quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Biodiversidade extraordinária nas Furnas

As caldeiras das Furnas, na ilha de São Miguel, não são apenas um lugar de grande interesse geológico e turístico. São também um lugar de uma biodiversidade extraordinária e de um enorme interesse científico. Os organismos vivos existentes nas nascentes termais das caldeiras, quase únicos a nível mundial, fazem das Furnas um dos lugares mais interessantes de Portugal para visitar, conhecer ou estudar. E também para proteger.

Estes excepcionais organismos não têm, no entanto, uma aparência espectacular, pelo que podem passar desapercebidos para a maioria das pessoas. Trata-se, na realidade, de organismos microscópicos, de tipo unicelular. Apesar do seu tamanho ínfimo, estes seres unem-se para formar belos tapetes microbianos que são facilmente visíveis para qualquer pessoa que, com a ajuda de um guia, visite a zona das caldeiras.

As características destes organismos são espantosas, já que se contam entre os organismos vivos mais antigos que existem na Terra. Os dinossauros, que viveram há uma infinidade de tempo, apareceram há 225 milhões de anos e desapareceram há 65. No entanto, os organismos que vivem nas Furnas são muitíssimo mais antigos que os dinossauros. São representantes vivos das primeiras linhagens de seres vivos aparecidos na Terra há talvez 3.800 milhões de anos!

Tendo em conta a história evolutiva, os seres vivos dividem-se em três linhagens de importância equivalente: a linhagem das bactérias (Bacteria), a linhagem das chamadas arqueas (Archaea) e a linhagem dos eucariotas (Eukaryota) que deu lugar aos seres pluricelulares, e da qual descendemos os seres humanos. Das duas primeiras linhagens encontramos uma excepcional diversidade nas nascentes termais das Furnas, com variados tipos de organismos que existem em poucos lugares do mundo. Assim, encontramos diferentes espécies de arqueas e bactérias, muito anteriores à invenção da fotossíntese, que se alimentam de compostos inorgânicos presentes nas águas das nascentes termais. Mas também encontramos as bactérias que inventaram os primeiros tipos de fotossíntese, que não produzem oxigénio, e ainda as cianobactérias, seres fotossintéticos mais evoluídos que produzem oxigénio, como as plantas, e que são responsáveis da existência do oxigénio na atmosfera do nosso planeta.

Tudo isto é explicado, com grande pormenor, nas exposições e visitas guiadas que se têm realizado durante este verão no vale das Furnas, dentro do projecto educativo “Vida em Ebulição no Verão - Furnas 2009”, devido à iniciativa da microbiologista Dra. Paula Aguiar. Neste momento existe a intenção de voltar a repetir esta acção, que teve grande adesão de visitantes, quer à exposição quer às visitas guiadas no terreno. A partir de 1 de Novembro até 31 de Dezembro a exposição estará aberta ao público durante os fins de semana (das 15:30 às 20:00 horas), ficando reservada para grupos escolares durante a semana. Durante a sua recente visita, o Secretário Regional da Ciência e Tecnologia manifestou o seu desejo de preservar as caldeiras das Furnas e toda a sua envolvente, e ainda de criar no local um Observatório Microbiano de carácter científico e educativo.

Vida em Ebulição: http://www.vidaemebulicao.com/

É sem dúvida urgente valorizar e proteger este excepcional tesouro biológico que coloca os Açores entre os lugares mais importantes a visitar ao nível mundial em termos de biodiversidade microbiana.

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