segunda-feira, 21 de março de 2011

Impor a paz semeando a morte

Os grandes senhores da NATO, heróicos defensores da liberdade e da paz mundial, lá encontraram um novo país, desta vez aqui mais perto, para poder bombardear. Um outro país onde, em nome da paz, ir realizando as suas pequenas e sórdidas matanças de luva branca. Aparentemente a Jugoslávia, o Iraque e o Afeganistão, países onde a paz e a liberdade já resplandecem, não eram troféus suficientes para eles.

Foi como um raio de luz despontando subitamente do céu. Dum momento para outro, todos os países ocidentais descobriram que o seu grande aliado de tantos anos, o tirano que durante várias décadas governou os destinos da Líbia, não prestava. E também descobriram que todo o arsenal de armas que lhe tinham vendido estava a ser utilizado para acabar com a crescente revolta, já de contornos militares, de grande parte do povo líbio. Dito com palavras mais claras: os países ocidentais descobriram agora, com a guerra civil na Líbia, a aliciante possibilidade de fazer um grande e novo negócio com os enormes recursos petrolíferos deste país.

Só faltava uma desculpa para o ataque, que neste caso foi a declaração por parte da ONU duma zona de exclusão aérea na Líbia. Foi a desculpa que faltava para fazer a única coisa que, aparentemente, só sabe fazer a NATO: bombardear, destruir e matar. Afinal, será assim tão divertido ir para um país qualquer, de preferência do terceiro mundo, para matar pessoas? Alguns bombardeamentos franceses e 110 mísseis norte-americanos mais tarde, algumas noticias apontam para pelo menos 64 pessoas mortas. Todas do lado líbio, claro, pois a alta tecnologia da NATO em nada se compara à tecnologia de baixa qualidade vendida à Líbia.

Como diz o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, "o que está a acontecer na Líbia difere do objectivo de imposição de uma zona de exclusão aérea, e o que nós queremos é a protecção dos civis e não o bombardeamento de mais civis”. Ou como diz também o presidente do Uruguai, José Mujica, “salvar vidas com recurso a bombas é um contra-senso inexplicável”.

No nosso mundo, as missões de paz deixaram de existir. Já só existem missões militares destinadas a impor a paz semeando a morte. Mas, sobretudo, destinadas a satisfazer a ânsia desmedida por petróleo do cada vez mais decadente mundo ocidental.

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