segunda-feira, 14 de março de 2011

Aberração pesqueira

Os Açores devem ser o único lugar do mundo onde os pescadores vão ao mar capturar peixe para depois encher com ele os aterros sanitários. O nosso arquipélago deve ser uma terra onde o dinheiro, a comida e os recursos naturais são de tal forma abundantes, aparentemente, que o melhor destino a dar ao peixe capturado no mar é o mísero aterro sanitário. Ou então é uma terra pobre em inteligência e organização que se obstina, ano após ano, em manter uma política pesqueira de características aberrantes, ou mesmo criminosas.

Mais uma vez, na ilha de São Miguel deitam-se toneladas de peixe no aterro sanitário todas as semanas. Infelizmente, não é uma situação nova, pois acontece há já vários anos (ver 19/03/2010). Tempo demasiado curto, aparentemente, para certas pessoas poderem sequer pensar numa solução simples e adequada para este problema. Ou então demasiado longo para essas mesmas pessoas, de muita fraca memória, se lembrarem de que o problema existe.

Em apenas três dias, durante este mês, foram deitados no aterro de São Miguel 4,5 toneladas de chicharro (ver RTP Açores, Telejornal 04/03/2011). Afinal, é este o inevitável destino de cerca da metade das capturas deste malfadado peixe. E ainda devemos ficar contentes por existir já um limite para a sua captura, cifrado em 350 kg para cada um dos 14 barcos com a respectiva licença. Assim, com este apurado limite e com uma gestão tão inteligente das capturas é possível ir enchendo o aterro lentamente, sem que este fique cheio já no primeiro dia.

Esta situação vergonhosa e absurda representa um terrível esbanjamento dos recursos naturais da região, um insulto para todas aquelas pessoas que passam fome, e também um extermínio inaceitável de milhares e milhares de animais que são mortos só para ser atirados ao lixo. Ante tamanha aberração, será necessário pedir a demissão de alguém? Será preciso dizer que a política das pescas na região deve mudar radicalmente, e o mais cedo possível?



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