sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Novo espectáculo ilegal autorizado pela câmara da Lagoa

O que se pode dizer de pessoas que para se divertir precisam dum animal a quem poder acossar, perseguir, maltratar ou mesmo torturar? O que se pode dizer de pessoas que, não conformes com maltratar um animal, necessitam maltratar vários animais para se divertir em conjunto e organizar assim uma festa? E o que se pode dizer de pessoas que, para realizar essas festas, vão procurar os animais a outra ilha, pagam ali os animais, os empacotam em contentores, pagam o seu dispendioso transporte de barco, pagam licenças municipais, pagam a presença policial, pagam a instalação e pagam ainda a publicidade do evento?

O mínimo que se pode dizer é que são muito ricas, com dinheiro a sair-lhes pelas orelhas, que odeiam os animais e que têm alguns transtornos psicológicos, mais do que evidentes quando procuram a diversão com o sofrimento dum outro ser vivo, ou quando associam o divertimento à bebedeira e à violência.


Mas também, o que se pode dizer duma câmara municipal que autoriza e dá as oportunas licenças para a realização deste tipo de eventos de maltrato animal? O que se pode dizer duma câmara municipal que, com grande cumplicidade, permite a publicidade deste evento nas suas ruas? O que se pode dizer duma câmara municipal que ignora as leis regionais e permite que esse evento se realize à revelia das leis? Ou que ignora todos os protestos públicos e as mais de duzentas mensagens que já foram enviadas ao presidente da câmara?

O mínimo que se pode dizer é que esta câmara envergonha todos os cidadãos, sejam munícipes, micaelenses ou açorianos, que envergonha quem respeita as leis e que envergonha quem respeita os animais.

Para o dia 10 de novembro está anunciada a realização duma vacada no concelho da Lagoa, organizada pela Irmandade de São Martinho. Esta vacada conta com licenciamento municipal e tem sido anunciada de formas diversas, incluindo cartazes com elementos gráficos que incitam à violência. A realização desta vacada incumpre ainda as leis regionais (n.º 1 do artigo 49.º do Decreto Legislativo Regional n.º 37/2008/A), que não autorizam a realização deste tipo de manifestações taurinas fora do período compreendido entre o dia 1 de maio e o dia 15 de outubro.

Mas ainda podemos fazer-nos outras perguntas: O que se pode dizer duma região que é publicitada como um paraíso natural, como uma região em contacto directo com a Natureza, mas que depois autoriza toda uma série de eventos chamados tauromáquicos nos quais são maltratados, torturados e algumas vezes até mortos animais? Que se pode dizer duma região que pretende atrair o chamado turismo verde, mas que depois permite, fomenta e financia, mesmo de forma abusiva, espectáculos de ódio e violência contra os animais e contra essa mesma Natureza?

E o financiamento público para este tipo de eventos não pára de aumentar. Mesmo estando em funções, desrespeitando portanto toda a cautela, o governo regional acabou de oferecer agora 2.000 euros a uma tertúlia tauromáquica e 5.000 euros a uma associação de criadores de touros para touradas à corda. Não é de estranhar que, num tempo de crise, sobre o dinheiro aos organizadores deste tipo de eventos.

Desta região, onde é estimulada e financiada publicamente a barbárie, o mínimo que se pode dizer é o que dizem os turistas que são confrontados com estes factos, e que até escrevem muitas vezes para denunciá-los.

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