sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lagoa das Furnas: jóia turística?

As lagoas de São Miguel, as lagoas de Sete Cidades, do Fogo e das Furnas, são sem dúvida um dos maiores atractivos turísticos da ilha. São uma das jóias naturais que desde sempre atraem e encantam os nossos visitantes. Todos os folhetos turísticos incluem numerosas fotografias destas três lagoas, mostrando a sua impressionante beleza, o espelho das suas águas límpidas, a maravilhosa elegância das paisagens que as envolvem.

Mas entretanto chega o verão, a temperatura aumenta e as coisas… mudam um bocado. A Lagoa verde e a Lagoa azul, nas Sete Cidades, perdem as suas afamadas e características cores. A Lagoa verde passa a ter uma cor amarela, enquanto que a Lagoa azul, por sua vez, vai ficando cada vez mais verde. A lagoa das Furnas, que anda ultimamente com uma cor algo esverdeada, muito diferente da límpida cor azul do passado, passa a ter uma cor verde cada vez mais intensa, escura e baça. Pior ainda, nalgumas das suas margens a água chega a estar coberta por uma camada sólida de espuma branca e azul com um cheiro insuportável.

Estas terríveis mudanças são consequência da eutrofização das lagoas, que tem atingido nos últimos anos um nível inquietante. A chegada às águas de fertilizantes químicos, aplicados nas pastagens situadas à sua volta, provoca todos os verões um crescimento descontrolado de algas. E são estas algas as responsáveis por estas mudanças de cores e odores das águas.

Precisamente na Lagoa das Furnas, muito perto destes terríveis odores, teve recentemente lugar a inauguração, com toda pompa e circunstância, dum custoso empreendimento governamental. Situado nas margens da lagoa, numa zona até então não edificada, este misterioso empreendimento dá pelo nome de “Centro de Monitorização e Investigação”. E foi durante a sua inauguração que o governo regional mostrou o seu optimismo sobre os resultados do projecto, em curso, de requalificação da bacia hidrográfica da Lagoa das Furnas. Este projecto tem como principal objectivo acabar com a eutrofização da lagoa mediante a compra de terrenos, a retirada das pastagens e a posterior arborização do solo.

No entanto, nem todo este optimismo parece suficiente para evitar a degradação e os maus cheiros que actualmente se repetem na lagoa todos os anos durante os meses de verão. Longe de ser um emblema da beleza natural das nossas ilhas e um atractivo para o turismo, a Lagoa das Furnas converte-se numa espécie de repelente para qualquer pessoa que tente passear pelas suas margens. E esta é uma situação que os Açores e o seu turismo não podem permitir-se por mais tempo, exigindo medidas imediatas.

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