segunda-feira, 6 de maio de 2013

Portugal retoricamente contra as abelhas

A União Europeia decidiu estabelecer uma moratória para a utilização de três pesticidas, do tipo neonicotinóides, que diversos estudos têm vindo a demonstrar que causam a morte das abelhas e podem ser responsáveis do acentuado declive das suas populações. As abelhas são fundamentais para a agricultura e algumas estimativas indicam que geram benefícios no valor de 153 mil milhões de euros pela polinização gratuita das culturas.

A favor da presente moratória, que entrará em vigor a partir de dezembro, votaram 15 dos 27 estados europeus. Portugal foi um dos poucos países que votaram contra a suspensão destes pesticidas. O argumento do Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território para justificar o seu voto contrário é no mínimo surpreendente e merece a pena ser lido com atenção:

“Deve ser dada continuidade aos trabalhos já em curso com vista à consolidação dos princípios e das orientações técnicas de avaliação do risco e tomada de decisão relativa aos efeitos dos produtos fitofarmacêuticos em abelhas”.

Percebeu alguma coisa? É normal. De facto, poucos são os eleitos que conseguem apreciar uma demonstração de retórica de tão alto nível. Aliás, esta declaração, tão inspirada e sublime, consegue a meritória proeza de reunir numa só frase um total de dez expressões condicionais para não dizer nada:

Deve ser dada continuidade aos trabalhos já em curso com vista à consolidação dos princípios e das orientações técnicas de avaliação do risco e tomada de decisão relativa aos efeitos dos produtos fitofarmacêuticos em abelhas”.

Nós não percebemos nada. As abelhas também não. Mas, apesar dos esforços deste anti-governo português e apesar da sua servil obediência aos interesses das grandes companhias fito-químicas, muitas abelhas deixarão de ser envenenadas.

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