quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Momentos arrepiantes da campanha eleitoral

Há muito que sabemos que para determinados partidos políticos as eleições são pouco mais que um negócio. O objectivo não é assim a escolha por parte dos cidadãos duns representantes comprometidos com a defesa dos seus direitos e do bem comum da sociedade. O objectivo é simplesmente dar emprego aos seus candidatos e posicioná-los adequadamente para futuros negócios, como são a adjudicação de obras e contratos, a privatização de serviços públicos, a obtenção de cargos de nomeação pública, a obtenção de generosos apoios institucionais, etc. Assim, como no mundo dos negócios, quase tudo parece valer durante a campanha eleitoral, apesar das limitações legais e da fiscalização da CNE. Os exemplos são muitos.


No concelho do Nordeste, o PS organizou, ainda no período de pre-campanha, uma tourada à corda à moda da ilha Terceira. E não contente com isto, ainda convidou depois os munícipes para um “porco no espeto” em casa do candidato à junta de freguesia. Um programa eleitoral imbatível: festa à bruta e estômago cheio! Voltámos assim àqueles tempos antigos em que o voto do povo era ganho dando grandes banquetes e lançando animais para a arena. E ficamos a saber também a triste visão que o PS têm dos munícipes do Nordeste. Mesmo assim, naquela ocasião o porco não deve ter ficado muito bem grelhado, pois o resultado eleitoral do PS nessa freguesia acabou por não ser o melhor.


Bastante perto dali, no concelho da Ribeira Grande, o candidato do PSD à câmara surpreendeu a todos iniciando a campanha com um grande comício para crianças, cheio de atracções infantis e de bonecos das mais famosas personagens dos desenhos animados. Foi um “Mundo Encantado” ao gosto dos eleitores de menos de dez anos, que de facto não existem. Mas mesmo assim a ideia foi boa. Quando não há ideias para discursos ou para comícios a sério, que melhor ideia que gastar o dinheiro da campanha de forma que as crianças se possam divertir um bocado. Elas bem que precisam, conhecendo o futuro negro que, graças à actual governação do PSD, vai ter Portugal. De facto, elas já começam a sofrer esse futuro todos os dias.


Mais ocupado esteve o candidato à câmara do PS, que andou a distribuir por todo o concelho a revista “Ribeira Grande Municipal”. Nesta revista de 44 páginas, paga pelo concelho e por todos os munícipes, o até então presidente da câmara conseguiu a meritória proeza de aparecer em pelo menos 48 fotografias. Certamente uma boa ideia para ele poupar dinheiro na campanha eleitoral que, só por acaso, começava no dia seguinte. Mas afinal estava a dar continuidade a uma velha tradição na Ribeira Grande, pois já o anterior governo do PSD inventou esta revista “municipal” de propaganda eleitoral.


Mais bondoso foi o dirigente do CDS nos Açores que, percorrendo as ruas durante a campanha, encontrou uns velhinhos sentados a uma mesa. Cheio de pena, coitados, entrou numa loja para lhes comprar e oferecer um jogo. Sim, há esperança. Sempre há esperança. Afinal o Pai Natal não aparece só durante as festas natalícias. Pode aparecer também durante qualquer campanha eleitoral. E no CDS sempre há pessoas dispostas a mostrar ao povo como actua um verdadeiro candidato. Não é transmitindo as suas ideias, pois de facto não valem muito, mas sim repartindo rebuçados e outros presentes aos velhinhos. Sim, a esses mesmos velhinhos que têm cada vez mais cortes nas suas miseráveis pensões graças ao governo de que faz parte o CDS.


É para estas e outras coisas arrepiantes que serve a subvenção estatal, que para os três partidos da troika valeu nos Açores (Diário dos Açores, 28/08/2013) perto de um milhão e meio de euros.


Sem comentários: