnas 2009”, devido à iniciativa da microbiologista Dra. Paula Aguiar. Neste momento existe a intenção de voltar a repetir esta acção, que teve grande adesão de visitantes, quer à exposição quer às visitas guiadas no terreno. A partir de 1 de Novembro até 31 de Dezembro a exposição estará aberta ao público durante os fins de semana (das 15:30 às 20:00 horas), ficando reservada para grupos escolares durante a semana. Durante a sua recente visita, o Secretário Regional da Ciência e Tecnologia manifestou o seu desejo de preservar as caldeiras das Furnas e toda a sua envolvente, e ainda de criar no local um Observatório Microbiano de carácter científico e educativo.

Vida em Ebulição: http://www.vidaemebulicao.com/

É sem dúvida urgente valorizar e proteger este excepcional tesouro biológico que coloca os Açores entre os lugares mais importantes a visitar ao nível mundial em termos de biodiversidade microbiana.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Requerimento da CDU sobre o Parque Zoológico da Povoação

Aníbal Pires, deputado regional da CDU, apresentou um requerimento na Assembleia Regional solicitando ao governo informação sobre as condições de licenciamento do Parque Zoológico da Povoação, assim como sobre o necessário cumprimento das normas técnicas referidas na legislação vigente.



São ainda de referir as declarações do médico veterinário municipal, aparecidas no Açoriano Oriental. Para ele, "o parque tem condições mínimas e os animais são impecavelmente tratados". Isso apesar de que possa existir "por vezes, um ou outro animal com falta de espaço", o que se trata de "situações transitórias".

Em relação a isto, basta comparar as fotografias actuais e as do ano 2003 para perceber que a situações transitórias são, na realidade, uma normalidade que dura pelo menos há seis anos. E as instalações parecem agora mais degradadas. As fotografias também dão para perceber o que é, por vezes, falta de espaço e o que é tratar bem os animais.

Os animais merecem muito melhores condições. E nós também.





Texto da nota de imprensa da representação parlamentar do PCP-CDU:

CDU PREOCUPADA COM FALTA DE CONDIÇÕES DO PARQUE ZOOLÓGICO DA POVOAÇÃO

A CDU está preocupada com a nítida falta de condições do espaço do Parque Zoológico do Concelho da Povoação e pediu esclarecimentos ao governo, através de requerimento hoje entregue na Assembleia Legislativa Regional.

Para a CDU é motivo de preocupação que um conjunto de exemplares de fauna selvagem seja mantido em gaiolas de dimensões reduzidas e em más condições de higiene e salubridade, ao arrepio da lei vigente para este tipo de instalações.

A situação é tanto mais grave quanto a intenção pedagógica que assiste à criação deste tipo de parque é claramente incompatível com condições de detenção dos animais que são nitidamente causadoras de stress, desconforto e sofrimento injustificados.

Sendo o parque propriedade da Câmara Municipal da Povoação, competiria aos poderes públicos dar o exemplo de boas práticas ambientais e respeito pelas normas do bem-estar animal. Mas infelizmente não é assim.

A CDU exige ao Governo que proceda a uma nova fiscalização deste espaço e tome as medidas necessárias para que esta situação seja rapidamente corrigida.

20 de Outubro de 2009
O Deputado Regional do PCP
Aníbal Pires


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Jardim zoológico da Povoação

Uma visita à histórica vila da Povoação, em São Miguel, permite confrontar-nos com um espectáculo bastante penoso e deprimente. No centro da vila podemos encontrar um pequeno jardim em cuja porta se exibe uma placa com o surpreendente nome de “Parque Zoológico”.

No interior, encontramos uma série de gaiolas de muito reduzidas dimensões nas quais estão fechados uma série de animais, tanto silvestres como domésticos. As condições em que estão conservados estes animais são bastante deploráveis. É um espectáculo que faz lembrar as tristes colecções zoológicas de há dois séculos. Os turistas que chegam a visitar este jardim ficam normalmente incomodados e cheios de pena dos animais.

Num canto do jardim, encontramos umas gaiolas maiores com uns macacos. Um cartaz avisa para não se aproximar da gaiola na qual estão fechados dois babuínos, anunciados como potencialmente perigosos. Com aparência inocente, um deles estica a mão pedindo comida. Ao lado estão outros cinco macacos, mais pequenos, de aspecto triste e melancólico.

Num dos lados, há uma construção estreitíssima dividida em várias gaiolas que são simples caixas de cimento, onde se encontram fechados uma série de papagaios. Dois deles são araras, aves de grande porte, fechados em gaiolas diferentes. Nelas têm um único poleiro no qual pousar-se, sem nunca poder voar minimamente. Um deles percorre desesperadamente a tripla rede metálica que o separa dos visitantes. Outros papagaios mais pequenos, gritando estridentemente, estão fechados em gaiolas sobrelotadas e igualmente sujas.

Há também outras casinhas com pássaros exóticos. Numa delas, há indivíduos de bico de lacre, uma espécie considerada invasora e que, portanto, devia estar numas instalações muito mais seguras. Junto a ela, há algumas espécies nativas como estorninhos, melros ou canários. O melro exibe uma cauda esburacada pelos parasitas. Noutras construções do jardim há animais domésticos, em principio menos problemáticos, fechados também em gaiolas mínimas e sujas.

Este jardim zoológico, pertencente à câmara municipal, não parece cumprir nenhuma das regras exigidas pela actual legislação. Segundo o Decreto-Lei n.º 59/2003 (transposição nacional da Directiva europea n.º 1999/22/CE), os parques zoológicos devem, de forma necessária e obrigatória, alojar os animais em condições que assegurem o seu bem-estar. Devem, por exemplo, proporcionar aos animais um espaço adequado à exibição de comportamentos naturais. Mas também devem cumprir adequados padrões de higiene. Todos os animais devem ter tratamento médico veterinário regular e ser cuidados por pessoal técnico competente. Para além disso, os parques zoológicos têm a obrigação de educar o público no que respeita à preservação da biodiversidade, para o qual devem possuir e executar um programa pedagógico. Caso contrário, o jardim deve ser encerrado.

Em resumo, os animais devem ser tratados dignamente, e não como simples objectos ou brinquedos. O espectáculo degradante de animais fechados em gaiolas mínimas e sujas não dignifica os animais, mas também não dignifica os visitantes do jardim nem a própria vila da Povoação.


***

Lista das principais espécies presentes, para além de diversas espécies ou variedades domésticas:

MAMÍFEROS:

Primates: Papio cynocephalus (2), Cercopithecus aethiops (5).

AVES EXÓTICAS:

Psittacidae: Ara ararauna (1), Ara chloroptera (1), Cyanoliseus patagonus (6), Melopsittacus undulatus (14). (Nota: o número de espécies tem-se reduzido, já que em 2003 havia ainda Pseudeos fuscata, Poicephalus senegalus, Psittacula krameri e Nymphicus hollandicus.)

Estrildidae: Estrilda astrild (3), Taeniopygia guttata (7).

Galliformes: Chrysolophus pictus, Lophura nycthemera, Numida meleagris, Pavo cristatus.

AVES NATIVAS:

Sturnus vulgaris (1), Turdus merula (1), Serinus canaria (4).


terça-feira, 13 de outubro de 2009

“Os Verdes” analisam resultados eleitorais

A Comissão Executiva Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”, reunida hoje, apreciou os resultados das eleições autárquicas que tiveram lugar ontem, dia 11 de Outubro, por todo o país elegendo democraticamente os membros dos órgãos do poder local que tão importante papel desempenham na Democracia portuguesa, sobretudo pela proximidade que têm à vida e interesses das populações.

Como factos positivos para a CDU, coligação que “Os Verdes” integram, registamos, desde logo, a manutenção da CDU como 3ª força política nacional a nível autárquico e como a grande força de esquerda imprescindível à Democracia portuguesa, bem como as três novas Câmaras conquistadas nestas eleições: Alpiarça, Alvito e Crato.

A CDU viu ainda consolidada a sua posição em muitos municípios onde já era maioria, designadamente no distrito de Setúbal, confirmando-se como primeira força politica na Área Metropolitana de Lisboa, e conseguiu manter lugares importantes na oposição que nos permitirão agir como garantes da transparência e voz activa da esquerda na defesa dos interesses das populações, nomeadamente nas Câmaras de Lisboa e Porto.

Como factos negativos registamos naturalmente a perda de eleitos, assim como a presidência em algumas Câmaras, embora nem sempre de forma democraticamente leal, como foi, aparentemente, o caso do município de Beja.

Contudo, neste momento, importa reafirmar que, independentemente de estarmos em maioria ou em minoria, os eleitos de “Os Verdes” nas autarquias serão sempre parte activa na resolução dos problemas ambientais e sociais das populações e uma voz permanente na proposta e na defesa de soluções para uma vida melhor.

A Comissão Executiva Nacional saúda vivamente todos os candidatos, militantes e activistas do Partido Ecologista “Os Verdes”, bem como do Partido Comunista Português, da Intervenção Democrática e os muitos independentes que, por todo o país, tiveram a seu cargo, com o sacrifício do seu tempo pessoal e familiar, fazer da campanha da CDU uma realidade sólida, levando as propostas de cada lista e os princípios do trabalho, da honestidade e da competência até aos eleitores.

Lisboa, 12 de Outubro de 2009

Comissão Executiva Nacional

Resultados das eleições autárquicas nos Açores.

Os resultados das eleições autárquicas nos Açores causam alguma decepção na CDU, que mostra uma leve descida em relação às anteriores eleições autárquicas. Os melhores resultados nas votações para as Assembleias do que nas votações para as Câmaras parecem mostrar a bipolarização eleitoral existente entre os dois grandes partidos para a eleição do presidente da câmara, com a consequente perda de votos entre os partidos pequenos. Para Aníbal Pires, “num quadro de forte bipolarização que marcou estas eleições, a luta política tornou-se extremamente difícil para quem não detinha nem poder regional, nem poder autárquico, o que torna para forças como a CDU toda este percurso muito mais exigente”.

Nas eleições para as Câmaras Municipais, a CDU conseguiu 2.115 votos (1,71%), menos do que os 3.254 votos (2,91%) conseguidos em 2005. Para as Assembleias Municipais conseguiu 2.729 votos (2,21%), menos do que os 3.356 votos (3%) anteriores. E para as Assembleias de Freguesia conseguiu 1.689 votos (1,38%), mais do que os 1.631 votos (1,47%) anteriores. A abstenção foi semelhante, por volta de 44%.

Infelizmente, esta descida reflecte-se numa significativa perda de mandatos, reduzidos a quatro representantes nas Assembleias Municipais da Horta, Santa Cruz das Flores e Vila do Porto. E ainda mais quatro representantes nas freguesias da Horta. Pela positiva, destaca-se o aumento registado na ilha de Santa Maria. Para o candidato à Câmara, Daniel Gonçalves, “Não fomos muitos mas fizemos mais do que estávamos à espera. Ouviram-nos e sobretudo ouvimos os outros.

http://www.autarquicas2009.mj.pt/

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Santa Maria: uma ilha exemplar

A CDU concorre à Câmara Municipal de Vila do Porto tendo como cabeça de lista Daniel Gonçalves, membro de “Os Verdes”. Texto aparecido no último número do Contacto Verde, boletim informativo do PEV:


Uma ilha exemplar

A ilha mais antiga dos Açores tem todas as condições para ser exemplar. Mas não é.

A ilha é pequena, com cerca de 97 km2. Tem imensos casos registados de endemismos, na flora e na fauna. É um tesouro fossilífero, com fósseis que datam de há 5 milhões de anos, coisa rara para uma ilha vulcânica no meio do oceano. Tem um clima óptimo e apenas cinco mil pessoas. Apetece viver aqui. À primeira vista é tudo bom. Mas não é.

Basta um pequeno retrato para percebermos que estamos a falar de um lugar especial. Em altura de eleições ainda é mais especial. Não vai há três semanas e o Governo Regional anunciou um pacote de 35 medidas excepcionais e ainda hoje, 24 de Setembro, se reforçou a importância do pólo da ESA (European Space Agency) para os próximos anos.

As promessas e os compromissos eleitorais da CDU são mais modestos, mas talvez sejam mais realistas, exequíveis e “cumpríveis”. Esta ilha tem todas as condições para pôr em prática um conjunto de medidas que podem tornar este concelho o mais verde de Portugal. Tornar Santa Maria exemplar é um objectivo fundamental para “Os Verdes”. Antes, contudo, de enunciarmos as medidas centrais do programa para estas eleições, vejamos quais são os principais problemas a tratar: não existe um plano de gestão dos recursos aquíferos (a água escasseia frequentemente no Verão); não há um aterro sanitário digno do nome; não há recolha selectiva do lixo; embora haja condições para tal, não se produzem legumes, frutas ou outros alimentos, importando-se quase tudo; a desertificação acentua-se nalgumas zonas e a cultura intensiva de pastagem e criação de gado contribuem para agudizar este problema; os jovens abandonam a ilha por falta de emprego e os idosos e outras pessoas com mobilidade reduzida não têm acesso facilitado aos locais púbicos; não há creches públicas e cada vez que uma grávida se aproxima do nono mês, tem de se deslocar à ilha de São Miguel e esperar pelo parto. Estes são apenas alguns dos problemas que advêm, sobretudo, da insularidade e da ultra periferia da ilha.

“Os Verdes” têm soluções ao nível da protecção do ambiente, mas vão muito mais além das questões ecológicas, o desenvolvimento sustentado da sociedade é algo nuclear e importante. Por isso é que o Programa Eleitoral da CDU à Câmara Municipal de Vila do Porto contém questões essenciais para o desenvolvimento harmonioso da comunidade, destacando-se as seguintes medidas: a erradicação dos sacos de plástico do comércio local; o incentivo ao consumir local produzir local, nomeadamente com a (re)introdução da produção de citrinos, novas culturas de legumes e cereais; a criação de mais reservas ecológicas terrestres e marítimas, incentivando os pescadores a não pescar e determinadas zonas e a explorá-las, depois, do ponto de vista turístico: um mero pode valer 150€ na lota, mas no fundo do mar vale milhares de euros consecutivamente, pois são dos peixes mais admirados pelos mergulhadores; tornar Vila do Porto numa vila amiga de pessoas com mobilidade condicionada e preparada para o envelhecimento progressivo da população, é uma das medidas que deve ser implementada a curto prazo, pois não há condições mínimas, neste momento, para assegurar igualdade de condições a todos os cidadãos; os moinhos de vento são ícones de um passado de trabalhos forçados e facilitados pela força eólica: podem transformar-se em ícones de consciencialização ambiental, mostrando que as energias renováveis são o futuro das sociedades e que fazem mover as pessoas numa direcção onde o desenvolvimento sustentado ditará as regras da felicidade dos homens.

Daniel Gonçalves
Cabeça de lista da CDU à Câmara Municipal Vila do Porto
Candidato proposto por “Os Verdes”

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Manifesto Verde para as Eleições Autárquicas 2009

As autarquias são, inquestionavelmente, e depois do 25 de Abril de 1974, os órgãos do Poder mais próximos das populações e são também o espaço privilegiado para se promover e poder afirmar a verdadeira democracia participativa.

Intervir localmente para actuar socialmente, é o caminho para um futuro mais humanizado e a forma de fomentar e ajudar a consolidar uma sociedade mais harmoniosa e solidária.

Incentivar a participação e o envolvimento das populações e das suas organizações nas tomadas de decisão, garantindo-lhes o fácil acesso à informação e promovendo a descentralização aos mais diversos níveis, mobiliza eleitos e eleitores na defesa dos interesses locais e torna-se decisivo para a resolução dos problemas.

Os eleitos “Verdes” nas autarquias assumem o compromisso de intervir, com todo o seu empenho, na protecção do ambiente, na luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, no respeito pela diferença, no apoio aos idosos e aos mais carenciados, com o objectivo de promover um verdadeiro desenvolvimento sustentável e contribuir para um mundo mais justo e sem exclusão.

Os “Verdes” concorrem às eleições autárquicas de 2009 integrados na CDU – Coligação Democrática Unitária.

A CDU prestigia o Poder Local porque os eleitos da CDU nas autarquias contribuem de forma decisiva para uma gestão rigorosa, transparente e competente.


Da nossa intervenção futura relevamos algumas áreas e alguns dos nossos compromissos:

Ambiente

Promoveremos a educação para o ambiente, a informação e a sensibilização das populações, intervindo em especial junto das escolas.
Defenderemos a conservação e preservação do património natural, cultural e arquitectónico, bem como da biodiversidade e dos recursos naturais.
Incentivaremos a recolha selectiva de resíduos e a sua posterior reutilização e reciclagem.

Mobilidade e transportes

Fomentaremos a utilização do transporte público como meio preferencial de deslocação e pugnaremos pela sua eficácia.
Promoveremos a utilização da bicicleta e de outras formas de mobilidade suave e apoiaremos a criação de mais pistas cicláveis.

Água

Consideramos a água como um bem público a que todos devem ter igualdade no acesso. Por isso, e porque não aceitamos que a água seja tratada como uma mercadoria, defenderemos intransigentemente a Gestão Pública dos serviços de captação e abastecimento de água, bem como do tratamento das águas residuais.
Consideramos fundamental o combate aos desperdícios e o desenvolvimento de sistemas de reutilização das águas tratadas e de aproveitamento das águas pluviais.
Combateremos a poluição dos nossos rios e ribeiras e zelaremos pelo funcionamento eficaz das estações de tratamento de águas residuais ( ETARs ).

Energia

Incentivaremos e apoiaremos todas as iniciativas e todos os projectos que promovam a poupança de energia e a eficiência energética.
Apoiaremos todas as acções de informação e sensibilização para a poupança.
Apoiaremos o recurso a mais e novas fontes de energia renovável.
Rejeitaremos liminarmente a produção de energia nuclear e a instalação em todo o território nacional ou junto às nossas fronteiras de qualquer depósito de resíduos nucleares.

Alimentação

Apoiaremos a produção local e familiar, e em particular a vertente biológica, como forma de desenvolvimento das economias locais.
Recusaremos a produção de Organismos Geneticamente Modificados e defenderemos que em todos os serviços públicos sob responsabilidade municipal, nomeadamente nas escolas, não sejam servidos alimentos que contenham OGMs.

Social

Defenderemos nas autarquias uma escola pública de qualidade e pugnaremos por um melhor ensino público.
Pugnaremos por um acesso universal aos cuidados médicos de saúde e por um melhor funcionamento do Serviço Nacional de Saúde.
Promoveremos o apoio às populações mais carenciadas e a criação de serviços de apoio à população mais idosa.
Rejeitaremos todo e qualquer tipo de exclusão.
Incentivaremos a prática desportiva e outras expressões de índole cultural.
Estimularemos a criação de novos empregos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Resultados das eleições nos Açores.

Os resultados das eleições legislativas assinalam uma significativa subida da CDU nos Açores. Para Aníbal Pires, “a CDU cresce e continua a afirmar-se como uma força indispensável na sociedade portuguesa”.

Nos Açores, a CDU conseguiu 2.072 votos (2,18%), mais do que os 1.556 votos (1,7%) conseguidos em 2005. A abstenção voltou a subir: votaram 43,94% dos eleitores (em 2005 foram 48,12%).

Já a nível nacional, a CDU conseguiu 446.172 votos (7,88%), mais do que os 432.009 votos (7,56%) conseguidos em 2005. Só votaram 60,54% dos eleitores (em 2005 foram 65,03%).

http://www.legislativas2009.mj.pt/

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Manifesto Verde para as Eleições Legislativas 2009

8 razões para votar verde no dia 27 de Setembro

Com provas dadas e com um rico património construído ao longo dos mais de 27 anos de existência, “Os Verdes” apresentam-se como um projecto alternativo de sociedade por oposição ao assalto neoliberal, capitalista e militarista do mundo de hoje, caracterizado por uma acentuação das desigualdades sociais, pela precarização do emprego, pela degradação do ambiente, pela devastação dos recursos naturais, pelo ataque aos serviços públicos, pelas constantes restrições aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, pelo desperdício energético, pelas alterações climáticas e pela Guerra.

Quatro anos e meio de Governo PS acentuaram a venda a retalho do país, a degradação das condições económicas e sociais, a degradação das áreas protegidas e da conservação da natureza. Esta maioria absoluta neoliberal do PS, ao contrário das suas promessas eleitorais, fomentou o aumento do desemprego, a degradação do sistema nacional de saúde e a perda de direitos, a degradação da escola pública e o aumento do abandono escolar. Consumou uma desresponsabilização sem precedentes do papel do Estado, favorecendo despreocupada e descaradamente o sector privado deixando-se cair num desnorteamento político e sem soluções visíveis.

É urgente uma política diferente, que defenda o interesse nacional, focando-se no desenvolvimento do país e na solução para os problemas que afectam os portugueses.

As eleições legislativas de 27 de Setembro são uma oportunidade para a mudança, para reforçar “Os Verdes” e a CDU.

“Os Verdes” apresentam 8 compromissos estratégicos urgentes para uma verdadeira transformação e para a construção de uma sociedade mais verde, com base num eco-desenvolvimento de longo prazo.

Continuaremos a empenhar-nos, tal como temos feito até agora, na implementação destas políticas, a ser porta-vozes das populações, dos rios e das montanhas, dos nossos recursos endógenos. Só assim se conseguirá dar resposta aos nossos problemas e encontrar um novo caminho para o País, com mais justiça social e melhor qualidade de vida para os Portugueses.

1. Com “Os Verdes” contra o desemprego e por emprego com direitos

Actualmente o desemprego afecta mais de 650 mil portugueses.

Os sucessivos governos fizeram acentuar as desigualdades sociais, a pobreza e a exclusão social.

O novo Código do Trabalho, na versão do PS, constituiu um verdadeiro retrocesso nos direitos dos trabalhadores e aumentou a precariedade, a exploração, o trabalho ilegal e sem direitos.

A obsessão pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, invocando a redução do défice, não se adequa às necessidades do nosso país e traduz-se em substanciais cortes orçamentais, diminuindo o investimento público, pondo em risco sectores fundamentais da nossa frágil economia e destruindo milhares de postos de trabalho.

- “Os Verdes” defendem um aumento dos salários, das pensões e reformas para fazer face aos elevados custos de vida.
- Prioridade ao combate ao desemprego.
- Criação de condições para a fixação das populações no interior do país e o seu desenvolvimento.
- Por uma lei laboral que proteja os direitos dos trabalhadores e que combata a precariedade.

2. Com “Os Verdes” pela gestão pública da água

A água tem de ser encarada como um Direito e não como uma mercadoria!

É um bem fundamental à vida e ao desenvolvimento, tendo o Estado a responsabilidade de gerir a água visando o desenvolvimento sustentável, nunca podendo pôr em causa o bem-estar das populações nem o equilíbrio ambiental.

- “Os Verdes” opõem-se firmemente às políticas de mercantilização da água. Este bem insubstituível tem de continuar nas mãos do sector público.
- Pela exploração e gestão pública da água.
- Por serviços de qualidade e a preços socialmente justos.
- Pela promoção da poupança da água.
- Pelo reaproveitamento das águas residuais tratadas.
- Pelo combate à poluição dos recursos hídricos.

3. Com “Os Verdes” pela defesa de Serviços públicos e de qualidade

Nos últimos anos temos assistido a constantes ataques, através de políticas de liberalização e privatização, a serviços públicos fundamentais para o progresso económico, social e ambiental do país.

O Estado tem de assumir e reforçar o seu papel na defesa do sector público, sob pena de o entregar a multinacionais que apenas têm fins lucrativos.

Foi o que sucedeu na saúde com as políticas dos sucessivos governos a fragilizarem o Serviço Nacional de Saúde (SNS) devido a uma gestão economicista, com a gestão privada de dezenas de hospitais, com o aumento dos custos de saúde.

Foi o que sucedeu na educação, com o desinvestimento na rede escolar pública, com a crescente elitização do ensino, com o aumento dos custos de ensino.

Foi o que sucedeu na segurança social com a introdução de uma privatização parcial.

Foi o que sucedeu na justiça com o insuficiente investimento e a falta de meios.

- “Os Verdes” defendem o fim do processo de privatizações e o cancelamento dos processos em curso, a par da responsabilidade do Estado na prestação desses serviços.
- Defendemos o desenvolvimento de uma política que promova e reforce o sector público nacional e os serviços públicos: saúde, educação, transportes, água, energia, segurança social, justiça, telecomunicações, garantido qualidade, eficiência e o seu acesso universal.

4. Com “Os Verdes” por uma política energética sustentável

Actualmente, Portugal tem uma dependência externa de energia de cerca de 85%. Esta dependência pode ser reduzida através do aumento da produção nacional a partir de energias renováveis e sustentáveis.

A política energética não pode estar subjugada aos interesses das empresas, que apenas visam o lucro com prejuízo para o ambiente. Foi sob esta lógica que o Governo PS apresentou a construção de mais barragens.

- “Os Verdes” defendem a eficiência e poupança energética.
- Defendemos a aposta e o investimento em energias renováveis e sustentáveis.
- Defendemos a diminuição da dependência energética externa.
- Opomo-nos à construção de uma central nuclear no nosso país e de cemitérios nucleares nas nossas fronteiras ou junto a estas.
- Defendemos a gestão pública das empresas do sector energético.

5. Com “Os Verdes” pela defesa de uma mobilidade sustentável

O sector dos transportes é essencial e estratégico para a economia e desenvolvimento do país e deve assentar numa gestão pública.

Temos assistido a outsourcings que entregam empresas de transportes ou parte delas ao sector privado, o que tem provocado uma verdadeira desarticulação entre os vários operadores de transporte, fomentando a utilização massiva do automóvel em detrimento da utilização do transporte público, o que leva a uma agressão ambiental cada vez mais intensa, causada pela emissão de gases com efeito de estufa.

- “Os Verdes” defendem a gestão pública dos transportes colectivos, com preços socialmente justos.
- Defendemos uma reestruturação do sector visando uma progressiva utilização de transportes públicos.
- Defendemos a complementaridade e a intermodalidade dos transportes públicos.
- Defendemos o apoio à ferrovia convencional.
- Defendemos a criação de mais ciclovias e a promoção de formas de mobilidade suave.

6. Com “Os Verdes” pela defesa da paz, das liberdades e dos direitos fundamentais
Os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, que representam importantes conquistas civilizacionais, têm vindo a ser postos em causa, através de verdadeiros retrocessos e limitações . Exemplo claro disso foi a tentativa de imposição aos portugueses do Tratado de Lisboa, que o PS ao contrário do que havia prometido, não permitiu que os Portugueses sobre o assunto se pronunciassem.

Os cidadãos com deficiência ou com mobilidade reduzida continuam a ver os seus direitos negados. Continua a haver situações de discriminação na nossa sociedade por questões de género, cor, orientação sexual ou religião.

Nos últimos anos testemunhámos grandes perigos para a paz invocando, hipocritamente, o combate ao terrorismo e a defesa da democracia para legitimar ilegalidades e crimes contra a humanidade.

- “Os Verdes” defendem uma sociedade de igualdade, solidariedade, estabilidade e paz.
- Defendemos o reforço da democracia, da protecção dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

7. Com “Os Verdes” na defesa do produzir local, consumir local

Portugal importa, hoje, mais de 75% do que consome.

Os sectores produtivos estão fragilizados devido a políticas que não visam um efectivo apoio e investimento, mas antes apoiam economias mais fortes.

Esta situação debilita a economia nacional, acentua a nossa dependência e põe em causa a nossa soberania alimentar, arruína as micro, pequenas e médias empresas, destrói postos de trabalho, e não permite o escoamento dos nossos produtos, além de agravar o despovoamento e aumentar as emissões de CO2, devido ao transporte de mercadorias.

- “Os Verdes” defendem a promoção e o incentivo à produção e ao consumo local.
- Defendemos um maior apoio à agricultura e às pescas.
- Defendemos uma reforma da Política Agrícola Comum e da Politica Comum de Pescas que tenha em conta as especificidades nacionais.
- Opomo-nos ao cultivo de Organismos Geneticamente Modificados e a utilização de transgénicos na alimentação animal ou humana.
- Defendemos a criação de condições de apoio ao sector cooperativo.

8. Com “Os Verdes” pela protecção do ambiente e a conservação da natureza

É responsabilidade inalienável do Estado assegurar uma política de protecção e de valorização ambiental, mas os governos têm encarado o ambiente sob uma perspectiva económica, visando lucros à custa do futuro do planeta, e não como um direito tal como consagrado na Constituição da República Portuguesa.

Têm sido apresentadas medidas avulsas, inconsistentes e pouco eficazes na preservação do ambiente e dos recursos naturais, o que traz graves consequências para a qualidade de vida e os ecossistemas.

- “Os Verdes” defendem uma verdadeira e coerente política de ambiente, com reais investimentos na protecção do ambiente e na conservação da biodiversidade.
- Defendemos políticas de desenvolvimento e de ordenamento do território que permitam a utilização sustentável dos recursos naturais, em harmonia com a actividade humana e o respeito pelas Reservas Agrícola e Ecológica Nacionais.
- Defendemos a implementação de medidas para o combate às alterações climáticas.
- Defendemos o desenvolvimento da floresta nacional, assegurando um ordenamento com base na diversificação das espécies, na protecção dos ecossistemas e em medidas efectivas de prevenção e combate aos fogos florestais.




A voz de “Os Verdes” tem-se feito ouvir na Assembleia da República onde defendemos políticas orientadas para a melhoria das condições de vida de todos os portugueses, salvaguardando o ambiente, valorizando a produção nacional e defendendo um sector público eficiente, de qualidade e acessível a todos.

“Os Verdes” têm denunciado e combatido constantemente os problemas e as ofensivas que afectam os portugueses e a degradação do ambiente e da qualidade de vida.

“Os Verdes” têm estado ao lado das populações a defender um desenvolvimento sustentável e a apresentar propostas que garantam mais justiça social.

Tem sido este o nosso trabalho e o nosso compromisso é assim continuar!

No dia 27 de Setembro
Vota Verde, Vota CDU

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

ESTAREMOS EM PERIGO NOS AÇORES?

É certo e sabido que o arrefecimento global é algo que afecta todo o mundo, senão não seria global... Os Açores pela sua localização geográfica estão muito vulneráveis a qualquer alteração no sistema de correntes do Atlântico, por exemplo. A seca que se tem vindo a sentir já ocorreu noutras alturas, mas poderão ser mais frequentes no futuro e com efeitos ainda mais devastadores. Há que repensar o tipo de exploração que impomos aos nossos solos e a forma como consumimos bens essenciais como a água.

Proponho a leitura da seguinte notícia, publicada no diário on-line PUBLICO, dia 4 de Setembro de 2009.


Gases com efeito de estufa suspendem ciclo natural de arrefecimento do Árctico

04.09.2009
Helena Geraldes

Os gases com efeito de estufa trocaram as voltas ao Árctico e empurraram as suas temperaturas para os níveis mais altos dos últimos dois mil anos, suspendendo um ciclo natural de arrefecimento que deveria ter durado mais quatro mil, segundo um estudo internacional publicado hoje na revista “Science”.

A equipa de cientistas, financiada pela National Science Foundation, estudou as temperaturas sentidas nos últimos dois mil anos daquela região. Até agora apenas existiam dados relativos aos últimos 400 anos. Para isso analisou os sedimentos acumulados em cerca de 20 lagos, os anéis das árvores e os gelos. Estas informações eram tão detalhadas que foi possível reconstruir as temperaturas passadas década por década. Os resultados poderão acicatar o debate entre cépticos e não cépticos das alterações climáticas.

A poluição libertada pela acção humana pôs um fim ao ciclo de arrefecimento que começou há oito mil anos, quando o eixo de rotação da Terra sofreu uma oscilação que a distanciou do Sol. O Árctico passou, então, a receber menos energia solar durante o Verão. As temperaturas do Árctico durante esse período desceram a uma média de 0,2 graus Célsius por século.

Apesar de a distância Sol-Terra se ter mantido durante o século XX, as temperaturas começaram a subir em 1900. Cinquenta anos depois, o Árctico era 0,7 graus Célsius mais quente. Até que a década de 1999 a 2008 registou as mais altas temperaturas dos últimos dois mil anos. Hoje, as temperaturas são 1,2 graus Célsius mais elevadas do que em 1900.

Aos olhos de Darrell Kaufman, da Universidade do Arizona e coordenador do estudo, esta incongruência demonstra que os humanos estão a alterar o clima. “Se não fosse pelo aumento dos gases com efeito de estufa, as temperaturas de Verão no Árctico deveriam ter baixado, gradualmente, ao longo do século XX”, acrescentou Bette Otto-Bliesner, cientista do Centro Nacional para a Investigação Atmosférica, dos Estados Unidos, que participou no estudo.

“A quantidade de energia que recebemos do Sol no século XX continuou a diminuir. Mas a temperatura registou o maior aumento dos últimos dois mil anos”, independentemente das alterações naturais da órbita da Terra, salientou ainda Nicholas P. McKay, da Universidade do Arizona (Tucson) e membro da equipa.

O que já se sabia era que nas últimas décadas, o Árctico aqueceu duas a três vezes mais do que o resto do planeta. Tudo porque a região polar amplifica as alterações climáticas. Quando há menos superfície de neve e gelo para reflectir a energia solar de volta ao espaço, o solo escuro e o oceano que ficam a descoberto absorvem mais energia e aquecem mais.

“Porque sabemos que os fenómenos responsáveis pela ampliação (das alterações climáticas) no Árctico continuam a operar, podemos antever que a tendência se vai manter no próximo século”, estimou Gifford Miller, da Universidade do Colorado e membro da equipa.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Touradas: uma máfia de trazer por casa?

Uma organização mafiosa pode ser facilmente reconhecida por uma série de características: um profundo desrespeito pelas leis, negócios escuros envolvendo grandes quantidades de dinheiro, sistemática evasão fiscal, utilização da violência para os seus fins, fortes ligações ao poder político, gosto pelo sangue…

Felizmente nada disto acontece nos Açores… ou será que pode acontecer?

- Recentemente foram realizadas várias touradas à corda na ilha de São Miguel, organizadas pelas câmaras municipais da Ribeira Grande e da Lagoa. Segundo a lei, não podem ser feitas touradas nos lugares em que não há tradição continuada nos últimos 50 anos. Esta tradição nunca existiu na ilha de São Miguel.

- As touradas à corda são uma indústria que dá muito dinheiro (há quem diga que é a maior indústria da Terceira). Mas é um negócio escuro, de carácter informal e difícil de quantificar. “Há espectáculos baratíssimos e há espectáculos que podem ascender a milhares de euros”, refere Duarte Pires, presidente da Associação Regional de Criadores de Touros de Touradas à Corda. Parece que uma tourada à corda pode custar entre 750 e 3.500 euros (mais licenças). Na Terceira decorrem cerca de 300 touradas anualmente, pelo que podemos calcular que as touradas à corda rendem, pelo menos, entre 225.000 e 1.050.000 euros anuais.

- Recentemente a GNR levantou cerca de uma dezena de autos aos proprietários de touros de aluguer para touradas à corda. Os autos foram devidos a infracção tributária por não passarem facturas, cumprindo os termos do código do IVA. Segundo Duarte Pires, “esta exigência é uma novidade surpreendente pelo facto de ser uma actividade com quase cinco séculos na ilha e nunca ninguém tinha levantado o problema”. Pois sim, de facto, é surpreendente que há cinco séculos não existisse o IVA. Mas não há problema: “os custos vão, quase de certeza, inflacionar o preço do aluguer dos touros, que vão ser debitados às comissões de festas”.


- Na tourada à corda realizada no Porto dos Carneiros, na Lagoa, no dia 18 de Julho, um grupo de manifestantes protestou contra a realização da tourada. Estas pessoas, é preciso dizê-lo, mostraram uma grande coragem ao pôr-se a frente dos animais, muitos deles já bêbedos. Os manifestantes foram alvo de agressões verbais e tentativa de agressões físicas. O presidente da câmara justificou a agressão porque “as pessoas têm o direito a indignarem-se”.

- As touradas na ilha de São Miguel foram organizadas pelas câmaras da Lagoa e da Ribeira Grande, e apoiadas sempre pelo Secretário Regional da Agricultura e Florestas e pelo Director Regional do Desenvolvimento Agrário. Os indivíduos que retiraram à força os cartazes aos manifestantes no Porto dos Carneiros eram, segundo informações, funcionários da câmara vestidos à paisana.

- No mês de Maio foi votada na Assembleia Regional uma proposta para legalizar as corridas de touros picadas. A proposta foi rejeitada por pouco: 26 dos 57 deputados votaram a favor. A tortura pública e sanguinária de animais foi considerada por estes 26 deputados como necessária e proveitosa.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Atropelar priôlos como forma de fazer desporto.

É já quase uma tradição que está a impor-se na ilha de São Miguel. Trata-se da priolada, uma forma de fazer desporto com grande número de seguidores e apoiantes, entre os que se contam, em destacado lugar, os governos regionais e municipais da ilha.

Este emocionante desporto consiste em passar de carro, a toda velocidade, pela única área em que vive o priôlo (Pyrrhula murina), ave endémica da ilha de São Miguel e que se encontra entre as espécies mais ameaçadas do planeta. O objectivo dos concorrentes não é claro. Supostamente é fazer o percurso o mais rapidamente possível. Mas tudo indica que, na realidade, o objectivo é expulsar durante uns dias os priôlos do seu habitat da Serra da Tronqueira e talvez impedir a sua reprodução. É possível que atropelar um priôlo chegue a dar mais pontos na classificação geral, mas ninguém sabe ao certo.


Neste magnífico desporto existem no menos duas competições anuais. Uma é o SATA Rallye Açores (que este ano decorreu nos dias 7-9 de Maio) e a outra é o Rallye da Ribeira Grande (que decorreu nos dias 11-12 de Julho). Os dois rallyes, como não podia ser de outra forma, têm sempre um percurso que passa pela Serra da Tronqueira e pelo Planalto dos Graminhais, sempre à procura dos tão ameaçados priôlos. “O rally passa, a paisagem fica” é a frase publicitária, certamente curiosa, utilizada pela Associação de Municípios da Ilha de São Miguel. Pois ficar, fica, mas não se sabe em que estado…

A passagem destes rallyes pela Serra da Tronqueira tem evidentemente impacto sobre a reduzida população de priôlos, especialmente durante a época de reprodução. Esta ocorre de meados de Junho ao fim de Agosto, com a aparição dos primeiros juvenis em meados de Julho. Estas datas coincidem, portanto, com a realização duma das provas.

Não há dúvidas de que o priôlo e o seu habitat constituem um património natural açoriano de valor mundial. No entanto, parece que este valor não tem a mínima importância quando se trata de definir os percursos dos rallyes. Para os organizadores e os governantes da ilha ter um rallye ainda mais espectacular é muito mais importante que proteger uma espécie ameaçada. Segundo eles, os priôlos até devem gostar de assistir a este tipo de espectáculos automobilísticos. Pelo menos, os estrangeiros parecem apreciar esta espécie, que constitui uma atracção turística e recebe importantes fundos internacionais para a sua conservação.

Quando será que os açorianos o os seus governantes vão também importar-se com ela? E até quando assistiremos a esta atitude vergonhosa?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Requiem pela Lagoa das Furnas.

Visitar a lagoa das Furnas, na ilha de São Miguel, deixou de poder ser considerado como turismo de natureza. Na actualidade, deve ser considerado apenas como uma espécie de turismo funerário. À crescente podridão das águas, malcheirosas durante o verão, em toda a sua variada gama de tons amarelo-esverdeados, soma-se a crescente e inexorável artificialização do seu ambiente.

A última coisa que um turista espera encontrar nas até agora belas e nostálgicas margens da lagoa é a presença dum grande estaleiro da construção civil. Mas ele lá está. Também não espera encontrar uma grua a ser utilizada na construção dum prédio. Mas ela lá está. Nem um tipo esquisito de bunker, nem novas condutas eléctricas, nem novas canalizações… Mas todas elas também lá estão!


Como poderá interpretar-se a presença de toda esta frenética actividade construtora? Pois bem, na realidade parece tratar-se da construção do novo “Centro de Interpretação da Lagoa das Furnas”, um empreendimento cientifico-turístico de… bastante difícil interpretação! O conjunto das obras parece que vai incluir vários edifícios com áreas habitáveis, dispondo de todos os requisitos de conforto para estadias frequentes e demoradas; vários edifícios de apoio com instalações sanitárias, arrecadações ou áreas técnicas; dois pequenos edifícios de suporte para equipamentos especiais, áreas de trabalho com gabinetes, salas de reuniões, um pequeno auditório e uma cafetaria; e ainda inclui infra-estruturas hidráulicas, eléctricas, telecomunicações, pavimentação de arruamentos e intervenção paisagística… Sim, tudo isto!

Talvez para –supostamente– interpretar, monitorizar ou investigar a lagoa e o seu ambiente natural seja bom ter alguma proximidade com eles. Mas era talvez necessário colocar-se acima deles? É aceitável a construção de tanto edifício e tanta infra-estrutura na lagoa para depois falar –supostamente– sobre a preservação da lagoa e do seu ambiente natural? E tudo isto num lugar tão afastado da estrada, por onde lógicamente chegam todos os turistas? E num lugar até agora medianamente preservado?

Parece existir a promessa de que toda esta megalómana construção vai ficar muito bem integrada na paisagem. Mas, na verdade, não é isto o que se vê agora. E muito mais integrada estaria se não estivesse num lugar tão pouco adequado. Qual será então o resultado final de tudo isto? Será que realmente vai ficar integrada com a paisagem, aquela coisa que, entretanto, ficou por baixo das fundações? Ou será que vai ficar integrada num novo desenvolvimento urbanístico e turístico daquela zona?

Mas também se fala de construir uma via empedrada, e talvez iluminada, à volta de toda a lagoa. Afinal, toda esta nova e agressiva artificialização é necessária para quê? O objectivo é potenciar o turismo de natureza ou potenciar um absurdo turismo urbano? Se se quer potenciar o turismo de natureza, era melhor conservar, num estado intacto ou pouco alterado, os valores naturais da lagoa, evitando sempre a sua artificialização. Era melhor investir em planos mais eficazes para evitar a crescente eutrofização das águas, impedir novas construções junto a lagoa, integrar na paisagem as já existentes (algumas com cores berrantes), fazer um trilho pedonal junto a estrada no lado nascente, sinalizar bem os trilhos já existentes, regular o acesso dos carros às margens da lagoa, proibir a circulação de motas amantes do ruído e da erosão, retirar as aves exóticas (domésticas) introduzidas, acondicionar melhor as áreas de recreio…

Actualmente, ao visitar a lagoa das Furnas, a inevitável sensação que se tem é que se está a construir uma espécie de túmulo artificial ao redor dumas águas já mortas.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ministro do Ambiente ou Ministro Contra o Ambiente?

“O ambiente não pode – não deve – parar o país”.
Francisco Nunes Correia
Ministro do Ambiente

Bravo, senhor ministro! Toda a gente concorda plenamente consigo. E ainda mais, também concorda com as ideias dos seus colegas dos outros ministérios. Sim, toda a gente também acha que os doentes não podem – não devem – parar o sistema nacional de saúde, que os trabalhadores não podem – não devem – parar a economia, que os alunos não podem – não devem – parar o sistema de ensino, que os agricultores não podem – não devem – parar a agricultura, que os injustiçados não podem – não devem – parar o sistema de justiça… Enfim, toda a gente acha que as pessoas, que os portugueses, não podem – não devem – parar Portugal.

Infelizmente, governantes ineptos e ignorantes conseguem pará-lo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Diversão à bruta, lá na aldeia.

A Câmara Municipal da Ribeira Grande, em São Miguel, vai organizar pela primeira vez uma “Tourada à Corda de S. Pedro”, integrada dentro das festas do concelho de 2009.

Confrontamo-nos com duas hipóteses: ou a brutalidade e a tacanhez são uma doença contagiosa, ou existem escuros interesses a promovê-las (ou então, é claro, as duas hipóteses ao mesmo tempo).

- Caso se trate de uma doença contagiosa, é muito preocupante. Há poucas semanas, no dia 25 de Maio, realizou-se, pela segunda vez, uma tourada à corda nas instalações da Associação Agrícola de São Miguel, na Ribeira Grande. E agora é a própria Câmara Municipal a cair nesta mesma doença. O vírus, portanto, parece expandir-se a uma velocidade alarmante!

- Caso se trate de interesses económicos, devíamos perguntar-nos por que é que os organizadores de touradas da Terceira estão tão empenhados no apoio desta tourada. Ou por que razão tentaram legalizar a “sorte de varas”, felizmente sem sucesso.

Seja por doença ou por dinheiro, a Câmara Municipal da Ribeira Grande vai oferecer uma imagem lamentável e degradante da cidade e dos seus munícipes. É triste que, quando se trata de arranjar uma diversão para o povo, se pense numa actividade que consiste, nem mais nem menos, em maltratar animais. É essa a ideia do povo que tem a Câmara Municipal? São esses os valores culturais que quer potenciar? E ainda por cima, o que se faz é importar uma diversão aberrante ainda praticada noutra ilha.

É pena que uma tradição, essa sim autêntica e cultural, como são as Cavalhadas de São Pedro seja agora ensombrada pelo degradante espectáculo duma tourada. O símbolo das festas do concelho –o cavalo nobre, ricamente enfeitado– será agora substituído por um outro símbolo: o touro enraivecido, acossado e maltratado. De certeza que a grande maioria dos munícipes vai sentir-se orgulhosa de ver esta mudança nas suas festas, viradas agora para a agressão e desrespeito pelos animais. Isto é, vão sentir-se orgulhosos de ter uma boa festa à bruta!

Se se quer encher o programa das festas com novos eventos, basta um pouco de imaginação, bom gosto e… civilização. Neste sentido, a recente criação da Feira Quinhentista foi uma iniciativa brilhante e digna de louvor. Mas, sabe-se lá por quê, a Câmara Municipal resolveu agora recuar ainda mais no tempo e recriar uma época muito anterior: o Paleolítico. E como já não há mamutes para matar, tocou aos touros a sorte grande de ser as novas vítimas da crueldade humana.

Caro turista, visite as festas da Ribeira Grande e admire a brutalidade e a tacanhez das suas gentes. Participe connosco nos maus tratos aos animais e divirta-se à bruta. É esta a mensagem da Câmara Municipal, e dos seus amigos terceirenses, para estas festas.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca





Quarta-feira, dia 17 de Junho, comemora-se o Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca. Este dia deve ser dedicado a uma séria reflexão sobre o futuro do nosso planeta.
As principais causas da desertificação estão associadas ao uso inadequado do solo e da água, especialmente em actividades agropecuárias, na mineração, na irrigação mal planejada e no desmatamento indiscriminado.
Os Açores apesar de serem um paraíso verde, não estão a salvo do risco de desertificação e da seca, sobretudo em ilhas como Santa Maria.
Santa Maria está, por exemplo, a atravessar uma seca importante, como não se via há anos! A água vai faltar nas torneiras e prova disso é já a má qualidade da água nalgumas zonas e a urgência com que a edilidade pôs em marcha um plano de captação de água em novos furos. As pastagens estão secas e não há alimento suficiente para os animais, prova disso foi a venda apressada de gado vivo, antes que este perdesse valor comercial, devido ao emagrecimento.
Santa Maria é uma ilha que merece destaque neste dia, porque corre riscos, riscos graves, de se desertificar, de se mortificar. Temos é de agir, não só hoje mas sempre: contra o uso intensivo dos solos, contra o desmatamento e desflorestação, contra a construção de campos de golfe, contra um turismo mal sustentado!

Antes que seja tarde, mudemos de atitude, pelo nosso planeta!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Os Açores no programa Biosfera.

O programa Biosfera, da RTP, emitido o dia 10 de Junho foi dedicado à biodiversidade e à riqueza natural dos Açores.

O programa pode ser visto no sítio da RTP (http://www.rtp.pt). Aceder através de: TV > TV on line > Programas de Informação > Biosfera > 2009.06.10

O milho transgénico.

Pode ver-se um documentário interessante, em espanhol, sobre milho transgénico em:

http://vimeo.com/5017506

As plantações de milho transgénico em Espanha produzem contaminação genética nas plantações vizinhas. As colheitas de milho da agricultura convencional (ou química) ficam contaminadas pelos transgénicos, obrigando os agricultores a vender o seu milho como “milho transgénico”. A mesma coisa acontece com os agricultores que apostam na agricultura biológica, o modelo de agricultura sustentável. Estes últimos perdem todo o investimento realizado. E ainda perdem a possibilidade de manter, sem contaminação, as sementes das variedades tradicionais, património histórico da agricultura.

As culturas transgénicas são uma ameaça para o ambiente, para a saúde humana e, ainda por cima, para a própria agricultura!

Que bom é ser… rico!

Se por uma caprichosa vontade quisessemos alguma vez ganhar dinheiro teríamos, pelo menos, duas opções:

1- Uma seria comprar 105.378 acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), sociedade que detinha o Banco Português de Negócios (BPN). Foi o que fez em 2001 o actual Presidente da República, que comprou este número exacto de acções e as vendeu dois anos depois ganhando 147.500 euros. Ganhou assim 73.750 euros por ano por estar sentado tranquilamente na sua casinha, sem fazer nada.

2- Outra seria trabalhar duramente 40 horas por semana cobrando o salário mínimo. Considerando que o salário mínimo (que atinge 225.000 portugueses) é de 450 euros por mês, ganharíamos com sorte 6.300 euros num ano. Seriam necessários mais de 11 anos de duro trabalho para ganhar os mesmos 73.750 euros.

A conclusão é evidente. O que a economia portuguesa precisa é de pessoas ricas que fiquem sentadas na sua casa. Não precisa de pessoas que trabalhem duramente e que, ainda por cima, demoram mais de 11 anos em produzir o mesmo que as primeiras num só ano. As primeiras, essas sim que produzem riqueza!