quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O milho transgénico cancerígeno é bom para os portugueses?


Para partidos como PSD, CDS ou PS, ter tumores como os que apresentam os ratos da fotografia, induzidos pelo consumo de milho transgénico NK 603, é uma coisa perfeitamente normal. Segundo eles, os portugueses não têm razão nenhuma para se preocupar e devem continuar a consumir este tipo de milho, que por decisão expressa destes partidos vai continuar a ser importado e comercializado no nosso país para alimentação humana e animal.

Afinal o que é ter um tumor a mais ou a menos numa parte qualquer do corpo, ou mesmo em várias? Ou que importância tem estar todo cheio de tumores quando pelo contrário, com a proibição do milho que os produz, os enormes lucros obtidos pelos accionistas da multinacional Monsanto, empresa responsável pela criação deste transgénico, ficariam talvez ligeiramente beliscados? Coitados accionistas! Não há dúvidas: mais vale pôr todos os portugueses a criar alegremente tumores por todo o seu corpo – é o que sem dúvida pensam estes três partidos.

E este pensamento ficou agora bem patente na Assembleia da República, onde o Partido Ecologista “Os Verdes” apresentou um Projecto de Resolução que, apelando ao “princípio da precaução”, propunha a imediata suspensão da comercialização deste milho em Portugal. O Projecto teve o voto favorável do PCP, BE e PEV, mas foi chumbado, de forma vergonhosa, com o voto contra do PSD, CDS e PS (este último admitindo só a conveniência de fazer mais estudos sobre o tema).

É muito preocupante o fanatismo ideológico que manifestam estes partidos, sempre contra qualquer princípio que seja científico, que defenda a saúde ou o ambiente. E especialmente, contra qualquer princípio que ponha em causa os interesses económicos das multinacionais estrangeiras, que nada têm a ver com o nosso país. Desta forma, estes três partidos chegaram ao ponto de subverter por completo o “princípio da precaução”. Assim, eles consideram que um produto que aparentemente cria problemas à saúde só deve ser retirado do mercado quando se demonstre claramente que produz esses problemas. Isto quando o “princípio da precaução”, como é bem sabido, exige a retirada imediata do produto e a sua eventual readmissão só no caso de ser demonstrado claramente que não produz esses problemas.

Mas de facto, estes partidos nem sequer devem saber ou ter ouvido falar do “princípio da precaução”, pois o próprio deputado do PSD que falou na Assembleia sobre o tema, para surpresa de todos, referiu-se repetidamente ao “princípio da preocupação”, em vez de ao “princípio da precaução”. E é mesmo para preocupar-se com a sua ignorância.

Os ratos das fotografias são o resultado dum recente estudo científico que, seguindo a mesma metodologia utilizada pelas multinacionais para demonstrar a inocuidade do milho transgénico, decidiu no entanto prolongar o tempo dessa experiência para além dos três meses habituais, chegando até aos dois anos. E os resultados são evidentes, com os ratos sofrendo numerosos tumores e doenças graves no fígado e nos rins. Ora, por ser uma experiência única, por não ter sido repetida mais vezes (o que implicaria um trabalho de vários anos), não é possível dizer que os resultados desta experiência sejam completamente conclusivos. E foi esta precisamente a desculpa arranjada pelas multinacionais, e surpreendentemente também pelos deputados da maioria, para atacar e denegrir o estudo, acusando os cientistas responsáveis de alarmistas, ideólogos e falsários.

De facto, tudo isto dá que pensar. Será que os tumores já estão a afectar o raciocínio dalguns deputados da Assembleia? Ou será que nunca o tiveram?

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