sábado, 20 de junho de 2015

Protesto pela autorização do abate de três espécies de aves açorianas protegidas


COMUNICADO:

Protesto pela autorização do abate de três espécies de aves açorianas protegidas

Naquilo que é um retrocesso na defesa da natureza e da fauna açoriana, o Governo Regional dos Açores autorizou recentemente e pela primeira vez o abate de três espécies de aves protegidas dos Açores: o Pombo-torcaz (Columba palumbus azorica), o Melro-preto (Turdus merula azorensis) e o Estorninho (Sturnus vulgaris granti). Este abate foi autorizado pela Secretaria Regional da Agricultura e Ambiente, entre 15 de Junho e 15 de Setembro, nos campos da cultura da vinha das ilhas do Pico e da Terceira.

Em protesto por esta surpreendente medida do Governo Regional foi criada uma petição titulada “Em defesa da avifauna açoriana, pela conciliação da protecção das espécies com uma exploração agrícola sustentável” (http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=DefesaAvifaunaAcores) que já reuniu mais de 300 assinaturas em pouco mais de uma semana, incluindo o apoio de associações ambientalistas locais como os Amigos dos Açores, os Amigos do Calhau e de outros grupos e colectivos.

Os peticionários salientam que estas aves, únicas no mundo, possuem um elevado valor natural e desempenham um papel fundamental na manutenção dos frágeis e ameaçados ecossistemas insulares.

Denunciam também que esta autorização governamental é claramente contrária à legislação europeia existente. Essa legislação confere a máxima protecção ao Pombo-torcaz-dos-Açores, proibindo expressamente o seu abate (Directiva Aves, Anexo I). E proíbe igualmente o abate de qualquer espécie protegida durante o seu período reprodutor, como é agora o caso de qualquer uma das três espécies mencionadas.

A petição critica abertamente as razões utilizadas pelo Governo Regional para tentar justificar esta autorização, isto é, a existência de um excesso de população destas aves e a existência de graves estragos na agricultura. No entender dos peticionários, estes argumentos carecem de estudos científicos que os sustentem e também duma devida e rigorosa avaliação no terreno. Para além disso, o argumento principal de que se trata duma medida excepcional não é minimamente credível.

A petição defende o desenvolvimento de um modelo de agricultura sustentável, respeitosa e em harmonia com o meio natural no qual se insere. Neste modelo, os eventuais danos criados sobre as culturas pela fauna nativa devem ser minimizados por métodos não violentos, como a utilização de dispositivos afugentadores, protecções com redes ou a plantação de culturas alternativas e dissuasoras, sendo igualmente os agricultores compensados pela perda de rendimentos nos casos em que tal não for possível.

Causa estranheza entre peticionários que o abate seja permitido precisamente na Paisagem da Cultura da Vinha da ilha do Pico, que é reconhecida pela UNESCO como um exemplo de desenvolvimento sustentável e que possui locais de um elevado valor para a conservação. No seu entender, esta medida coloca em causa o reconhecimento internacional deste valioso património dos Açores, coloca em perigo a sua visitação pelos turistas durante os meses do verão e impede nele o estratégico desenvolvimento do ecoturismo.


Texto da petição:
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=DefesaAvifaunaAcores



ASSOCIAÇÕES E GRUPOS ASSINANTES:
Amigos dos Açores – Associação Ecológica
Amigos do Calhau – Associação Ecológica
Coletivo Açoriano de Ecologia Social
Avifauna dos Açores






quarta-feira, 10 de junho de 2015

Petição em defesa da avifauna açoriana


O Governo Regional dos Açores autorizou pela primeira vez o abate de três espécies de aves protegidas dos Açores: o Pombo-torcaz (Columba palumbus azorica), o Melro-preto (Turdus merula azorensis) e o Estorninho (Sturnus vulgaris granti).

Foi agora criada uma petição para pedir a retirada imediata dessa autorização:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=DefesaAvifaunaAcores


Por favor, assinem e difundam a petição. Para ser válida, a assinatura deverá ser depois confirmada no email que é enviado pelo portal Petição Pública.

As aves e a natureza dos Açores agradecem.






sexta-feira, 5 de junho de 2015

O Rallye Mata-Priôlos


Será um momento emotivo de reencontro entre o desporto e a natureza. Mais exactamente, entre o desporto que fazem os carros, esses grandes e esforçados desportistas, e a fauna açoriana em perigo de extinção, entre a qual têm um lugar de destaque os nossos priôlos e as nossas narcejas europeias.

Com um bocado de sorte, na saída duma curva, este emotivo reencontro até poderá ser não só de índole espiritual mas também física: um priôlo ou uma narceja poderão ficar graciosamente estampados na parte frontal dum dos velozes e espectaculares carros de corrida.

Se isto já aconteceu há alguns anos nos Graminhais com uma vaca, que não sobreviveu ao embate (o carro, coitado, também não), porque não deverá suceder também este ano o mesmo em relação a estas simpáticas aves? Ainda existem umas quantas dezenas de priôlos no mundo e um punhado de narcejas na ilha de São Miguel, um número mais do que suficiente, talvez inclusivamente excessivo, para assegurar este singular espectáculo de reencontro com a mãe natureza.

Se não fossem os nossos governantes a financiar o “SATA Rallye Açores” e a autorizar, ano após ano, a sua passagem pelo interior da zona protegida de maior valor natural da ilha de São Miguel, constituida pela Serra da Tronqueira e pelos Graminhais, e ainda por cima no inicio da época de nidificação do priôlo, este fantástico e inesquecível reencontro com a natureza, tão físico, tão palpável, nunca teria lugar.

E sem dúvida vale a pena. Vale a pena deitar por água abaixo todo o investimento, regional e internacional, gasto na preservação do priôlo. Vale a pena converter uma zona natural protegida numa absurda e macabra pista de corridas. Vale a pena ignorar as leis nacionais e europeias de protecção das espécies ameaçadas. Afinal, depois de tudo, o rallye poderá ser talvez o único momento entusiasmante de contacto entre os açorianos e a natureza.

Já os turistas estrangeiros podem certamente pensar outra coisa. Mas o que importa a sua opinião e os seus escrupulosos gostos e ideias em relação à natureza ou à protecção das espécies em perigo de extinção. Eles que digam que os Açores não são um excelente destino turístico de natureza. Se tentarem fazer isso, aí estarão novamente os nossos governantes para desmentir a sua visão redutora do mundo, demasiado clarividente e próxima da realidade para ser certa.

Que parvoíce! Não há dúvidas de que a nossa região e os nossos governantes defendem convictamente a natureza. A única coisa que acontece é que a natureza tem o incómodo e feio costume de morrer, sem razão nenhuma, entre as nossas mãos.






quarta-feira, 3 de junho de 2015

Tempo de antena do PEV

Tempo de antena do Partido Ecologista «Os Verdes», com depoimentos de Manuela Cunha, Joaquim Correia, Tiago Aldeias, Fernanda Pésinho e Heloísa Apolónia, cujo tema central é a Convenção do PEV.