terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pesca devastadora e insustentável

A pesca é o único recurso alimentar em que o homem continua a ser predador da natureza. Nas últimas décadas, a progressiva substituição das artes de pesca artesanais por modos de exploração industriais, de carácter claramente irracional, tem levado à sobreexploração dos valiosos recursos pesqueiros. Actualmente, a sobrepesca está a esgotar ou acabar com as reservas de peixe mundiais, ameaçando a sobrevivência das espécies marinhas, mas também da própria actividade piscatória tradicional que dela depende. Calcula-se que 75% das reservas mundiais de peixe estão totalmente exploradas, sobreexploradas ou mesmo esgotadas. E nas águas comunitárias este valor chega a 88%. Assim, o futuro dos mares e da pesca está em jogo e dependerá das medidas legais que venham a ser agora adoptadas.

Grande parte da destruição das reservas é devida a utilização de técnicas de pesca destrutivas, como as redes de arrasto utilizadas no fundo oceânico. Em 2006 uma moratória sobre a pesca de arrasto em águas internacionais foi apresentada nas Nações Unidas, que ditou a Resolução 61/105. Sobre este problema, pode ver-se o vídeo “O fundo da linha”, com apresentação de Sigourney Weaver (duração: 10 minutos) em:

http://www.greenpeace.org/portugal/videos/o-fundo-da-linha

Um outro documentário sobre a sobrepesca, “The end of the line”, foi recentemente apresentado. Podem ver-se excertos em: http://www.babelgum.com/endoftheline

Recomenda-se a visita das páginas da Greenpeace Portugal e da Plataforma PONG-Pesca:

http://www.greenpeace.org/portugal/
http://pongpesca.wordpress.com/

A Greenpeace Portugal iniciou uma campanha para alertar sobre a comercialização em Portugal de espécies de peixe que provêm de técnicas de pesca ou de viveiros insustentáveis. Esta campanha tenta sensibilizar os consumidores e os retalhistas para evitar este comércio, que leva à destruição das espécies e das reservas de pesca.

Foi ainda elaborada uma Lista Vermelha de espécies cuja venda está relacionada com a sobrepesca ou com técnicas de pesca insustentáveis. O consumo destas espécies coloca em sério perigo a sobrevivência destas espécies, a renovação das reservas de pesca ou os próprios ecossistemas marinhos.

A Lista Vermelha inclui as seguintes espécies:

-Alabote, Alabote da Gronelândia, Linguado europeu e Solha americana (Hippoglossus hippoglossus, Reinhardtius hippoglossoides, Solea solea, Hippoglossoides platessoides)
-Atuns (Thunnus obesus, T. thynnus, T. albacares, T. alalunga)
-Bacalhau do Atlântico (Gadus morhua)
-Espadarte (Xiphias gladius)
-Peixe espada branco (Lepidopus caudatus)
-Peixes vermelhos (Sebastes marinus, S. mentella, S. fasciatus)
-Pescadas (Merluccius merluccius, M. australis, M. hubbsi, M. capensis, M. paradoxus)
-Salmão (Salmo salar)
-Tamboris (Lophius americanus, L. piscatorius, L. budegassa)
-Raias (Dipturus batis, Dipturus laevis, Rostroraja alba, Atlantoraja castelnaui, Leucoraja melitensis)
-Tubarões (Galeorhinus galeus, Squalus acanthias, Prionace glauca, Isurus oxyrhinchus)
-Camarões (Litopenaeus vannamei, Metapenaeus monoceros, Parapenaeus longirostris, Penaeus monodon)

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