segunda-feira, 24 de junho de 2013

Tortura para crianças

A câmara de Angra do Heroísmo organiza novamente este ano, no dia 26 de Junho, uma corrida de touros para crianças. Em tempos de tantas dificuldades económicas, a câmara de Angra não parece ter problemas para gastar novamente 250 mil euros em subsidiar directamente as touradas das festas Sanjoaninas, dentro das quais se inclui esta tourada para crianças.

O facto da entrada a menores de seis anos estar proibida por lei para qualquer espectáculo tauromáquico não parece preocupar a câmara. Também não parece preocupar o governo regional nem a sua Direcção Regional de Cultura. Como já sabemos, com a sua cumplicidade as ilegalidades sucedem-se continuamente neste mundo tauromáquico sem que nunca chegue a haver consequências.

Entretanto temos, como no ano passado, crianças a assistir a um espectáculo sangrento onde os touros são cruelmente espetados com bandarilhas. E onde também algumas crianças são colocadas diante do touro, expondo-as evidentemente a sofrer graves lesões.

É esta a diversão dum sector da população que, no seu curto entendimento, não sabe divertir-se sem fazer mal aos outros. É esta também a diversão dos governantes que, perseguindo os seus interesses, não duvidam em brincar com as leis e com a saúde e bem-estar das crianças. E é este também o destino do dinheiro que, pago por todos nós nos nossos impostos, deveria servir para financiar a educação, a saúde, a cultura… mas que afinal acaba por financiar espectáculos de tortura animal que constituem uma autêntica aberração para a educação, para a cultura e para a saúde física e mental das crianças.





Espectáculo para crianças - 27/06/2012


quinta-feira, 20 de junho de 2013

A economia ruinosa da tortura animal

O estado português gasta anualmente 16 milhões de euros em subsídios para touradas. Nos Açores o “negócio” da tortura animal é um autêntico buraco negro para a economia regional, e especialmente para a economia terceirense. Comunicado do Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia dos Açores (MCATA):


MCATA manifesta que as touradas não trazem nenhum benefício económico.

Muitas vezes é afirmado que as touradas são uma mais-valia económica para a ilha Terceira, por movimentar um importante volume de negócio no sector da venda de comidas e bebidas. Mas a verdade é que estes benefícios, que favorecem um sector económico certamente bastante reduzido, não dependem realmente da realização de touradas e sim da realização de qualquer tipo de festividade, como fica demonstrado pela idêntica vitalidade que este sector experimenta nos eventos e festividades sem nenhuma relação com a tauromaquia ou também nas numerosas festas, sem touradas, que acontecem nas outras ilhas.

E se olhamos para o produto mais consumido durante as touradas, a cerveja, vemos que, sendo este um produto importado, produzido fora da região, o seu consumo não traz nem produz nenhuma riqueza. Antes pelo contrário, é dinheiro que sai da região.

Falando propriamente das touradas, estas apresentam muitos aspetos económicos puramente negativos. Para começar, como acontece com qualquer tipo de espetáculos, as touradas não são uma atividade produtiva. Economicamente não produzem nenhuma riqueza nem recursos, unicamente os consomem.

Consomem, por exemplo, o dinheiro que durante as festas do Espírito Santo deveria ser destinado à solidariedade, à partilha, à oferta aos mais carenciados da sociedade, e que no entanto acaba por ser gasto maioritariamente nos touros. É portanto um dinheiro que, longe de respeitar o significado tradicional das festas, longe de ajudar as pessoas necessitadas da freguesia, cada vez mais abundantes nas atuais circunstâncias, é gasto no efémero espetáculo dos touros, sem proveitos, e que ainda acaba por levar algumas pessoas feridas para o hospital.

Consomem também o dinheiro das autarquias, como a de Angra do Heroísmo, que oferece cada ano 150 mil euros só para a realização de touradas de praça. E também consome muito dinheiro que o governo regional deveria destinar a políticas sociais muito mais necessárias mas que acaba, no entanto, por ir parar a futilidades como os 75 mil euros gastos num fórum tauromáquico ou os 150 mil euros gastos num monumento ao touro. Todo somado, o dinheiro público mal gasto no espetáculos das touradas dá uma elevadíssima quantia anual que a ilha, no atual contexto económico, não pode permitir-se desperdiçar por mais tempo.

E ainda podemos falar dos efeitos negativos para a economia que a contínua realização de touradas, mais de uma por dia, acaba por ter na produtividade dos terceirenses. Ou também das pastagens, públicas e privadas, destinadas atualmente para a cria de gado bravo e que não são aproveitadas para a produção de riqueza. Ou também do efeito negativo que as touradas têm sobre o turismo, quando os turistas estrangeiros procuram principalmente um turismo de natureza, oposto ao maltrato animal que é repudiado e considerado ilegal nos seus países.

Assim, para o MCATA fica claro que as touradas são na realidade um enorme buraco negro para a economia da Terceira e que a ilha só ganhava reduzindo o seu número ou mesmo acabando, no futuro, definitivamente com elas.

Açores, 17 de Junho de 2013
A Equipa do MCATA


terça-feira, 18 de junho de 2013

Tempo de antena do PEV

Tempo de Antena do Partido Ecologista "Os Verdes" - Junho 2013.

Com intervenções do deputado do PEV à Assembleia da República, José Luís Ferreira, de vários candidatos do PEV nas listas da CDU e de militantes e activistas do PEV. - BASTA DE AUSTERIDADE!



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Portugal empurrado para o terceiro mundo

As economias e os países do terceiro mundo podem ser definidos por uma série de características, muitas delas infelizmente cada vez mais próximas da realidade portuguesa dos nossos dias:

- Ter uma economia baseada na exportação, na qual o contínuo aumento do volume das exportações é paralelo à diminuição ou inexistência do consumo interno. Tendência a desenvolver monoculturas agrícolas e industriais para essa exportação.
- Falta de auto-suficiência alimentar e dependência externa de recursos básicos como a energia. Grandes infra-estruturas, de tipo faraónico, construídas no país por capitais e empresas estrangeiras.
- Ter uma dívida do país em contínuo aumento e sob o controlo da polícia financeira internacional, como o FMI ou outras organizações neo-coloniais, que obrigam o estado à privatização e venda dos seus recursos naturais e dos seus serviços sociais.
- Política nacional ditada pelo poder económico e financeiro internacional, contando com a colaboração no próprio país de governos nacionais corruptos, apoiados na tirania ou em falsas eleições dominadas por aparelhos propagandísticos.
- Crescentes desigualdades sociais, com um contínuo enriquecimento duma elite privilegiada. Trabalhadores sem direitos laborais e contando com ordenados muitos baixos ou vivendo muitas vezes em condições semelhantes à escravatura, geralmente concentrados em grandes cidades em condições de miséria.


Infelizmente todas estas características que definem os países do terceiro mundo parecem ser, cada vez mais, o rumo político que foi traçado para Portugal pelos últimos e sucessivos governos nacionais, pelos antidemocráticos e despóticos órgãos da União Europeia e pelo poder financeiro internacional representado, também através da Troika, pelo FMI.

Portugal tem actualmente uma economia em contínua recessão na qual unicamente aumentam, ainda que cada vez menos, as exportações, e onde o seu mercado interno se afunda cada vez mais profundamente. Para alimentar a sua população, o país tem de importar 75% dos alimentos que consome. E energeticamente continua dependente da importação do petróleo, apesar de ter o abundante recurso da energia solar e outras energias renováveis.

A dívida externa portuguesa aumenta incessantemente e já supera os 125% do PIB. Esta dívida está governada desde o exterior pela Troika, que obriga assim à privatização e venda dos sectores mais rentáveis do estado e também dos serviços sociais essenciais para a população. Portugal passou de ser um estado soberano a ser um país “intervencionado”. Entretanto no governo nacional sucedem-se as "camarilhas" neo-liberais submissas à Troika, ou directamente ao seu serviço, apoiadas legalmente num falso bipartidarismo democrático.

Os trabalhadores perdem direitos a cada nova e mais recente reforma laboral. Os jovens já só conseguem empregos precários. Os ordenados de funcionários e pensionistas são roubados pelo estado para benefício dos credores internacionais e dos bancos ou grupos económicos nacionais em falência. Entretanto uma elite social continua a ficar cada vez mais rica no meio da crescente miséria do povo português.

No contexto europeu os países do sul são considerados, de forma racista, como povos preguiçosos, exploráveis e descartáveis, sendo o alvo prioritário para a política europeia de roubo, extorsão e aniquilamento: primeiro mediante a especulação sobre as dívidas soberanas dos países, depois mediante os empréstimos agiotas disfarçados de ajuda financeira, e finalmente mediante a privatização e apropriação do próprio estado, submetendo as suas populações a uma definitiva miséria e empobrecimento. Entretanto, o dinheiro recebido dos fundos europeus só serviu para criar inúteis obras faraónicas num contexto político de escuros interesses e de corrupção generalizada.

Portugal entrou há umas décadas na então Comunidade Europeia com a promessa de fazer novamente parte do primeiro mundo, de fazer parte duma sociedade europeia comum, progressista e desenvolvida. Mas os governos neo-liberais e neo-fascistas que entretanto tomaram conta da União Europeia, sempre com a ajuda do FMI e o capital financeiro internacional, não duvidam em empurrar actualmente os países do sul de Europa para o terceiro mundo e para a mais completa miséria, sempre assistidos pela inestimável ajuda dos seus governos títere nacionais.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

A destruição do estado social

Destruição do estado social ou "Reforma do estado". Intervenção do Deputado do PEV, José Luís Ferreira, no âmbito do debate de urgência sobre a reforma do estado e o novo pacote de austeridade apresentado pelo Governo - 29 de maio de 2013.