sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Governo regional gasta mais dinheiro em touradas

Estamos a assistir a um momento histórico em que tanto a tauromaquia como outros espectáculos baseados na tortura animal estão a ser progressivamente banidos de todos os países onde a sua prática ainda é permitida. Após a recente proibição das touradas nas Canárias e na Catalunha, na Espanha, têm-se multiplicado, um pouco por toda parte, os passos dados para a proibição definitiva das touradas em todo o mundo, sendo cada vez maior a pressão social para que isto aconteça.

No Equador um referendo proibiu recentemente as touradas em grande parte das províncias do país. Esta mesma proibição pode agora vir a acontecer também na capital de México. Mas noutras cidades, como Valera, na Venezuela, esta proibição já é uma realidade. Na Nicarágua, o parlamento aprovou, com 74 votos a favor e cinco contra, a proibição de qualquer tipo de tourada sangrenta no país, impedindo-se ferir ou matar os touros em qualquer tipo de festa tradicional. Em Nova Friburgo, no Brasil, foram proibidos os rodeios e similares. E para salvaguardar as crianças dum tipo de espectáculo tão violento e sádico, no Equador os menores de idade têm já proibida a entrada nas touradas, e seguramente vai também ser proibida no Peru.

O mundo evolui. Mas os Açores, longe de estarem na vanguarda dessa evolução, parecem querer ficar no último lugar. E ainda por cima, vão pagar um bom dinheiro para poder ficar nessa última e vergonhosa posição.

Assim, o governo regional decidiu oferecer 75.000 € para financiar a realização na Terceira do chamado “II Fórum Mundial da Cultura Taurina”. Dinheiro dos contribuintes que vai somar-se àquele oferecido também pelas câmaras de Angra e Praia. Mas o apoio dado agora ao Fórum não é uma novidade, é simplesmente mais um dos muitos apoios dados pelo governo regional ao projecto “Taurotur”, um delirante projecto da Tertúlia Tauromáquica Terceirense que pretende atrair turistas às ilhas açorianas para assistir a… touradas. Grande ideia! E ainda por cima, como já foi dito, para o “sucesso” deste projecto é reclamada a aprovação de nova legislação que permita a realização nos Açores de espectáculos cada vez mais violentos e sangrentos, como a sorte de varas e as touradas de morte.

Quando os Açores têm tantos problemas nas contas públicas, tantos problemas para financiar serviços básicos como a saúde ou a educação, surpreende a alegria e a generosidade com que o governo regional deita dinheiro público, uma vez após outra, no buraco sem fundo das touradas e nos eventos com elas relacionados.

De nada parecem ter servido as centenas de mensagens de protesto enviados ao Governo e à Assembleia Regional por cidadãos açorianos e estrangeiros para protestar contra a realização deste evento e contra o uso nele de dinheiros públicos.

É verdade, este Fórum conseguiu o seu propósito de situar os Açores no meio do panorama mundial. Infelizmente, situaram-nos como uma nódoa. Corresponde aos cidadãos açorianos continuar a mobilizar-se para limpar a imagem internacional e o bom nome das suas ilhas.

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