sexta-feira, 24 de junho de 2011

A barbárie e a corrupção continuam

As touradas, máxima representação do sadismo institucionalizado com animais, vão desaparecendo progressivamente de todos os países onde até agora eram consideradas uma tradição. Na Espanha já foram proibidas em duas regiões: as ilhas Canárias e a Catalunha, e em muitos municípios espalhados por todo o país. No Equador, como consequência dum recente referendo popular, foram proibidas em quase todas as suas províncias. Na Nicarágua, não sendo banidas, a lei exige agora que os animais não sofram qualquer dano, devendo os touros estar munidos com umas protecções especiais. Outros países proibiram as touradas no passado, como o Uruguai. E mesmo aqui, em Portugal, a maioria das pessoas (56,1%) é já contra a realização de touradas.

Os Açores, no entanto, parecem ser o único lugar do mundo onde este tipo de barbárie, longe de ser combatida, é fomentada e acarinhada pelas instituições públicas. Nas últimas décadas, por exemplo, a realização de touradas à corda na ilha Terceira quase que duplicou. E o número de touradas não tradicionais é já superior ao de touradas tradicionais, o que demonstra que o que está em causa não é a manutenção duma tradição. O que está em causa é uma opção decidida de fomento deste tipo de espectáculos, que são tão degradantes para as pessoas que os realizam como para os animais que os sofrem.

E este fomento, mesmo numa época de crise e ajustes orçamentais, traduz-se numa enorme quantidade de dinheiro público que é desviado para esta indústria mafiosa: 150.000 € do governo regional para um monumento ao touro, 4.500 € da câmara de Angra do Heroísmo para apoio a uma associação tauromáquica, 3.500 € da Secretaria Regional de Economia para apoio a uma tourada à corda… Com montantes conhecidos ou não conhecidos, os exemplos multiplicam-se.

O mais recente acto de glorificação institucional desta indústria aconteceu recentemente, no mês de maio, em Lisboa. A grande festa da tauromaquia açoriana conseguiu levar à praça do Campo Pequeno mais de 1.500 terceirenses, incluindo touros, ganadeiros, forcados e bandas filarmónicas. E tudo isto num dia útil, com pessoas faltando ao seu trabalho. E claro, lá estava o presidente do governo regional, em época pre-eleitoral, a presidir o vergonhoso espectáculo. Ainda que o homem, coitado, acabou por ser vaiado pelos assistentes: não calculou que, com a excitação e o cheiro quente do sangue, os aficionados iam lembrar-se do seu passado voto contra a legalização da sorte de varas.

Mas, apesar destes sobressaltos, a ligação do poder institucional com o negócio da tortura animal continua muito saudável. Neste ano, as comemorações do Dia da Região, organizadas pela presidência da Assembleia Regional e pela presidência do governo, incluíram uma tourada à corda. As altas personalidades da região, dando mais uma vez o exemplo, transmitiram a mensagem de que os animais, se estão neste mundo, é para poderem ser maltratados e torturados. E este exemplo ainda continua com o apoio do governo à Rota do toiro (um projecto turístico destinado a afugentar os turistas), os perto de 400.000 € gastos cada ano pela câmara de Angra em touradas de praça ou as repetidas tentativas de levar touradas a outras ilhas onde não existe essa tradição.

O mundo evolui. Mas os Açores, à margem do mundo civilizado, regridem com grande orgulho e entusiasmo dos seus governantes. A barbárie e a corrupção continuam…

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Produzir e consumir local

Produzir e consumir local – uma chave para o desenvolvimento

Eleições decorridas, em marcha “os preparativos” para tomada de posse da Assembleia da República, o PEV forma Grupo Parlamentar e é tempo de começar a propor soluções para este país.

Uma das temáticas que os Verdes levarão ao novo Parlamento, prende-se com o incentivo ao consumo local e à produção nacional.

Este país, mal governado como tem sido, tem um défice alimentar de mais de 70%, atingindo um valor superior a 3 mil milhões de euros e concorrendo directamente para o engrossar da nossa dívida.

A perda de solo agrícola útil tem sido uma constante, com efeitos bastante preocupantes do ponto de vista do despovoamento, da desertificação e do abandono de áreas fundamentais para o desenvolvimento e auto-sustentação do país. Isto para além do crescimento do desemprego com contributo directo desta área, que viu desaparecer mais de 300 mil pequenas explorações agrícolas nos últimos 20 anos, ao que não é alheio o facto das ajudas à produção estarem sobejamente mal distribuídas, levando a que 3% das explorações “engulam” 60% do total de apoios).

Certo é que esta realidade decorre, não da falta de potencialidades do país (as quais são abundantes), mas sim de concretização de políticas que têm promovido o abandono deste sector (como de outros, de resto), tornando-nos mais e mais dependentes do exterior e com um endividamento sempre crescente.

O PEV lançou, ao nível nacional uma campanha com vista a sensibilizar os cidadãos para a preferência de produtos nacionais e para o incentivo à multiplicidade de agricultura de pequena escala, que é sempre aquela que mais se compatibiliza com exigências ambientais e que melhor serve evoluções sociais.

Também na Assembleia da República, os Verdes apresentarão um projecto de lei que visa estabelecer a obrigatoriedade da presença de produtos alimentares portugueses nas grandes superfícies comerciais, através da fixação de uma quota que obrigue a grande distribuição a garantir o direito dos consumidores à compra de produtos locais e o direito ao escoamento dos produtores nacionais.

É tempo de revitalizar o mundo rural, é tempo de perceber que este país empobreceu quando destruiu o mundo rural e a agricultura, é tempo de perceber que a agricultura é determinante para a redinamização da nossa economia. Mas é preciso que se perceba, igualmente, que não há agricultura sem agricultores. É tempo, pois, de que estes sejam respeitados e dignificados.


Heloísa Apolónia, Deputada de "Os Verdes".
Setúbal na Rede: http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=14994

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Novo mapa da Europa

Acabadas as eleições, o programa político do FMI para Portugal vai começar a sair à luz. E finalmente os portugueses vão perceber as autênticas medidas defendidas em uníssono pela troika de partidos do FMI: PS/PSD/CDS.

Estes partidos estão agora a estrear uma nova e flamante repartição do poder. Mas este poder de muito pouco vai valer-lhes se finalmente for concretizado o novo modelo de mapa da Europa defendido pelo FMI. É que os recortes e as medidas de austeridade previstas no acordo com o FMI, que visam anular todos os direitos sociais e a dignidade das pessoas, também hão de chegar aos tinteiros com que são impressos os mapas. Assim, o novo mapa da Europa bem pode ser parecido ao seguinte:


Nesta nova Europa neo-liberal alguns países como Portugal simplesmente vão desaparecer. Mas não é por arte de magia. A explicação, na realidade, é muito simples. Primeiro, a União Europeia criou o euro para pôr num único mercado economias que eram muito diferentes, umas mais fortes e outras mais fracas. Depois, o Banco Central Europeu criou o Pacto de Estabilidade e Crescimento para aumentar essas diferenças e endividar progressivamente os países mais fracos. E finalmente, o FMI criou as suas “ajudas”, isto é, o programa político que, a troco de alguns ansiados dinheiros, deve ser aplicado por estes países endividados para desta forma conseguir a venda e definitiva liquidação destas economias mais fracas, sem direito a existir na nova Europa. A chamada troika (UE/BCE/FMI) está assim a conseguir concretizar facilmente o seu bem planificado negócio.

Consegue perceber-se que a troika faça tudo isto, pois a sua motivação é simplesmente o dinheiro. No entanto, muito mais difícil é tentar explicar, em Portugal, a motivação dos partidos do FMI para ir aceitando todo este negócio e assinando todo tipo de tratados e de acordos que vão apagando progressivamente do mapa o nosso país. Mas neste processo devem cair algumas migalhas e seguramente estes partidos lá se devem ir conformando com elas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Resultados eleitorais

ELEIÇÕES REFORÇAM CDU - “OS VERDES” ALERTAM PARA OS TEMPOS DIFÍCEIS QUE AÍ VÊM

A Comissão Executiva Nacional do Partido Ecologista “Os Verdes”, reunida hoje na sua sede em Lisboa, fez a seguinte apreciação dos resultados eleitorais:

Nas eleições do passado domingo, a CDU vê reforçado o número de deputados eleitos, o que representa um voto de confiança nesta coligação de esquerda, composta pelo PEV e pelo PCP.

A campanha de forte esclarecimento sobre o que estava em causa no dia 5 de Junho, agregada a um trabalho desenvolvido no decurso da passada legislatura, de forte determinação, denúncia e apresentação de propostas sustentáveis para o país, levou à consolidação deste resultado, para o qual concorreram não apenas as dezenas de candidatos da CDU, mas também milhares de simpatizantes e activistas que generosamente se prestaram a um amplo esforço de esclarecimento e de contactos directos e regulares com a população.

O PEV não pode deixar de considerar preocupante a campanha tendenciosa verificada nalguns meios de comunicação social, nos discursos de diversos e variados comentadores e “politólogos”, prestando a ideia de que se estaria a escolher um Primeiro Ministro e a decidir entre Sócrates e Passos Coelho, contribuindo assim para uma ideia de voto útil que só beneficia os partidos a que confusamente entenderam chamar de “arco do poder”. Mais, estes meios contribuíram para vincar a ideia, tão cara ao PS, PSD e CDS, de que o memorando da troika era algo inevitável, o que, inegavelmente, poderá ter condicionado o voto de muitos portugueses.

A leitura que o PEV faz da derrota eleitoral do PS, é de que não há maioria parlamentar e governo que se sustente quando governa contra o povo. Estamos em crer que o resultado eleitoral do PSD e do CDS não se sustenta tanto numa crença de viragem política, mas antes numa necessidade imediata de penalização do PS pelas políticas prosseguidas. O PSD e o CDS não abrem caminho para um rumo diferente de orientações políticas, antes as irão consolidar, o que leva o PEV a crer que, a muito curto prazo, o descontentamento será profundamente demonstrado pela generalidade dos portugueses, designadamente quando as medidas da Troika começarem a produzir os seus efeitos (perda de poder de compra, recessão e aumento substancial do desemprego).

Perante esta perspectiva, “Os Verdes” afirmam que a sua postura parlamentar continuará a pautar-se por uma séria denúncia a atrocidades políticas cometidas e à apresentação de propostas alternativas que conduzam o país a uma lógica de desenvolvimento económico, sustentado numa base de políticas sociais consolidadas.

Se a elevada abstenção destas eleições reflecte muito o cansaço de políticas que esmagam a vida das pessoas, o PEV continua a dizer que a abstenção não é a solução. Assim, o apelo que o PEV faz é para que os cidadãos não se abstenham de participar e de agir em defesa do seu país e da dignidade do seu povo.

Com a eleição de dois deputados, José Luís Ferreira por Lisboa e Heloísa Apolónia por Setúbal, “Os Verdes” irão constituir Grupo Parlamentar e, com determinação e empenho, serão voz ecologista na Assembleia da República, em todas as suas dimensões (económica, social e ambiental).

Lisboa, 8 de Junho de 2011.
A Comissão executiva Nacional do PEV.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Tempo de antena - 3

Tempo de Antena da CDU para as Eleições Legislativas 2011, com intervenções dos Candidatos do Partido Ecologista "Os Verdes", nas listas da CDU.

Com intervenção de Daniel Gonçalves, candidato de "Os Verdes" pelos Açores.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

O coro de anjinhos do FMI

Afinal quem é que está em crise!

Num momento em que mais de 800 mil portugueses estão desempregados, ou quando 40% das crianças portuguesas vivem em situação de pobreza, são conhecidos os lucros do grandes grupos económicos portugueses.

Só no primeiro trimestre do ano este conjunto de empresas garantiram mais de 1.500 milhões de euros de lucros, correspondendo a 17 milhões de euros de lucros por dia!

Com a política de direita dos partidos do FMI, de submissão do interesse nacional aos ditames da banca e grandes grupos económicos, quem paga a crise são os trabalhadores e o povo.

Basta de política de direita, basta de PS, PSD e CDS. Por uma política patriótica e de esquerda, pela defesa do interesse nacional contra os interesses do FMI e do grande capital, no próximo domingo reforça a CDU!

Coligação Democrática Unitária