quarta-feira, 9 de julho de 2014

O conceito de solidariedade social da câmara das Velas

A câmara municipal das Velas, na ilha de São Jorge, entendeu apoiar a realização de uma tourada de praça com 3.500 euros. A troco, exigiu a entrega de 50 bilhetes para a referida tourada, que a câmara decidiu distribuir pelas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho.

Ora, imaginemos qual seria a surpresa dos representantes das IPSS ao receber estas 50 entradas, no valor de 70 euros cada uma, para assistir a uma tourada. As IPSS são instituições que precisam do máximo de recursos e de apoios públicos para desenvolver as suas acções de ajuda social aos mais desfavorecidos. Mas aquilo que receberam da câmara das Velas, em vez de um apoio logístico ou monetário, foram umas entradas inúteis cujo valor seria suficiente para alimentar talvez 50 famílias carenciadas durante uma semana.

É este o conceito de solidariedade social da equipa municipal das Velas? Dar entradas para uma tourada? Parece que a câmara pretende brincar com as pessoas mais desfavorecidas e com as IPSS do concelho.

Entretanto a tourada lá se realizou enquadrada na XXVII Semana Cultural das Velas, que ficou assim este ano manchada de sangue e de muita incultura. E entretanto, como se pode apreciar nas fotos da mesma tourada orgulhosamente publicadas pela própria câmara, se calhar os 50 representantes das IPSS foram os únicos espectadores presentes.

No entanto, devemos agradecer à câmara que não pagasse os 35.000 euros que foram solicitados oficialmente à câmara pelos organizadores da tourada, uma tal Tertúlia Tauromáquica Jorgense. Para o mundo da tauromaquia açoriana, que afirma não viver dos subsídios públicos, solicitar 35.000 euros a um município das dimensões das Velas não deixa de ser surpreendente. É pena que a câmara, ainda que com uma quantidade mais modesta, alinhasse em financiar este sangrento e anacrónico espectáculo de tortura animal. É pena que para a câmara o conceito de solidariedade social seja trazer para a ilha se São Jorge as actividades aberrantes de uma minoria retrógrada e não apoiar verdadeiramente aos munícipes das Velas que tanto necessitam de ajuda.



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