sexta-feira, 6 de maio de 2011

Universidade, sadismo e negócios

Mais uma vez a Universidade dos Açores vem à rua mostrar ao público o que de pior há no seio desta instituição. Bem longe, quase esquecidos, parecem ficar os seus nobres ideais de elevar a cultura e a educação do nosso povo açoriano, ideais que exemplarmente nortearam a sua fundação. Neste momento a Universidade, longe de pretender formar cidadãos cultos e responsáveis, parece querer contribuir para a degradação da condição humana.

O sadismo é definido pelo dicionário como “perversão que consiste em tirar prazer do sofrimento alheio”. Mais vergonhoso resulta esse sadismo quando o dito prazer é tirado de pessoas mais fracas ou indefesas, ou mesmo de animais. Ora, o que a garraiada organizada este ano dentro da Semana Académica da Universidade dos Açores pretende e mesmo isso: tirar prazer e diversão do sofrimento exercido sobre um animal. Pode haver coisa mais divertida que abusar de alguém mais fraco? Pode haver coisa mais extraordinariamente divertida que maltratar um animal? …E todo para grande diversão e entusiasmo duma rapaziada sádica e descerebrada que, quem diria, frequenta o ensino universitário.

Afinal, o que revela tudo isto sobre a qualidade de ensino da universidade açoriana? Leve os seus filhos a Universidade dos Açores, pague grandes propinas e garanta com isso que os seus filhos ficam mais burros, periodicamente bêbedos e ainda aprendem a divertir-se maltratando animais. Rica inversão para as cada vez mais difíceis economias familiares!

Mas a autêntica questão é quem faz negócio com tudo isto. Tal como anuncia o cartaz da grande festa a realizar em Ponta Delgada, os animais maltratados são novilhos trazidos da Terceira (ganadaria de João Gaspar). E ainda são trazidos também vários macacos da Tertúlia Tauromáquica Terceirense para ensinar aos estudantes micaelenses as formas mais divertidas e engraçadas de torturar os animais. Há muito dinheiro envolvido nesta festa. E não são, de certeza, os estudantes a pagar todas estas viagens e deslocações. Quem paga esse dinheiro é o negócio que está por trás da realização destas e outras touradas na ilha de São Miguel. É um negócio que, só na ilha Terceira, move um volume de dinheiro que poderia estar a volta do milhão de euros por ano. É um negócio que vê na ilha de São Miguel uma grande oportunidade de ganhar ainda mais dinheiro, uma grande oportunidade de perpetuar uma indústria que faz do sadismo e dos muitos subsídios públicos que recebe o seu bem lucrativo negócio.

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