quinta-feira, 18 de junho de 2009

Diversão à bruta, lá na aldeia.

A Câmara Municipal da Ribeira Grande, em São Miguel, vai organizar pela primeira vez uma “Tourada à Corda de S. Pedro”, integrada dentro das festas do concelho de 2009.

Confrontamo-nos com duas hipóteses: ou a brutalidade e a tacanhez são uma doença contagiosa, ou existem escuros interesses a promovê-las (ou então, é claro, as duas hipóteses ao mesmo tempo).

- Caso se trate de uma doença contagiosa, é muito preocupante. Há poucas semanas, no dia 25 de Maio, realizou-se, pela segunda vez, uma tourada à corda nas instalações da Associação Agrícola de São Miguel, na Ribeira Grande. E agora é a própria Câmara Municipal a cair nesta mesma doença. O vírus, portanto, parece expandir-se a uma velocidade alarmante!

- Caso se trate de interesses económicos, devíamos perguntar-nos por que é que os organizadores de touradas da Terceira estão tão empenhados no apoio desta tourada. Ou por que razão tentaram legalizar a “sorte de varas”, felizmente sem sucesso.

Seja por doença ou por dinheiro, a Câmara Municipal da Ribeira Grande vai oferecer uma imagem lamentável e degradante da cidade e dos seus munícipes. É triste que, quando se trata de arranjar uma diversão para o povo, se pense numa actividade que consiste, nem mais nem menos, em maltratar animais. É essa a ideia do povo que tem a Câmara Municipal? São esses os valores culturais que quer potenciar? E ainda por cima, o que se faz é importar uma diversão aberrante ainda praticada noutra ilha.

É pena que uma tradição, essa sim autêntica e cultural, como são as Cavalhadas de São Pedro seja agora ensombrada pelo degradante espectáculo duma tourada. O símbolo das festas do concelho –o cavalo nobre, ricamente enfeitado– será agora substituído por um outro símbolo: o touro enraivecido, acossado e maltratado. De certeza que a grande maioria dos munícipes vai sentir-se orgulhosa de ver esta mudança nas suas festas, viradas agora para a agressão e desrespeito pelos animais. Isto é, vão sentir-se orgulhosos de ter uma boa festa à bruta!

Se se quer encher o programa das festas com novos eventos, basta um pouco de imaginação, bom gosto e… civilização. Neste sentido, a recente criação da Feira Quinhentista foi uma iniciativa brilhante e digna de louvor. Mas, sabe-se lá por quê, a Câmara Municipal resolveu agora recuar ainda mais no tempo e recriar uma época muito anterior: o Paleolítico. E como já não há mamutes para matar, tocou aos touros a sorte grande de ser as novas vítimas da crueldade humana.

Caro turista, visite as festas da Ribeira Grande e admire a brutalidade e a tacanhez das suas gentes. Participe connosco nos maus tratos aos animais e divirta-se à bruta. É esta a mensagem da Câmara Municipal, e dos seus amigos terceirenses, para estas festas.

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