segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A cimeira dos vendavais

Começou a conferência climática de Copenhaga, da qual deverá sair um novo acordo para combater o aquecimento mundial do clima. Os cientistas estimam que, para evitar uma catástrofe climática a nível mundial, as emissões de gases com efeito de estufa devem reduzir-se, até 2050, a uma quantidade equivalente a metade do que eram em 1990. O aquecimento climático, resultante da contaminação atmosférica, poderá provocar efeitos catastróficos no futuro: grandes secas e desertificação de amplas regiões do planeta, uma progressiva falta de água potável, grandes incêndios e desflorestação, a subida imparável do nível do mar, o aumento de fenómenos atmosféricos cada vez mais violentos, etc.

Mas, pior ainda, estes efeitos catastróficos não são unicamente coisa do futuro. Na realidade, estão já a produzir-se. Ainda que seja difícil provar que um fenómeno concreto é consequência do aquecimento do clima, cada vez é mais evidente que a frequência e a intensidade com que hoje eles se produzem são consequência inquestionável da alteração do clima. Os danos ambientais, económicos e de vidas humanas provocados pelo aquecimento climático são uma realidade que podemos ver a cada dia que passa, e são quantificáveis.

Apesar do optimismo e a esperança com que esta conferência começa, os negociadores que representam os países mais poluidores e desenvolvidos do planeta chegam a esta conferência dispostos a reduzir a suas emissões só se for alcançado um acordo, isto é, só se os outros reduzirem também a suas emissões. Para estes negociadores, esta conferência não passa de um simples acordo comercial, inserido na lógica de uma economia “globalizada”, de uma economia que deve necessariamente competir e lutar com as outras economias para conseguir impor-se e sobreviver.

Se realmente é o futuro do planeta e da humanidade que está em perigo, o lógico seria que os governantes mundiais reduzissem imediatamente as emissões dos seus países, independentemente do que fizessem os outros. E se, por acaso, outros países continuassem a poluir a atmosfera, ameaçando o futuro de todo o planeta, estes países deveriam ser punidos a todos os níveis. Para começar, fechando-lhes as fronteiras comerciais. Lembremos, por exemplo, que grande parte da produção de países poluidores como a China ou a India é destinada a ser vendida fora, especialmente no ocidente. E que, pela sua vez, todos estes países importam enormes quantidades de matérias-primas que precisam para alimentar a sus indústrias e as suas poluentes sociedades.

Mas esta cimeira poderia ser ainda pior que um simples acordo comercial. Para James Hansen, um dos mais eminentes estudiosos do clima, o problema climático transformou-se num negócio de compra e venda de direitos de emissões. Na sua opinião, é preferível que a cimeira redunde em fracasso, dado que o ponto de partida é profundamente defeituoso, e mais valia, portanto, começar tudo do zero.

No mundo, 56 jornais em 44 países publicam hoje um editorial comum: “Os políticos em Copenhaga têm o poder de moldar a opinião da História sobre esta geração: uma geração que encontrou um desafio e esteve à altura dele, ou uma geração tão estúpida que viu a calamidade a chegar, mas não fez nada para a evitar.”

A qual destas duas gerações queremos nós pertencer? São, portanto, os actuais governantes do mundo os governantes da nossa geração? É a eles que devemos confiar, sem motivo, as nossas vidas?

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