sexta-feira, 19 de novembro de 2010

NATO, Requiescat in Pace

No nosso país assistimos cada dia a grandiloquentes discursos sobre a imperiosa necessidade de contenção das contas públicas do Estado. Contenção esta que, curiosamente, nunca se traduz num recorte dos enormes benefícios dos grandes grupos financeiros. Na realidade, esta contenção quase sempre se traduz, exclusivamente, num abusivo recorte dos direitos sociais e constitucionais dos cidadãos portugueses mais modestos.

Ninguém sabe dizer ao certo o motivo pelo qual isto assim acontece. Mas os actuais governantes inventaram um termo para referir-se a este estranho fenómeno: é a chamada inevitabilidade… Pois sim, inevitável… Mas afinal isto é coisa que já toda a gente sabia, desde há muitos séculos: é inevitável sofrer nesta vida quando se é pobre e não se tem dinheiro. E é bem sabido que sempre houve e haverá governantes, democráticos ou não, que inevitavelmente tratem disso.

No meio desta discussão sobre a contenção das contas públicas, debate-se muito, por exemplo, sobre um buraco no Orçamento de 2011 por valor de 500 milhões de euros. Grande problema, sem dúvida. Especialmente quando se acabou de injectar outros 400 milhões no BPN (já passam de 4.000 milhões), para poder vendê-lo logo por 180 milhões. Diga-se de passagem: grande lição de aritmética, e grande negócio!

Mas como o dinheiro público, na realidade, jorra abundantemente pelo país sem que ninguém saiba muito bem como gastá-lo, lá se inventou uma nova festa onde poder esbanjá-lo. Esta festa chama-se “Cimeira da NATO” e tem já um orçamento oficial de 10 milhões de euros. Infelizmente, os senhores da NATO são muito ricos e não vão deixar o pobre estado português pagar toda a conta. Os portugueses vão pagar só metade da conta, 5 milhões. Tudo o resto é pago pela UE e pela NATO. A boa notícia é que Portugal faz parte destes dois grupos, pelo que contribuirá também para esta parte da factura.

Com motivo desta festa, e sem dúvida para estimular a economia nacional, o governo português vai comprar no estrangeiro carros blindados e outro material anti-distúrbios pelo valor de 1 milhão de euros. É certamente um equipamento absolutamente necessário para combater esses tontos manifestantes que vão congregar-se em Lisboa em defesa da paz.

A paz… afinal, o que é que se ganha com a paz? Pelo contrário, a continuidade de grandes e importantes organizações militares como a NATO justifica-se precisamente pela existência da guerra, de novas e sempre mais sangrentas guerras. Justifica-se pela necessidade de defender o mundo livre de… bom, das ameaças terroristas. Por exemplo, com todas essas acções terroristas que a NATO realiza no Afeganistão, no Iraque… é evidente que precisamos duma organização como a NATO para lutar contra esse terrorismo.

Ainda por cima, a NATO é uma organização muito importante para a economia mundial, pois os países que formam parte esta organização são responsáveis por dois terços dos gastos militares de todo o mundo. Pois sim, efectivamente, o planeta Terra ficou demasiado pequeno para o seu potencial militar e de armamento. Mas o que interessa isso?

Assim, todo este abundante dinheiro público gasto por Portugal na promoção da guerra e do sofrimento da humanidade é, afinal, dinheiro bem empregue. Ou você acha que não?

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