terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Mais um roubo aos açorianos

Com a privatização da ANA e dos aeroportos de Ponta Delgada, Santa Maria, Horta e Flores, cada vez que um açoriano pretenda viajar para fora da região vai ter de converter-se obrigatoriamente em cliente da empresa francesa Vinci, companhia que ganhou a corrida à privatização da até agora empresa pública aeroportuária.

Mas também, no fim da viagem, quando pretenda desembarcar nos aeroportos de Lisboa, Porto ou Funchal vai converter-se obrigatoriamente em cliente da mesma empresa Vinci, pois estes aeroportos, até agora pertencentes à ANA, também passaram a ser possessão desta companhia.

Assim, cada vez que um açoriano pretenda viajar até o continente ou entre estas ilhas, não vai ter outra alternativa senão ser cliente duma empresa francesa. Cada vez que pretenda exercer o seu direito à mobilidade, muitas vezes mais uma necessidade do que um direito, não vai ter outra alternativa senão pagar portagem a esta empresa e a uns anónimos accionistas franceses que, como é lógico, estão já à espera de obter o máximo lucro possível pelo seu valioso investimento.

A quem é que beneficia então esta privatização? Com certeza que os portugueses em geral, e os açorianos em particular, nada ganham com ela. Os cidadãos portugueses passaram de pagar por utilizar um serviço que era seu, sendo do estado, para agora pagar por utilizar o mesmo serviço que é propriedade de uns accionistas franceses. Dantes o dinheiro pago pela utilização dos aeroportos era pago a uma empresa pública portuguesa e servia para assegurar o bom funcionamento destas infra-estruturas. Agora a situação é muito diferente. O dinheiro vai em parte para fora de Portugal e o que fica no nosso país serve unicamente para assegurar um funcionamento precário dessas mesmas infra-estruturas.

As leis do mercado e o legítimo direito dos investidores de obter o máximo lucro vai fazer com que a empresa, numa situação de quase monopólio, só tenha interesse em garantir o mínimo de qualidade no funcionamento dos aeroportos. E não duvidará em qualquer momento em deixar cair ainda mais essa qualidade, especialmente nos aeroportos mais pequenos, quando entenda que com isso vai obter mais benefícios para os seus accionistas.

Então quem ganha com a privatização da ANA? Pois quem ganha sem dúvida é o governo “não-demissionário” do PSD/CDS, que com esta venda obtêm mais 3.080 milhões de euros para enterrar nas contas públicas do estado. Foi esta uma lucrativa operação na qual o actual governo roubou ao povo os aeroportos, que eram património público de todos os portugueses, e os vendeu no estrangeiro por um bom dinheirinho que servirá, através do orçamento de estado de 2013, para encher alguns dos buracos financeiros dos seus amigos da banca e das parcerias público-privadas. Ou servirá talvez para realizar mais algumas contabilidades criativas, como aquela que recentemente levou o governo a vender a concessão do serviço público de aeroportos à ANA, a empresa pública que já tinha a concessão do serviço público de aeroportos!

Mas quem também ganha com esta operação é a Troika, e todos os grupos financeiros que se escondem por trás dela, que continuam com o seu negócio de privatizar os direitos e os serviços básicos de Portugal e dos portugueses. E ganham especialmente os accionistas do grupo Vinci e de todos os outros grupos que cada vez mais são os donos do nosso país.

Até quando os cidadãos portugueses e açorianos vão permitir serem continuamente roubados e vendidos? Até quando vão permitir serem governados por ladrões? E até quando vão permitir que esses ladrões mantenham no governo da república os seus tristes fantoches?



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