segunda-feira, 2 de maio de 2011

A pena de morte e a Europa

Ilude-se quem pensa que a pena de morte, nos nossos dias, não faz parte da cultura europeia. Ilude-se quem pensa que é um acto bárbaro condenado pelo nosso actual e civilizado pensamento europeu.

A sua morte é uma grande conquista”, segundo o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. “Acordámos num mundo mais seguro esta manhã”, segundo o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek. “É um grande sucesso”, segundo o primeiro-ministro britânico, David Cameron. “As forças de paz foram bem sucedidas na noite passada”, segundo a chanceler alemã, Angela Merkel. “Esta é uma grande conquista”, segundo o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair. “É uma enorme vitória”, segundo o ministro da Defesa português, Santos Silva.

Surpreende esta ferocidade nas declarações dos governantes e dos altos mandatários europeus. E tudo isto em relação à morte violenta duma pessoa… Morte? Assassinato? Execução? Pessoa? Herói? Demónio? A realidade tem aqui diferentes nomes.

Deveriam ser os altos mandatários desta nova Europa, desta Europa que se diz civilizada, os primeiros a defender os direitos humanos em qualquer lugar do mundo e em quaisquer circunstâncias. Mas afinal a refinada civilização europeia é só para aplicar dentro das próprias fronteiras. Fora delas, mais uma vez, é só a barbárie: no Afeganistão, na Líbia, em Guantánamo…

E agora, com esta morte, os aliados ocidentais vão ter de inventar –que chatice– um novo culpado para todos os males do mundo, um novo inimigo para poder justificar novos e reiterados atropelos contra os direitos humanos nesta luta gloriosa e interminável contra o chamado eixo do mal.

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