sexta-feira, 7 de junho de 2013

Portugal empurrado para o terceiro mundo

As economias e os países do terceiro mundo podem ser definidos por uma série de características, muitas delas infelizmente cada vez mais próximas da realidade portuguesa dos nossos dias:

- Ter uma economia baseada na exportação, na qual o contínuo aumento do volume das exportações é paralelo à diminuição ou inexistência do consumo interno. Tendência a desenvolver monoculturas agrícolas e industriais para essa exportação.
- Falta de auto-suficiência alimentar e dependência externa de recursos básicos como a energia. Grandes infra-estruturas, de tipo faraónico, construídas no país por capitais e empresas estrangeiras.
- Ter uma dívida do país em contínuo aumento e sob o controlo da polícia financeira internacional, como o FMI ou outras organizações neo-coloniais, que obrigam o estado à privatização e venda dos seus recursos naturais e dos seus serviços sociais.
- Política nacional ditada pelo poder económico e financeiro internacional, contando com a colaboração no próprio país de governos nacionais corruptos, apoiados na tirania ou em falsas eleições dominadas por aparelhos propagandísticos.
- Crescentes desigualdades sociais, com um contínuo enriquecimento duma elite privilegiada. Trabalhadores sem direitos laborais e contando com ordenados muitos baixos ou vivendo muitas vezes em condições semelhantes à escravatura, geralmente concentrados em grandes cidades em condições de miséria.


Infelizmente todas estas características que definem os países do terceiro mundo parecem ser, cada vez mais, o rumo político que foi traçado para Portugal pelos últimos e sucessivos governos nacionais, pelos antidemocráticos e despóticos órgãos da União Europeia e pelo poder financeiro internacional representado, também através da Troika, pelo FMI.

Portugal tem actualmente uma economia em contínua recessão na qual unicamente aumentam, ainda que cada vez menos, as exportações, e onde o seu mercado interno se afunda cada vez mais profundamente. Para alimentar a sua população, o país tem de importar 75% dos alimentos que consome. E energeticamente continua dependente da importação do petróleo, apesar de ter o abundante recurso da energia solar e outras energias renováveis.

A dívida externa portuguesa aumenta incessantemente e já supera os 125% do PIB. Esta dívida está governada desde o exterior pela Troika, que obriga assim à privatização e venda dos sectores mais rentáveis do estado e também dos serviços sociais essenciais para a população. Portugal passou de ser um estado soberano a ser um país “intervencionado”. Entretanto no governo nacional sucedem-se as "camarilhas" neo-liberais submissas à Troika, ou directamente ao seu serviço, apoiadas legalmente num falso bipartidarismo democrático.

Os trabalhadores perdem direitos a cada nova e mais recente reforma laboral. Os jovens já só conseguem empregos precários. Os ordenados de funcionários e pensionistas são roubados pelo estado para benefício dos credores internacionais e dos bancos ou grupos económicos nacionais em falência. Entretanto uma elite social continua a ficar cada vez mais rica no meio da crescente miséria do povo português.

No contexto europeu os países do sul são considerados, de forma racista, como povos preguiçosos, exploráveis e descartáveis, sendo o alvo prioritário para a política europeia de roubo, extorsão e aniquilamento: primeiro mediante a especulação sobre as dívidas soberanas dos países, depois mediante os empréstimos agiotas disfarçados de ajuda financeira, e finalmente mediante a privatização e apropriação do próprio estado, submetendo as suas populações a uma definitiva miséria e empobrecimento. Entretanto, o dinheiro recebido dos fundos europeus só serviu para criar inúteis obras faraónicas num contexto político de escuros interesses e de corrupção generalizada.

Portugal entrou há umas décadas na então Comunidade Europeia com a promessa de fazer novamente parte do primeiro mundo, de fazer parte duma sociedade europeia comum, progressista e desenvolvida. Mas os governos neo-liberais e neo-fascistas que entretanto tomaram conta da União Europeia, sempre com a ajuda do FMI e o capital financeiro internacional, não duvidam em empurrar actualmente os países do sul de Europa para o terceiro mundo e para a mais completa miséria, sempre assistidos pela inestimável ajuda dos seus governos títere nacionais.


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